ETAPA 2

Jogo: “Quem sou eu”?


1º) Frase: “(…) mataram o cavaleiro, a dama e os filhos, grandes e pequenos, e incendiaram tudo. Logo foram a um castelo e ali fizeram pior, pois prenderam o cavaleiro e o ataram a uma estaca muito fortemente, e muitos violaram a mulher e a filha diante do cavaleiro. Depois mataram a mulher, que estava grávida, e a sua filha e todos os filhos, e o marido, depois de torturá-lo, queimaram-no e destruíram o castelo”.
Autor (a): Jean Froissart (1337-1410) foi um poeta e cronista da Idade Média. As Crônicas de Froissart são consideradas uma das principais fontes de pesquisa das jacqueries.

2º) Frase: “Regulam o consumo do álcool gel disponível em pouca quantidade pelas dependências do prédio. Dia desses presenciei uma cena lastimável. Uma senhora, de cabeça branca, provavelmente com idade para ser minha mãe, recolheu álcool num pequeno frasco. Foi tratada pelo segurança como uma criminosa. Constrangida, ela explicou que era para limpar sua área se trabalho, coisa mais que necessária em tempos de covid-19”.
Autor (a): Atendente de uma empresa de call center localizada no Rio de Janeiro.

3º) Frase: “Era um rapagão de membros fortes, largo de braços, de rins e de ombros, com olhos afastados um do outro de uma mão-travessa; não se poderia encontrar em sessenta países um rosto mais rude e mais desagradável. Tinha cabelos eriçados e faces negras e curtidas ; havia seis meses que não lavava a cara e a única água que lhe molhara tinha sido a chuva do céu”.
Autor: Poema épico Garin le Lorrain (França, século XII), descrevendo o filho do camponês Hervis.

4º) Frase: “(…) a greve atual não tem pé nem cabeça. É o resultado da ação perniciosa de elementos estranhos ao nosso meio social que aqui pretendem lançar o gérmen maligno das ideias anárquicas, rivalidades e luta de classes que não tem razão de ser no Brasil e tendem a desaparecer da própria Europa, onde surgiram”.
Autor (a): Jornal A Federação (29/7/1918). Esse jornal era alinhado aos interesses da classe patronal porto-alegrense.

5º) Frase: “A maioria dos meus companheiros, para ser sincero, me mandam para Cuba. Mas tenho sentido que menos companheiros estão me mandando pra Cuba. Acho que estou mobilizando um grupo legal e vamos ficar no Brasil. Quero formar entregadores pensadores. Quem gosta de gado é o rei do gado. Nós sabe [sic] quem é o rei do gado hoje”.
Autor (a): Paulo Lima, entregador de apps e principal articulador do Movimento de Entregadores Antifascistas.

6º) Frase: “Porque nos deixamos maltratar? Livremo-nos da sua maldade! Nós somos homens como eles. Temos membros como os seus e corpo de igual tamanho. E do mesmo modo sofremos. Só nos falta a coragem. Unamo-nos por um juramento”.
Autor (a): Um camponês (personagem da crônica literária Romance de Rollon, de Robert Wace), escrita 150 anos depois das revoltas camponesas que ocorreram na Normandia (França) no ano de 996. No romance, a frase é atribuída a um camponês.

7º) Frase: “(…) a todas as classes de trabalhadores terrestres e marítimos, ferroviários, metalúrgicos, foguistas, marinheiros (…) o mundo trabalhador já não pode suportar a opressão dos sugadores e detentores do bem-estar da humanidade”.
Autor (a): Panfleto do Sindicato dos Pedreiros e Carpinteiros de Salvador na greve de 1919.

8º) Frase: “Camaradas! A burguesia ainda não perdeu a velha mania de se julhar com interesses absolutos sobre os nossos braços e a nossa vida como se fossemos sua propriedade particular. Supõe ela que ainda são os operários objetos dos tempos idos e não os operários homens, operários conscientes de hoje, que vimos em cada burguês um explorador, um consumidor, um tirano, enfim”.
Autor (a): Boletim do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre. 16/08/1919.

9º) Frase: “A condição de bestas é mais feliz que a nossa, pois não são obrigadas a trabalhar mais do que a sua força lhes permite. E nós, pobres asnos, carregamos fardos e mais fardos (…) Força então meus bons amigos; despertemos e mostremos que somos homens e não bestas”.
Autor (a): Frase atribuída a um dos líderes da jacquerie, Jacques Bonnhome de Clermont em Beauvaisis.  

10º) Frase: “Ficar em casa pra quem pode, legal, mas quem não tem condições, isso é desumano. O cara tem que trabalhar”.
Autor (a): Jair Bolsonaro, presidente da República em 13/5/2020, em plena pandemia da Covid-19.

2 comentários em “Chão de Escola #02: As lutas dos trabalhadores em conjunturas pandêmicas (1358, 1918 e 2020)

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