Chão de Escola #59: Os ferroviários da Central do Brasil em Três Rios/RJ – Memória, trabalho e identidade, por Célio César de Aguiar Lima.
Célio César de Aguiar Lima.
(Professor e historiador, com Doutorado em História pela UERJ, com tese dedicada à História Social do Trabalho)

Apresentação da atividade
Segmento: Ensino Médio – 2º ou 3º Ano
Unidade temática: O Brasil Republicano
Objeto de conhecimento: As condições de vida e de trabalho das populações negras no pós-abolição e durante a Primeira República.
Objetivos gerais:
– Relacionar a história das ferrovias e o processo de urbanização e industrialização no Brasil.
Objetivos específicos:
– Analisar o cotidiano e as memórias dos trabalhadores ferroviários;
– Relacionar experiências individuais com transformações históricas;
– Desenvolver a leitura crítica de fontes iconográficas e testemunhais;
– Estimular a valorização da memória local e do patrimônio cultural dos municípios fluminenses, especificamente Três Rios (RJ)
Duração da atividade: 5 aulas de 50 min
| Aulas | Planejamento |
| 1 e 2 | Etapa 1 |
| 3 e 4 | Etapa 2 |
Conhecimento prévio:
– Compreender, de forma básica, a história da industrialização e do trabalho dos operários no Brasil durante a Primeira República.
Habilidades a serem desenvolvidas (BNCC):
– (EM13CHS103) Analisar os processos históricos de urbanização e industrialização e seus impactos.
– (EM13CHS104) Compreender o papel dos sujeitos sociais na construção do espaço urbano.
– (EM13CHS202) Reconhecer diferentes formas de registro e preservação da memória e da cultura.
– (EM13CHS303) Avaliar as transformações nas relações de trabalho ao longo do tempo.
Atividade
Recursos: Data Show; Quadro Branco; Pincel.
Etapa 1
Converse com os alunos sobre o que eles sabem a respeito da industrialização do Brasil e da participação dos trabalhadores na vida política e social.
Aula 1: Apresentação do tema e ativação dos conhecimentos prévios
Solicite que eles leiam o texto abaixo:
TEXTO 1 – Três Rios e a ferrovia
Os Ferroviários da Central do Brasil em Três Rios/RJ: Trabalho, Memória e Identidade no Pós-Abolição.
Autoria: Célio César de Aguiar Lima
No final do século XIX e início do século XX, o Brasil vivia a transição da Monarquia para a República (1889) e os primeiros desdobramentos do fim da escravidão (1888). Nesse cenário de modernização e industrialização, a antiga Vila de Entre-Rios (atual município de Três Rios/RJ) deixou de ser apenas um conjunto de terras rurais da Fazenda Cantagalo para se tornar um dos nós logísticos mais importantes do país.
A cidade cresceu de forma acelerada graças à sua posição geográfica estratégica, onde se cruzavam três grandes caminhos: a rodovia União e Indústria (1861), os trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil (1867) e a Estrada de Ferro Leopoldina (1900). Toda essa infraestrutura servia para escoar a principal riqueza da época: o café. Como explicava o teatrólogo Ledemar Mendes em suas memórias: “Entre-Rios era a ferrovia e a ferrovia era Entre-Rios”. Ao caminhar pela cidade velha, a história se desenrolava como um filme na cabeça de quem viveu aquele período de trilhos e fumaça.
O Mundo do Trabalho: O 3º Depósito e a Escola Profissional
O grande motor econômico e social da região foi a ampliação, em 1899, do 3º Depósito Ferroviário de Entre-Rios, um gigantesco complexo de oficinas mecânicas. O local contava com uma estrutura circular chamada rotunda, que permitia girar os vagões e locomotivas a vapor, as famosas “Marias Fumaça” (Fotografia 4), para direcioná-los aos diferentes setores de manutenção.
Diferente de outros depósitos acanhados da época, as oficinas de Entre-Rios ganharam fama pela sua capacidade técnica. Ali, os operários não faziam apenas consertos; eles fabricavam integralmente carros de passageiros luxuosos feitos de couro, madeira e com iluminação elétrica (Fotografias 2 e 5), gerando imenso orgulho para a categoria. Para quem vivia na região, fazer parte desse universo era um verdadeiro marco de ascensão social. Como relembrou o morador Ataíde Neves: “Naquela época trabalhar na Central do Brasil era um sonho, todos queriam trabalhar lá, pagava em dia, relativamente bem, te dava segurança”.
Para garantir que a juventude local aprendesse esses ofícios industriais, a ferrovia criou a Escola Profissional Ferroviária em 1897 (Fotografia 6). Na escola técnica, jovens rapazes, com forte presença de meninos negros, passavam por exames rigorosos e assistiam a aulas de desenho de máquinas, aritmética, álgebra, física e química industrial. Desse modo, o conhecimento técnico especializado passava de geração em geração, moldando o destino das famílias trirrienses.
O Cotidiano Operário e a Cidade dos Tamancos
A vida urbana de Entre-Rios orbitava em torno da produção nos trilhos. Quase todos os habitantes tinham algum parente na companhia ou dependiam do comércio gerado por ela. O ritmo biológico e social da comunidade era rigidamente cronometrado pela sirene do 3º Depósito: ela ecoava forte por todo o município às 07:00 da manhã (início do trabalho), às 11:00 (horário de almoço) e às 16:00 (fim do expediente).
O deslocamento diário de cerca de mil trabalhadores criava uma paisagem sonora e visual inconfundível, descrita por Luiz Augusto Rocha Dias: “Era uma barulhada de tamanco para lá, tamanco para cá. O pessoal da ferrovia, do 3º Depósito usava e era muita gente”. Esses tamancos eram calçados rústicos feitos de madeira e lona. Como as ruas do povoado não eram calçadas, os operários espalhavam os restos de carvão mineral queimado das locomotivas pelas vias públicas para evitar o barro em dias chuvosos. O atrito constante dos tamancos de madeira contra o carvão gerava uma fuligem escura e um ruído cadenciado que dava a Entre-Rios uma identidade operária única.
As condições de trabalho, contudo, eram extremamente duras. O operário aposentado Hermínio Ferreira de Almeida lembrava que o cotidiano nas linhas e oficinas era “pesado, judiado”. Auxiliares de maquinista e guardas-freio passavam por jornadas exaustivas: “Não tinha comida, hotel, dava quase 30 horas direto de trabalho”. Essa rotina de sacrifício fez com que a classe trabalhadora desenvolvesse laços profundos de solidariedade, organizando-se em uma grande rede comunitária onde “a ferrovia unia as pessoas como se fossem uma família”.
Condições da População Negra no Pós-Abolição
A história de Três Rios está intimamente ligada à trajetória das populações negras no pós-abolição. Diferente de outras regiões paulistas e fluminenses que apostaram na imigração europeia subsidiada pelo governo, Entre-Rios viveu uma experiência social única: a Colônia Agrícola Nossa Senhora da Piedade.
Antes de falecer em 1883, a Condessa do Rio Novo (Mariana Claudina Pereira de Carvalho) registrou em seu testamento a alforria de seus 244 escravizados e a doação de lotes da Fazenda Cantagalo para que eles e seus descendentes cultivassem alimentos e lavouras de café. O objetivo era inserir os ex-escravizados na sociedade republicana, dando-lhes direito à terra. No entanto, a sobrevivência era difícil e os estigmas do racismo estrutural persistiam. Para garantir o sustento, muitos libertos enfrentavam dupla jornada: trabalhavam na lavoura e, ao mesmo tempo, estivavam sacas de café nos armazéns da estação ou buscavam emprego nas oficinas da Central do Brasil.
A desigualdade racial, porém, repetia-se dentro da estrutura da ferrovia. Os cargos técnicos de chefia e escritórios eram frequentemente destinados aos homens brancos, enquanto aos trabalhadores negros restavam os serviços braçais mais duros. O ferroviário Sebastião Cassiano da Silva desabafou sobre essa barreira invisível: “Não me deram oportunidade na oficina, sempre colocavam outros e eu fui ficando na ‘soca’ [serviço pesado de base] até aposentar”.
A política nacional também interferia diretamente na vida desses operários. Durante o governo de Getúlio Vargas, na década de 1930, o Estado passou a controlar rigidamente a produção cafeeira nacional. Para conter a crise e valorizar o preço do produto no mercado internacional, toneladas de sacas de café foram confiscadas e queimadas em grandes montanhas próximas à Estação de Entre-Rios. Os trabalhadores responsáveis pelo descarregamento e por amontoar o café para a queima eram, em sua esmagadora maioria, negros supervisionados por feitores ou senhores brancos bem trajados.
Memória e Cultura como Espaços de Resistência
Para resistir às opressões, ao racismo e às jornadas exaustivas de trabalho, os ferroviários criaram ferramentas próprias de sociabilidade e lazer no seu tempo livre. Eles foram os principais incentivadores e fundadores de jornais independentes (como o Jornal Entre Rios), de times de futebol (como o Entrerriense Futebol Clube) e de grupos de teatro amador (como o Grupo Dramático Beneficente Dias Braga, em 1914).
O maior símbolo dessa resistência cultural foi o Grêmio Musical Primeiro de Maio, organizado institucionalmente em 1910. A forte ligação entre o trabalho e a arte era evidente na comunidade. Como apontou Ângela Maria Duarte de Brito, filha do Maestro Geraldo Duarte: “Quase todos [os músicos] eram ferroviários. Nem sei se existiria a Banda sem os ferroviários. O pessoal entrar para a banda e ir para a Central era comum”.
A música funcionava como um passaporte para o emprego e uma estratégia de sobrevivência. O próprio Maestro Geraldo Duarte confirmou essa relação: “Meu ingresso na Banda 1º de Maio proporcionou a mim e a meu pai a oportunidade de ingressarmos na antiga Central do Brasil”. Nos finais de semana, as apresentações da banda nos coretos e praças representavam a alma e a alegria do município. Para os operários marginalizados pelas chefias fabris, a música era o território onde recuperavam sua dignidade, sua ancestralidade e sua união. Nas palavras de Sebastião Cassiano: “A gente se reunia e tudo terminava em música, a música está no sangue”.
Estudar a história dos ferroviários da Central do Brasil em Três Rios permite compreender que os operários negros e brancos da Primeira República não foram apenas peças passivas de uma engrenagem econômica. Eles transformaram o espaço urbano, construíram a infraestrutura da cidade, enfrentaram as injustiças laborais e criaram um patrimônio cultural imaterial de valor incomensurável por meio de suas bandas, teatros e memórias. Preservar esses relatos orais e iconográficos é reconhecer o protagonismo desses sujeitos históricos na construção da identidade fluminense.
Atividade 1
Solicite que os alunos realizem a atividade abaixo:
1. Qual a relação entre a cidade de Três Rios, município do Rio de Janeiro, com o desenvolvimento das ferrovias?
2. Explique como o pós-abolição influenciou o mundo do trabalho nas oficinas das ferrovias em Três Rios?
3. Quais foram as formas de resistência e luta dos trabalhadores?
4. Escreva uma frase para cada conceito, relacionando com as imagens e o texto lido em sala.
| Trabalho | Ferrovia | Memória de Três Rios | Identidade dos ferroviários |
Aula – 2: Vozes dos ferroviários: leitura e interpretação de relatos
Leitura dos testemunhos
Explique aos estudantes que também podemos conhecer a história por meio de relatos orais. Nesta aula, serão lidos trechos de entrevistas com ferroviários e pessoas ligadas à ferrovia em Três Rios (RJ).
Esses relatos mostram experiências de vida, dificuldades, alegrias, relações familiares e a maneira como essas pessoas viam o trabalho e a cidade.
Faça uma leitura coletiva e converse com a turma sobre o cotidiano dos trabalhadores ferroviários e sobre como a ferrovia fazia parte da vida da cidade.
Leia os documentos e analise-os
TESTEMUNHO 1 – Ataíde Neves
“Com 10 anos de idade minha mãe me colocou para fora de casa, disse que eu já era homem suficiente para cuidar da minha vida. Eu passei a dormir na estação, trabalhava de tudo para ganhar o almoço. Naquela época trabalhar na Central do Brasil era um sonho, todos queriam trabalhar lá, pagava em dia, relativamente bem, te dava segurança.”
(Ataíde Neves – 86 anos – militar reformado – servidor público. Entrevista Concedida em 24/12/2023 das 15:00 as 16:30h.)
O relato de Ataíde mostra que a ferrovia fazia parte da vida de muitas pessoas, inclusive de quem não era funcionário. Ele conta que passou por dificuldades na infância e que via o trabalho na Central do Brasil como uma oportunidade de ter segurança e respeito. Sua história mostra como a ferrovia influenciava também a vida das pessoas que moravam ou trabalhavam perto dela.
TESTEMUNHO 2 – Ledemar Mendes Franco
“Entre-Rios era a ferrovia e a ferrovia era Entre-Rios. Quando passo por lá [antiga estação] é como um filme que me vem à cabeça.”
(Ledemar Mendes Franco, 89 anos, teatrólogo envolvido na formação e construção do GATVIC – Grupo de Amadores Teatrais Viriato Correa; Entrevista concedida em 25/11/2023 das 10:00 às 11:30h.)
Ledemar cresceu em uma cidade muito ligada à ferrovia. Mesmo não sendo ferroviário, viveu em um ambiente marcado pelos trilhos e pela presença dos trabalhadores. Suas lembranças mostram carinho pela antiga estação e pelo passado da cidade. Sua família trabalhava no comércio, mas os ferroviários eram uma presença importante no dia a dia. Seu relato mostra como a ferrovia ajudou a formar a história e a identidade de Três Rios.
TESTEMUNHO 3 – Ângela Maria Duarte de Brito
“Quase todos [os músicos] eram ferroviários. Nem sei se existiria a Banda sem os ferroviários. O pessoal entrar para a banda e ir para a Central era comum.”
(Angela Maria Duarte de Brito – 76 anos, filha do Maestro Geraldo Duarte do Grêmio Musical Primeiro de Maio por 50 anos. Entrevista Concedida em 24/10/2023 das 10:00 as 12:00 hs.)
Ângela cresceu em uma família muito ligada à cultura ferroviária. Seu relato mostra como a ferrovia estava presente na música, na vida familiar e na convivência entre as pessoas. Ela valoriza a história de seu pai e mostra que a ferrovia também podia abrir oportunidades de trabalho e participação na vida da cidade. Mesmo sem ter trabalhado na ferrovia, sua infância e suas lembranças foram marcadas por esse ambiente.
TESTEMUNHO 4 – Geraldo Duarte
“Meu ingresso na Banda 1º de Maio proporcionou a mim e a meu pai a oportunidade de ingressarmos na antiga Central do Brasil. O povo gostava muito da Banda 1º de Maio […] a Banda de Música era a festa da cidade.”
(Depoimento/entrevista realizada pela sua filha Ângela Maria Duarte de Brito, que cedeu os manuscritos originais para esse trabalho permitindo o uso e publicação dele. Angela Maria Duarte de Brito – 76 anos, filha do Maestro Geraldo Duarte do Gremio Musical Primeiro de Maio por 50 anos. Entrevista Concedida em 24/10/2023 das 10:00 as 12:00 hs.”
Geraldo reúne duas experiências importantes: o trabalho na ferrovia e a música. Trabalhou no 3º Depósito e foi maestro durante muitos anos. Para ele, a ferrovia não era apenas um emprego; também fazia parte da vida cultural e das relações entre as pessoas. A música ajudava a aproximar a comunidade, e o trabalho na ferrovia podia trazer oportunidades, orgulho e o sentimento de fazer parte da cidade.
TESTEMUNHO 5 – Hermínio Ferreira de Almeida
“Nosso serviço era pesado, judiado. […] Não tinha comida, hotel, dava quase 30 horas direto de trabalho. Mesmo vindo gente de todo lado […] a ferrovia unia as pessoas como se fossem uma família.”
(Herminio Ferreira de Almeida, ferroviário aposentado. 91 anos. Entrevista Concedida em 12/12/2023 das 14:30 às 16:30 h.)
Hermínio lembra o trabalho ferroviário como um trabalho pesado e difícil, mas também destaca a amizade entre os trabalhadores. Ao falar das condições ruins de trabalho como guarda-freio e auxiliar de maquinista, mostra que o crescimento da ferrovia também exigia muito esforço das pessoas. Ao mesmo tempo, ele lembra a união entre os trabalhadores, que muitas vezes se apoiavam como uma família.
TESTEMUNHO 6- Sebastião Cassiano da Silva
“Não me deram oportunidade na oficina, sempre colocavam outros e eu fui ficando na ‘soca’ até aposentar. A gente se reunia e tudo terminava em música, a música está no sangue.”
(Sebastião Cassiano da Silva – 93 anos, Ferroviário, Músico do Grêmio Musical 1º de Maio. Entrevista Concedida em 12/12/2023 das 14:30 às 16:30 h.)
Sebastião fala sobre as diferenças de oportunidades dentro da ferrovia. Negro e filho de pessoas que haviam sido escravizadas, ele conta que não teve as mesmas oportunidades que outros trabalhadores. Ao mesmo tempo, destaca a amizade e a música como formas de união e de enfrentamento das dificuldades. Seu relato ajuda a discutir desigualdade, trabalho e participação da população negra na história da ferrovia.
TESTEMUNHO 7 – Luiz Augusto Rocha Dias (Guti)
“Era uma barulhada de tamanco para lá, tamanco para cá. O pessoal da ferrovia, do 3º Depósito usava e era muita gente. Quase todo mundo aqui era ferroviário.”
(Luiz Augusto da Rocha Dias, 92 anos, ex-presidente do Entrerriense Futebol Clube, do Grêmio Musical 1º de Maio, e do GATVIC – Grupo de Amadores Teatrais Viriato Correa; Entrevista concedida em 29/11/2023 das 14:00 às 15:30h.)
Luiz Augusto não trabalhou diretamente na ferrovia, mas viveu em uma cidade muito influenciada por ela. Como participou do Grêmio Musical e do Entrerriense, percebeu como a ferrovia estava ligada à música, ao esporte e à convivência entre as pessoas. Seu relato mostra que a ferrovia teve um papel importante na organização e na vida social da cidade.
TESTEMUNHO 8 – Aroldo Chistovan de Lima
“Eu não fui ferroviário, mas fui engraxate na Estação Ferroviária Leopoldina na década de 1950. Os alunos da Escola Profissional Jorge Franco almoçavam no 3º Depósito […] depois iam para a oficina.”
(Aroldo Chistovam de Lima, 88 anos, político local; Entrevista concedida em 02/12/2023 das 10:00 às 11:30h.)
Aroldo mostra que a ferrovia também era importante para quem não tinha o cargo de ferroviário. Desde jovem, ele acompanhou a rotina da estação e conheceu a Escola Profissional. Seu relato mostra a importância do ensino técnico e do trabalho para criar novas oportunidades. Seu pai também trabalhava perto da estação, mostrando como muitas famílias tinham alguma relação com a ferrovia.
Atividade II:
Considerando a leitura dos testemunhos, responda as questões abaixo.
1) O que os relatos revelam sobre o dia a dia, as relações, as dificuldades e os sentimentos das pessoas ligadas à ferrovia? Construa um quadro mostrando essas características.
2) Escreva um texto destacando trechos importantes dos relatos e contando o que eles revelam sobre a história dos ferroviários de Três Rios.
Etapa 2: Aulas 3 e 4
Aula 3: Análise de imagens e fotografias do trabalho ferroviário
Apresente fotografias históricas dos trabalhadores (oficinas, locomotivas, estações, vagões, etc.) e peça que os alunos releiam o texto da 1ª Etapa e os testemunhos da 2ª Etapa
Faça uma leitura orientada das imagens: o que elas mostram? Quem são as pessoas? Como estão vestidas? O que estão fazendo? Que ferramentas, máquinas ou objetos aparecem?
Solicite que os alunos façam atividade abaixo.
Atividade III
a) Observe as imagens fotográficas e relacione com o texto de Célio César e os testemunhos dos ferroviários.
b) Elabore um painel ou infográfico com imagens e pequenas legendas explicando o que cada fotografia mostra.
FOTOGRAFIA 1

FOTOGRAFIA 2

FOTOGRAFIA 3

FOTOGRAFIA 4

FOTOGRAFIA 5

FOTOGRAFIA 6

FOTOGRAFIA 7

Aula 4: Encerramento: a memória como resistência
Solicite que os estudantes façam uma atividade que reúna o que aprenderam durante a sequência.
Atividade IV
a) Escreva uma carta fictícia de um ex-ferroviário para uma futura geração. Conte como era sua vida, fale sobre o trabalho, as dificuldades, as relações com outras pessoas e explique por que a história da ferrovia deve ser preservada.
b) Compartilhamento das cartas entre os colegas.
Roda de conversa final:
Faça uma roda de conversa com o seguinte tema Que outras memórias da cidade ainda precisam ser escutadas?
Reflita sobre como os trabalhadores aparecem nas histórias da cidade e quais pessoas ou grupos podem estar esquecidos nessas histórias.
Resumo de conceitos-chave:
Trabalho: atividade realizada pelas pessoas para garantir sua sobrevivência e participar da vida da sociedade.
Ferrovia: sistema formado por trilhos, estações, locomotivas, vagões, oficinas e pelas pessoas que trabalham ou vivem ao seu redor.
Memória: lembranças que pessoas e grupos guardam sobre acontecimentos e experiências do passado.
Memória local: lembranças e histórias relacionadas a uma cidade, bairro ou comunidade.
Identidade: maneira como uma pessoa ou grupo se reconhece e se sente parte de um lugar ou de uma comunidade.
Patrimônio cultural: lugares, construções, objetos, músicas, festas, conhecimentos e outras manifestações importantes para a história e a cultura de uma comunidade.
Relato oral: história contada por uma pessoa sobre aquilo que viveu, viu ou conheceu.
Fonte histórica: qualquer registro que ajuda a estudar o passado, como fotografias, jornais, documentos, objetos e relatos.
Condições de trabalho: situação em que as pessoas trabalham, incluindo horário, salário, segurança, alimentação e equipamentos.
Industrialização: processo de crescimento das indústrias e do uso de máquinas na produção.
Urbanização: crescimento das cidades e aumento da população que vive nelas.
Relações de trabalho: relações entre trabalhadores, empresas e instituições, envolvendo trabalho, salários, direitos e deveres.
Resistência: formas de enfrentar dificuldades, injustiças ou situações de exclusão. Na sequência, a união entre trabalhadores, a música e a preservação das memórias podem ser estudadas como formas de resistência.
Bibliografia e material de apoio:
Cultura vinda pelos trilhos: a herança cultural dos trabalhadores da Estrada de Ferro Central do Brasil em Três Rios/RJ – 1910–1930. Tese. https://www.bdtd.uerj.br:8443/handle/1/23775
Créditos das fotos: Arquivo Pessoal de Atayde Tavares (ex-ferroviário).
Créditos da imagem de capa: Arquivo Pessoal de Atayde Tavares (ex-ferroviário);