Artigo Associativismos de trabalhadores favelados no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (1955-1964) – Samuel Oliveira

Associações de moradores, entidades recreativas, escolas de samba, grupos religiosos, entre outros compõe um complexo repertório das formas associativas nas favelas, atravessado por diferentes identidades de classe e projetos sociais e políticos. Entre 1954 e 1964, nas favelas do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte, organizaram-se “uniões”, “federações” ou “coligações” de trabalhadores favelados, articulando mais de uma localidade com objetivo de lutar pelo direito de moradia.

Os movimentos de trabalhadores favelados construíram uma gramática que politizava as injustiças sociais do processo de urbanização brasileiro e propuseram uma “reforma urbana” nas mobilizações pelas Reformas de Base no final dos anos 1950 e início de 1960. Contestavam um urbanismo que estigmatizava as favelas e viam esses espaços como transitório no tecido urbano-industrial. Lutavam pelo direito de moradia e urbanização de várias localidades.

Analisando esse movimento social, o artigo critica as interpretações clássicas do populismo no sistema político brasileiro. Construída a partir de um viés elitista, essa interpretação do passado considerou os moradores de favelas despreparados para o exercício da democracia e cultura urbana, por serem migrantes que tinham um comportamento político dos “sertões” e do interior do Brasil. Essa interprestação desconsiderou a complexa mediação entre as estratégias de ocupação do tecido urbano, a cultura popular e a expansão dos direitos políticos e civis no período de 1945 e 1964.

Associativismos de trabalhadores favelados no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (1955-1964), na revista Estudos Históricos v. 31, n. 65 (2018). Acessar: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/74943

Ilustração: O folheto Carta dos Direitos do Trabalhador Favelado foi distribuído entre os participantes do I Congresso dos Trabalhadores Favelados organizado em Belo Horizonte, em 1 de maio de 1962. Cf. ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO. Fundo DOPS. Arq. Pasta 0119.

LEHMT

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