Depois do golpe de 1964, o primeiro Ministro do Trabalho, Arnaldo Sussekind, iniciou uma forte ação repressiva contra os sindicatos. Sussekind tinha uma longa trajetória dentro do Ministério, tendo participado da criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Sua chegada ao poder significou que uma nova política trabalhista estava para ser implementada.

A ação dos trabalhadores e seus sindicatos era temida pela classe patronal e pelos militares. Portanto, após o golpe, eles deveriam ser contidos. A intenção nunca foi acabar com os sindicatos, mas colocar nas suas lideranças pessoas alinhadas com a política golpista. Uma das formas de alcançar esse objetivo, foi através das intervenções sindicais.

A intervenção sindical era prevista na CLT e era uma forma de garantir que determinadas lideranças não agissem contra os trabalhadores. Diante de uma grave irregularidade, o Ministério do Trabalho poderia suspender o mandato do presidente de um sindicato e abrir investigação para regularizar as suas atividades. Como essa ação era altamente autoritária, nos governos democráticos, ela praticamente não foi utilizada. Porém, a ditadura não respeitou os ritos legais e passou a intervir em massa nos sindicatos, sem saber sequer se existia um problema.

Esse artigo analisa como se deram as intervenções a partir de 1964 e o papel que o ministro do Trabalho, Arnaldo Sussekind, teve nesse processo.

Artigo “Todos são culpados até que se prove o contrário”: As intervenções sindicais no governo Castelo Branco – Heliene Nagasava publicado na Varia Historia, v.34 n.65. Acessar: http://www.scielo.br/pdf/vh/v34n65/0104-8775-vh-34-65-0537.pdf

Ilustração: Arnaldo Sussekind. Fonte: Arquivo Nacional. Agência Nacional. Subsérie PPU. Série FOT.

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