A XV Semana de História, da UERJ, irá se realizar entre os dias 11 e 14 de novembro de 2019 e contará com a presença de membros do LEHMT. Essa edição tem como tema “Mundos do Trabalho: desafios da realidade brasileira”.
Confira a programação:

A XV Semana de História, da UERJ, irá se realizar entre os dias 11 e 14 de novembro de 2019 e contará com a presença de membros do LEHMT. Essa edição tem como tema “Mundos do Trabalho: desafios da realidade brasileira”.
Confira a programação:

No final do século XIX, o militante católico e engenheiro Carlos Alberto de Menezes, carioca radicado em Recife, partiu para a Europa em uma viagem que marcaria sua vida. Sua tarefa era conhecer plantas das modernas indústrias têxteis europeias e comprar maquinário para a Fábrica de Tecidos de Camaragibe, que seria fundada em 1895 e que ele dirigiria até sua morte, em 1904. A viagem, contudo, serviu para que Menezes renovasse seu repertório de estratégias de ação católica. Na França, Menezes conheceu Léon Harmel, empresário que havia construído em Val-des-Bois um verdadeiro laboratório de ação social católica. Em sua fábrica de tecidos, Harmel criou uma corporação cristã, na qual operários e patrão tomavam conjuntamente decisões sobre o trabalho na fábrica e, especialmente, sobre a vida fora da fábrica. A corporação cristã francesa criou clubes de lazer, bandas de música, cooperativas de alimentação e, finalmente, deu origem um sindicato cristão para os operários. Tudo isso aconteceu no século XIX, antes mesmo da Igreja Católica assumir oficialmente a questão social, em 1891, com a publicação da encíclica Rerum Novarum.
Após conhecer essa experiência, Menezes voltou ao Brasil e, além de trazer consigo o maquinário para a Fábrica de Tecidos de Camaragibe, trouxe também um modelo de gestão da fábrica e dos operários baseado na corporação cristã de Léon Harmel. Menezes seguiu o modelo e criou sua própria corporação cristã, a Corporação Operária de Camaragibe. Contudo, foi além ao transformar sua militância católica em um projeto ampliado, que fez surgir a Federação Operária Cristã, influente também fora de Pernambuco, e em atuar politicamente pela causa operária pautado pelos princípios católicos da ação social. Transformou-se rapidamente em um dos católicos militantes mais influentes de sua época, sendo o organizador o 1º Congresso Católico Brasileiro, realizado em Salvador, em 1900. Além disso, foi o propositor da primeira lei sindical brasileira, que seria aprovada após sua morte, o Decreto-Lei 1.637, de 1907.
O artigo analisa as interações entre Menezes e Harmel e suas implicações para a ação social católica no Brasil, na virada do século XIX para ao século XX. É uma história de conexão transnacional entre militantes católicos que resultou na adaptação no Brasil de um modelo de paternalismo cristão, mas também de ação social católica.
O artigo A corporação cristã em perspectiva transnacional: interações e transferências entre as organizações católicas para trabalhadores de Camaragibe (Brasil) e Val-des-Bois (França) foi publicado na Revista Mundos do Trabalho, volume 11, de 2019.
O autor, Deivison Amaral, é doutor em História Social pela Unicamp e professor da PUC-Rio.
Link para o artigo:
https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/article/view/1984-9222.2019.e67231/41044

Imagem de capa: Vila Operária de Camaragibe no início do século XX – s/d – Acervo: Fundação Joaquim Nabuco.
Flavia Veras, pesquisadora do LEHMT, publicou recentemente o artigo Travestis e transexuais: A busca pela cidadania antes do fim do arco-íris no livro História Oral e Direito à Cidade: Paisagens urbanas, narrativas e memória social organizado pela professora da UFRJ, Andrea Casa Nova Maia.
O artigo articula a transfobia e a reprodução de desigualdades, que limitam o exercício da cidadania e o acesso aos equipamentos urbanos, ao mercado de trabalho e a dignidade para pessoas trans e travestis. Apesar dos recentes avanços legais no sentido de criar leis e condenar práticas que discriminem a população LGBT+, esse grupo social ainda sofre pesadas interdições que limitam mais que a participação política, também a vida social em sua plenitude. Travestis e transexuais, sobretudo dos setores mais subalternos da população, constituem a parcela mais vulnerável da população LGBT+ no Brasil. Os dados apresentados pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e pelo Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE), analisados no artigo, apontam os números impressionantes de assassinatos, inclusive com crueldade e tortura, de pessoas trans e travestis. A violência física e psicológica acompanha trajetórias de vidas marcadas pela exclusão em espaços estratégicos para sociabilidade humana: na família, na escola e por fim também no mercado de trabalho. Tal condição acarreta problemas econômicos e sociais que arrastam o grupo para atividades não formalizadas, aumentando sua vulnerabilidade e invisibilidade. Em um contexto que a categoria analítica de gênero vem sendo discutida no interior da academia e movimentos sociais reivindicam a incorporação efetiva das pautas LGBT+ nos amplos setores sociais e do Estado, temos também um movimento conservador crescente e muito resistente a essas demandas. Esse artigo discute tais questões inspirado pelo olhar e experiência da professora doutora e ativista Dani Balbi, “mulher trans, negra e da periferia”, que concorreu ao cargo de deputada estadual pelo Rio de Janeiro nas eleições de 2018 pelo PCdoB.
Link para pré-venda do livro: https://www.letraevoz.com.br/historia-oral/colecao-historia-oral-e-dimensoes-do-publico/historia-oral-e-direito-a-cidade-andrea-casa-nova-maia-pre-venda/
Vale Mais é um podcast do Laboratório de Estudos dos Mundos do Trabalho da UFRJ. O objetivo é discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da perspectiva da história social.
O episódio #03 é sobre os 100 anos da Organização Internacional do Trabalho, a OIT. Criada em 1919, após a Primeira Guerra Mundial e fazendo parte do acordo de Versalhes, a OIT tinha como objetivo padronizar e pacificar as relações de trabalho no mundo, de diferentes correntes.
A trajetória do órgão e a sua relação com o Brasil serão temas da nossa conversa com o historiador argentino e professor da Universidade Federal Fluminense, Norberto Ferreras.
Produção: Deivison Amaral, Heliene Nagasava, Paulo Fontes e Yasmin Getirana.
Roteiro: Heliene Nagasava e Paulo Fontes.
Com a colaboração de Isabelle Pires, Philip Mazza Guimarães, Renata Moraes, Thompson Alves, Yasmin Getirana.
Apresentação: Yasmin Getirana.
Créditos da Imagem: Delegados na plenária da 1ª sessão da OIT, 1919. Washington/EUA
Disponível em: https://www.ilo.org/dyn/photolib/en/f?p=600817:230:0::NO:RP,230:P230_SEARCH_TEXT:e9844
Acaba de ser lançado o número 20 da Revista Mundos do Trabalho que conta com o dossiê: “Trabalho doméstico: sujeitos, experiências e lutas”, organizado por Flavia Fernandes de Souza e Maciel Henrique Silva.
Nesta edição, Paulo Fontes e Yasmin Getirana, pesquisadores do LEHMT, em conjunto com Louisa Acciari e Tatiana de Oliveira Pinto, publicaram uma entrevista com Nair Jane de Castro Lima, liderança histórica das trabalhadoras domésticas do Rio de Janeiro.
Nascida no Maranhão, Nair Jane, uma mulher negra hoje com 87 anos, começou a trabalhar como doméstica ainda criança. Nos anos 1960 vinculou-se à Juventude Operária Católica (JOC) e tornou-se presidente da Associação Profissional das Empregadas Domésticas do Rio de Janeiro no início da década de 1970, participando de sua transformação em sindicato, do qual se tornaria a primeira presidenta em 1988, Participou ainda da formação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e foi uma das fundadoras da Confederação Latino-Americana e do Caribe das Trabalhadoras Domésticas em 1988 e do sindicato da categoria na Baixada Fluminense, onde atualmente ocupa o cargo de vice-diretora. Em 2003, recebeu o Prêmio Bertha Lutz, do Senado Federal, e em 2019 foi homenageada com o “Diploma Mulher-Cidadã Leolinda de Figueiredo Daltro”, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro.
Essa entrevista e o número completo da revista podem ser acessados em https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho
O Laboratório de Pesquisa em Conexões Atlânticas da PUC-Rio e o Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ promoverão a exibição e debate do documentário sul-africano Dying for gold (2018), dirigido por Richard Pakleppa e Catherine Meyburgh. O filme será exibido no dia 20 de setembro (sexta-feira), às 11h na Sala K102 (1o andar) do Edifício da Amizade na PUC-Rio.
Dying for gold aborda a situação da mineração aurífera na África Austral. O filme retrata uma epidemia de silicose e tuberculose que atingiu os mineiros como consequência das condições de trabalho nas minas. O documentário foi feito ao longo de três anos de pesquisa e filmagem na África do Sul, Moçambique, Lesoto e Suazilândia e justapõe histórias pessoais de mineiros e suas famílias com documentos arquivísticos compilados pelos cineastas.
Os mineiros e seus familiares conquistaram um acordo com as companhias mineradoras da região em 2018 por meio de uma ação coletiva. As empresas se comprometeram a pagar as indenizações nos próximos doze anos. A exibição deste documentário faz parte de uma campanha dos diretores do filme para pressionar as mineradoras a cumprirem o que foi acordado e para trazer à luz as condições de vida e de trabalho dos mineiros da região.
Para mais informações: http://www.dyingforgold.com/
A Ars Historica (A4), revista discente do Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ (PPGHIS), divulga a chamada de artigos para sua 19ª edição:
A segunda edição de 2019 da Ars Historica buscará divulgar estudos que contribuam para o debate sobre os conceitos e as práticas investigativas concernentes ao campo da história do trabalho e dos trabalhadores. Nesse sentido, a chamada para o dossiê temático visa abrir espaço para a publicação de discussões sobre as dinâmicas sociais e os processos históricos que envolvem as atividades produtivas e as relações de trabalho, bem como para a divulgação de diferentes abordagens, metodologias e perspectivas analíticas que são desenvolvidas no interior dessas temáticas.
Centradas nos trabalhadores, as pesquisas recentes têm abordado diversas categorias, como: os trabalhadores livres, libertos e escravizados, urbanos e rurais, assalariados e autônomos, formais e informais, entre outros. Assim, observa-se um processo de renovação da historiografia brasileira que problematiza o fato de que as pesquisas sobre o trabalho estiveram, por muito tempo, restritas, por um lado, à análise do sistema escravista e, por outro, ao estudo da força de trabalho assalariada, masculina, urbana, branca e fabril. As pesquisas relativas ao trabalho também são ricas quanto às fontes de informação e às abordagens de análise, em que o diálogo interdisciplinar se faz possível e, muitas vezes, necessário.
Assim, são bem-vindos artigos que abordem diferentes períodos e regiões e tratem de temas como: a cultura associativa; os aspectos de raça, gênero, sexualidade e questões etárias nas relações de trabalho; as táticas de resistência, enfrentamento e mobilização dos trabalhadores; as lutas por direitos sociais, trabalhistas e de acesso à cidade; as condições de trabalho; o cotidiano dos trabalhadores; a relação entre trabalhadores, patrões e poderes públicos; os debates que envolvem trabalho e direitos humanos; o sindicalismo e as formas de participação política dos trabalhadores; as relações sociais desenvolvidas entre os trabalhadores; as questões relativas ao trabalho doméstico; e os espaços de sociabilidade, articulação dos trabalhadores, entre outras possibilidades de estudo na área.
A Ars Historica é uma publicação online, com ISSN 2178-244X, de acesso livre e editada por alunos/as do Programa de Pós-graduação em História Social da UFRJ. Para mais informações sobre a publicação, consulte: http://www.ars.historia.ufrj.br/