ETAPA 3

Atividades do Grupo 3

1) Faça uma leitura do texto e debata as questões propostas, registrando-as em seu caderno.

A pandemia do Coronavírus: um novo ciclo de luta por direitos?

O novo agente do coronavírus, chamado de novo Coronavírus, foi descoberto no fim de dezembro de 2019 após ter casos registrados na China. Em poucos meses, a pandemia do COVID 19 se espalhou pelo globo, o que obrigou a grande parte dos países mais atingidos a adotar medidas de isolamento social.
A maior vulnerabilidade dos mais pobres à doença vem sendo apontado pelas estatísticas: de acordo com um levantamento feito pelo programa Cidades Sustentáveis, as taxas de mortalidade são maiores entre a população que está abaixo da linha da pobreza. Fatores como a falta de acesso á saúde e ao saneamento básico e a alta densidade populacional existente em favelas e bairros periféricos (ESTADO DE MINAS, 3/6/2020), colaboram para as altas estatísticas de mortandade entre os mais pobres. Poderíamos acrescentar que a insegurança alimentar gerada pelos altos índices de desemprego e informalidade entre a população de baixa renda, também são fatores determinantes para essa vulnerabilidade.
Cabe acrescentar, que muitas dessas pessoas por questões de sobrevivência, vêm-se impelidas a continuar trabalhando, mesmo diante das orientações de isolamento social. Alguns desses trabalhadores, inclusive, estão sendo apontados como “essenciais” nesse cenário pandêmico. Além dos profissionais de saúde, entregadores, motoristas, balconistas, caixas de supermercado, lixeiros, porteiros, trabalhadores das indústrias alimentícia e farmacêutica, entre outros, seguem em uma jornada de trabalho ininterrupta o que, inevitavelmente, coloca a sua vida em risco. Neste sentido, algumas questões relativas aos direitos e segurança desses trabalhadores vêm sendo colocadas. Isso é bastante visível em alguns movimentos, como os protestos de entregadores de  apps exigindo que as empresas de aplicativos ofereçam mais segurança como álcool em gel e máscaras para o exercício de sua atividade diária e a greve dos trabalhadores de call center para que o seu trabalho fosse realizado em regime de home office. Esses movimentos ocorridos em escala nacional, também são verificados em diversos países do globo, principalmente naqueles em que a pandemia atingiu altos índices de mortalidade, tais como Espanha, Itália e Estados Unidos.
Assim como em outras conjunturas pandêmicas, tais como a Peste Negra do século XIV e a Gripe Espanhola (1918-1920), a pandemia do Coronavírus desnuda a situação de extrema vulnerabilidade em que os mais pobres – muitos deles trabalhadores chamados “braçais” – se encontram. Ainda que não possamos ignorar as suas profundas diferenças entre essas três conjunturas, a situação desses trabalhadores e trabalhadoras meio à pandemia evidencia as desigualdades já existentes e acabam colocando em xeque à estrutura vigente. Nos dois primeiros casos, elas também geraram momentos de inflexão que só foram percebidos em longo prazo. No caso das recentes manifestações dos trabalhadores em virtude da Covid-19, ainda é cedo para fazermos um prognóstico (FONTES, 2020), mas já assistimos algumas reações que podem desencadear mudanças mais profundas. Isso é patente quando assistimos as manifestações dos trabalhadores e protestos de massa como o “Black Lives Matter” (“Vidas Negras Importam”) que vem ocorrendo em escala global meio à pandemia. Será o prenúncio de um novo ciclo de lutas por direitos? As respostas virão quando o relógio da História girar…

O movimento “Black Lives Matter” surgiu em 2013, nos Estados Unidos. Após o assassinato de um homem negro, George Floyd, por um policial branco, Derek Chauvin, em maio de 2020, os protestos contra o genocídio negro se alastraram pelo mundo.
Fonte da imagem: https://rj.casadosaber.com.br/cursos/blacklivesmatter/mais-informacoes

Questões para o debate:

  • O Coronavírus é uma doença “democrática”, ou seja, que atinge a todos igualmente independente da cor, gênero ou classe social? Justifique a sua resposta.
  • Discuta com os seus colegas os direitos que deveriam ser assegurados aos trabalhadores “essenciais” nessa conjuntura de pandemia?
  • “(…) a situação desses trabalhadores e trabalhadoras meio à pandemia evidencia as desigualdades já existentes e acabam colocando em xeque à estrutura vigente”. Debata com o seu grupo essa frase presente no texto e registre as suas considerações em seu caderno.

2) Trabalhando com imagens.
Explique o conteúdo da charge abaixo: 

Fonte da imagem: http://www.dmtemdebate.com.br/o-mosaico-da-exploracao-do-trabalho/


Bibliografia:

COVID: Desigualdade no país afeta taxa de mortalidade, diz pesquisa. Estado de Minas, 3/6/2020. Disponível em: https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/06/03/interna_gerais,1153504/covid-desigualdade-no-pais-afeta-taxa-de-mortalidade-diz-pesquisa.shtml
FONTES, Paulo. Entrevista ao Jornal da ADUFRJ. 30/4/2020. Disponível em: https://lehmt.org/2020/05/16/nao-existe-sociedade-sem-trabalhadores-entrevista-de-paulo-fontes-para-o-jornal-da-adufrj/
Entregadores antifascistas: “Não quero gado. Quero formar entregadores pensadores”. 7/6/2020. Entrevista disponível em: https://apublica.org/2020/06/entregadores-antifascistas-nao-quero-gado-quero-formar-entregadores-pensadores/
O movimento ”Black Lives Matter” organiza-se e procura definir-se politicamente. 31/5/2020. Disponível em:: https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Antifascismo/O-movimento-Black-Lives-Matter-organiza-se-e-procura-definir-se-politicamente/47/47651
Pandemia evidencia condições inadequadas de trabalho em call centers no Rio. 30/5/2020. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2020/03/30/pandemia-evidencia-condicoes-inadequadas-de-trabalho-em-call-centers-no-rio


Crédito da imagem de capa: Trabalhadores em greve deixam um estaleiro em Seattle, 1919. Fotografia: Webster & Stevens/Museum of History and Industry. Fonte: http://www.dmtemdebate.com.br/pandemias-podem-gerar-ondas-de-greve/


Chão de Escola

Nos últimos anos, novos estudos acadêmicos têm ampliado significativamente o escopo e interesses da História Social do Trabalho. De um lado, temas clássicos desse campo de estudos como sindicatos, greves e a relação dos trabalhadores com a política e o Estado ganharam novos olhares e perspectivas. De outro, os novos estudos alargaram as temáticas, a cronologia e a geografia da história do trabalho, incorporando questões de gênero, raça, trabalho não remunerado, trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e até mesmo desempregados no centro da análise e discussão sobre a trajetória dos mundos do trabalho no Brasil.
Esses avanços de pesquisa, no entanto, raramente têm sido incorporados aos livros didáticos e à rotina das professoras e professores em sala de aula. A proposta da seção Chão de Escola é justamente aproximar as pesquisas acadêmicas do campo da história social do trabalho com as práticas e discussões do ensino de História. A cada nova edição, publicaremos uma proposta de atividade didática tendo como eixo norteador algum tema relacionado às novas pesquisas da História Social do Trabalho para ser desenvolvida com estudantes da educação básica. Junto a cada atividade, indicaremos textos, vídeos, imagens e links que aprofundem o tema e auxiliem ao docente a programar a sua aula. Além disso, a seção trará divulgação de artigos, entrevistas, teses e outros materiais que dialoguem com o ensino de história e mundos do trabalho.

2 comentários em “Chão de Escola #02: As lutas dos trabalhadores em conjunturas pandêmicas (1358, 1918 e 2020)

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