ETAPA 3

Atividade do Grupo 2

  1. Faça uma leitura do texto e debata as questões propostas, registrando-as em seu caderno.

A Gripe Espanhola e as greves de 1918 e 1919

Entre 1918 e 1920, foi a vez da pandemia de Gripe Espanhola atingir a humanidade em escala global. Iniciada nos Estados Unidos, a gripe ganhou o nome de “espanhola” porque esse país declarou-se neutro na Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e por esse motivo, divulgava sem censura notícias da pandemia através da imprensa. Transmitida pelo vírus Influenza (H1N1), a Gripe Espanhola deixou um rastro de cerca de 50 milhões de mortos, um saldo cinco vezes maior do que os mortos pelo conflito mundial em curso.
E foi justamente nos anos de 1918 e 1919, com a pandemia em curso, que uma onda de greves tomou conta dos Estados Unidos. Em setembro de 1918, cerca de 300.000 trabalhadores do aço paralisaram o seu trabalho, na primeira greve nacional da categoria no país. No início do ano seguinte, 35.000 trabalhadores costureiros – (90% do sexo feminino) declararam greve para exigir uma jornada de trabalho de quarenta e quatro horas e um aumento de 15% nos salários (FREEMANN, 2020). Segundo o pesquisador Joshua Freemann, ainda que não possamos fazer correlações diretas entre a epidemia de gripe e a onda de greves no EUA, a conjuntura de guerra e de crise conectam os dois. Nesses mesmos anos, eclodiram greves no Canadá, na Argentina, na Inglaterra, Portugal, França, Itália, África do Sul, entre outros. Não podemos perder de vista que esses acontecimentos ocorrem sobre o rastro de destruição deixado pela Primeira Guerra Mundial e sobre o eco de esperança trazida pela Revolução Socialista ocorrida na Rússia em outubro de 1917.
No Brasil, um novo ciclo de greves também se iniciou em 1918 e 1919. No ano anterior, o país fora sacudido pela Greve Geral de 1917, que articulara diferentes categorias de trabalhadores de vários estados e contou com a participação direta de trabalhadores anarquistas e socialistas. Nos dois anos seguintes, ocorreram greves em várias cidades que haviam se mobilizado em 1917, como Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Recife, entre outras. Entre as reivindicações, podemos citar: aumento salarial, jornada de trabalho de 8 horas diárias, direito à associação, proibição do trabalho para menores de 14 anos, abolição do trabalho noturno para mulheres e melhores condições de trabalho.
Ainda que não seja possível associar diretamente o aumento do número de greves com a Gripe Espanhola, a carestia e a alta do custo de vida daquele período, que agravavam ainda mais as condições de vida dos trabalhadores e trabalhadoras do país,  somado à precariedade do sistema de saúde pública para assistir os acometidos pela gripe – muitos deles trabalhadores – desnudavam ainda mais as desigualdades já existentes. Segundo a pesquisadora Christiane Maria Cruz de Souza, o número de trabalhadores adoecidos pela Gripe Espanhola em Salvador variou entre 100% a 80%  nas fábricas onde a produção exigia uma maior proximidade entre os operários, tais como as de roupas, vestuário, de acessórios, cigarros e embalagens (SOUZA, 2009). Ainda que aquela fosse apontada como uma doença “democrática”, pois atingia a todos aqueles que tivessem contato com o vírus Influenza, as condições de trabalho, moradia, alimentação e acesso à saúde dos mais pobres, deixava-os mais à deriva naquela conjuntura de crise, doença e morte. 
Ainda que reprimidas pelos patrões, pelo governo e pela polícia, as greves dos anos 1910 tiveram um impacto político significativo. Travadas meio às mortes causadas pela guerra e pela pandemia, as lutas dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo naqueles anos foram fundamentais para a conquista de seus direitos obtidos pelos mesmos nas duas décadas subsequentes.

Trabalhadores da capital baiana reunidos durante a greve de 1919.
Fonte: http://sintracom.org.br/2016/2016/04/01/os-trabalhadores-da-construcao-civil-na-greve-geral-de-1919/

Questões:

  • De acordo com o que vocês leram e com a opinião de vocês, as greves de 1918 e 1919 tem alguma relação com a pandemia de Gripe Espanhola? Justifique a sua resposta.
  • Ocorreram várias greves de trabalhadores em diferentes países do mundo nesse período. Quais acontecimentos de impacto mundial tiveram interferência direta nessas greves?
  • Por que os trabalhadores pararam no Brasil? Nos dias de hoje, as reivindicações do passado são direitos assegurados? Sim ou não? Explique.

  1. Trabalhando com fontes históricas.

Observe as imagens abaixo extraídas do jornal O Malho e identifique o que elas nos fornecem de informações sobre as greves dos anos 1910 no Brasil.

O Malho, outubro de 1917. Biblioteca Nacional (hemeroteca)

O Malho, abril de 1918. Biblioteca Nacional (hemeroteca)


Bibliografia:

ABREU, Alzira Alves de et al. (coords). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (DHBB). Rio de Janeiro: FGV, 2001. Greve (verbete).
CASTELLUCCI, Aldrin Armstrong Silva. Salvador dos Operários: uma história da Greve Geral de 1919 na Bahia. UFBA: Salvador, 2001. Dissertação de mestrado.
CAVALCANTE, Luciane do Nascimento. Movimento operário e as peculiaridades da luta armada no Recife a partir da atuação de José Elias e Joaquim Pimenta (1919-1920). Anais do IV Colóquio de História. UNICAP: Recife, 2010.
FREEMANN, Joshua. Pandemias podem gerar ondas de greves. 16/05/2020. Disponível em: http://www.dmtemdebate.com.br/pandemias-podem-gerar-ondas-de-greve/
SOUZA, Christiane Maria Cruz. A espanhola em Salvador – o cotidiano da cidade doente. Varia hist. vol.25 nº.42 Belo Horizonte Julho/Dezembro 2009.
QUEIRÓS, Cézar Augusto Bubolz. Estratégias e identidades: relações entre governo estadual, patrões e trabalhadores nas grandes greves da Primeira República em Porto Alegre (1917/1919). UFRGS, Porto Alegre, 2012.
Anarquia ou Barbarie: https://anarquiabarbarie.wordpress.com/category/historia/greve-de-1918/

2 comentários em “Chão de Escola #02: As lutas dos trabalhadores em conjunturas pandêmicas (1358, 1918 e 2020)

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