Neste episódio de Livros de Classe, Ana Rodrigues, professora do Departamento de Sociologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresenta o livro “A integração do negro na sociedade de classes”, de Florestan Fernandes. A obra é fruto da tese de cátedra do autor, defendida em 1964 e publicada como livro no ano seguinte.
Livros de Classe
Os estudantes de graduação são desafiados constantemente a elaborar uma percepção analítica sobre os diversos campos da história. Nossa série Livros de Classe procura refletir justamente sobre esse processo de formação, trazendo obras que são emblemáticas para professores/as, pesquisadores/as e atores sociais ligados à história do trabalho. Em cada episódio, um/a especialista apresenta um livro de impacto em sua trajetória, assim como a importância da obra para a história social do trabalho. Em um formato dinâmico, com vídeos de curtíssima duração, procuramos conectar estudantes a pessoas que hoje são referências nos mais diversos temas, períodos e locais nos mundos do trabalho, construindo, junto com os convidados, um mosaico de clássicos do campo.
Durante o VIII Seminário Internacional Mundos do Trabalho, no dia 10 de outubro de 2024, foi lançado o livro Tem pano para manga: Histórias do trabalho têxtil no Brasil, publicado pela Paco Editorial e organizado por Felipe Ribeiro, Juçara Mello e Lucas Porto. O evento foi realizado em Florianópolis-SC na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
A obra reúne estudos acadêmicos, dedicados ao trabalho têxtil no Brasil, articulando trabalhadores e fábricas de tecidos, no intuito de apresentar um panorama mais abrangente da produção historiográfica sobre esse relevante setor industrial do país, particularmente no contexto pós Segunda Guerra Mundial.
Ressalta-se que, desde a obra clássica do brasilianista Stanley Stein – publicada originalmente em 1957 – não foi produzido um balanço mais denso sobre o trabalho têxtil no Brasil. Desse modo, o livro Tem pano para manga apresenta um instigante panorama sobre as pesquisas dedicadas a esta temática, contemplando diversas regiões do país a partir das experiências de trabalhadores e trabalhadoras em fábricas de tecidos, abordando aspectos como trabalho feminino, empresariado têxtil, paternalismo industrial, formas de organização e lutas da classe trabalhadora tecelã e processos de desindustrialização.
Com prefácio de José Sergio Leite Lopes e pareceres de Fabiane Popinigis, Paulo Keller, Maria Letícia Mazzucchi Ferreira e Felipe Loureiro, o livro reúne 10 artigos assinados por Anna Litwak, Eltern Vale, Alessandra Belo, Felipe Ribeiro, Daniela Tristan, Telma Bessa, Jormana Araújo, Caroline Matoso, Juçara Mello, Romerito Arcoverde, Lucas Porto e Cristina Ferreira, englobando principalmente estudos sobre fábricas e trabalhadores(as) no Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Juçara Mello, Romerito Arcoverde e Lucas Porto no lançamento do livro durante o VIII Seminário Internacional Mundos do Trabalho
Um dos coorganizadores da obra e autor do artigo intitulado Por uma historiografia social do trabalho têxtil no Brasil, Felipe Ribeiro é pesquisador do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho (LEHMT), assim como Romerito Arcoverde, autor do artigo Trabalho têxtil em Pernambuco sob o olhar de um historiador oriundo da classe trabalhadora: uma análise a partir da Fábrica Belga na cidade de Moreno-PE. Vale ressaltar que José Sérgio Leite Lopes em seu prefácio utiliza publicações do site do LEHMT na série Lugares de Memória dos Trabalhadores para dimensionar a efervescência de estudos sobre trabalho têxtil no país nas últimas décadas, que se reflete na coletânea de artigos reunidos na obra.
No dia 1º de novembro foi realizado outro lançamento da obra em Sobral-CE, durante a Semana de Recepção do Curso de História da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e, ao longo do mês de novembro, serão realizados mais dois eventos de lançamento do livro: um no dia 14/11, em Recife-PE, durante o XII Seminário do Laboratório História e Memória (LAHM) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); e outro no dia 29/11 em atividade do Departamento de História da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).
O livro Tem pano para manga: Histórias do trabalho têxtil no Brasil encontra-se disponível no site da editora Paco Editorial e de diversas livrarias, tanto na versão impressa, quanto em e-book.
Na décima quarta edição da série “Vale a Dica”, Larissa Farias, mestranda pelo PPGHIS/UFRJ e pesquisadora do LEHMT-UFRJ, indica “Orgulho e Esperança”, de Matthew Warchus. O filme narra a história real de solidariedade entre o grupo Lesbians and Gays Support the Miners (LGSM) e os mineiros britânicos durante a greve de 1984-1985. Destaca o impacto do apoio mútuo em um momento em que o governo de Margaret Thatcher ameaçava milhares de empregos e comunidades. Como destaca a historiadora, a greve foi além da luta por salários e melhores condições de trabalho, mas buscou preservar comunidades inteiras. Ao mesmo tempo, o LGSM expandiu o ativismo LGBT ao abordar questões de classe e inserir pautas LGBT na agenda trabalhista.
Projeto e execução: Alexandra Veras, Isabelle Pires, Larissa Farias, Victória Cunha e Yasmin Getirana Edição: Brenda Dias
Vale Mais #37: COSMOPOLITAS DO TERCEIRO MUNDO: Redes laborais, comunicação militante e culturas transnacionais de solidariedade entre Moçambique e o Brasil no final da Guerra Fria (1970-1980), por Julimar Mora –
Vale Mais
Está no ar mais um episódio do Vale Mais, o podcast do LEHMT-UFRJ.
Nesta temporada, continuamos convidando pesquisadoras e pesquisadores para discutir projetos, livros e teses recentes que aprofundam debates interdisciplinares sobre os mundos do trabalho.
Neste episódio, conversamos com Julimar Mora Silva, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), sobre sua tese "Cosmopolitas do Terceiro Mundo: Redes Laborais, Comunicação Militante e Culturas Transnacionais de Solidariedade entre Moçambique e o Brasil durante a Guerra Fria (1970-1980)", defendida em 2025. A tese recebeu o Premio Anual de Investigación en Estudios sobre África, da Universidad Nacional Autónoma de México e Menção Honrosa no Prêmio CAPES de Tese 2026. Entre outros tópicos, Julimar apresentou as interseções entre mobilidade laboral, internacionalismo proletário e dinâmicas pós-coloniais que mapeou em sua tese.
Entrevistadores: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Roteiro: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Produção: Ana Clara Tavares e Larissa Farias
Edição: Josemberg Araújo e Thompson Clímaco
Diretor da série: Thompson Clímaco
Coordenadora geral do Vale Mais: Larissa Farias
Claudiane Torres da Silva (Doutora em História e professora do Ensino Fundamental II da Secretaria Municipal do Rio de Janeiro e coordenadora da equipe de História do Pré Vestibular Cederj do Estado do Rio de Janeiro)
João Henrique de Oliveira Christovão (Doutor em História, professor da ree municipal de ensino da cidade do Rio de Janeiro e de Cabo Frio)
Luciana Pucu Wollmann (Doutora em História, professora da rede municipal de Niterói e estadual do Rio de Janeiro)
Matheus Lira da Silva, graduando em História (Licenciatura) pela Universidade Federal Fluminense
Apresentação da atividade
Segmento: 9º ano do Ensino Fundamental e 3º ano do Ensino Médio (regular e EJA)
Unidade temática: O nascimento da República no Brasil e os processos históricos até a metade do século XX/ Modernização, ditadura civil-militar e redemocratização: o Brasil após 1946.
Objetos de conhecimento: O período varguista e suas contradições; O Brasil da era JK e o ideal de uma nação moderna: a urbanização e seus desdobramentos em um país em transformação; A ditadura civil-militar e os processos de resistência; O processo de redemocratização.
Objetivos gerais: – Conhecer, de maneira lúdica, capítulos importantes da história da classe trabalhadora brasileira, da Era Vargas até a redemocratização do país após a ditadura, em 1985. – Estimular o conhecimento sobre a história dos/as trabalhadores/as do Brasil, possibilitando ao/a estudante que tenha acesso a informações nem sempre disponíveis em materiais didáticos voltados para o seu segmento; – Possibilitar o trabalho em equipe e o compartilhamento de conhecimentos e informações entre os/as estudantes.
Duração da atividade:
Aulas
Planejamento
01
Apresentação e organização
02 e 03
Jogo
Conhecimentos prévios: – Era Vargas (1930-1945) – Período nacional-desenvolvimentista (1945-1964) – Ditadura empresarial-militar (1964-1985) – Redemocratização do Brasil pós 1985
Atividade
Atividade e recursos:
Impressora
Etapa 1: Apresentação e organização
Etapa 2: Dividir a turma em equipes e apresentar o material do jogo para os alunos
Ler as regras junto com eles mostrando como as questões são organizadas. Estabelecer um tempo para que as equipes respondam às perguntas.
Etapa 2: Jogar
Após o jogo o professor pode propor ao grupo que faça uma reflexão sobre as questões com que eles se depararam para saber qual o nível de dificuldades que eles atribuem às questões, além de buscar saber se a percepção deles com relação aos trabalhadores e suas lutas mudou a partir do que eles passaram a conhecer.
Regras do jogo Cidade Operária
Número de participantes: de 3 a 6 participantes individuais ou de 3 a 6 equipes de até 5 jogadores.
Cada jogador ou equipe escolhe uma peça que irá representá-lo no jogo. A ordem dos jogadores será definida pela sorte no dado, sendo o primeiro aquele que tirar o maior número e assim sucessivamente.
O jogo se inicia com o primeiro jogador jogando o dado e respondendo a questão que lhe venha a ser atribuída.
A cada resposta correta o jogador acumula o número de pontos estabelecido na carta em que estava a sua pergunta. Caso o jogador não acerte ele não somará pontos.
O objetivo do jogo não é chegar primeiro ao fim da trilha do tabuleiro. O objetivo é somar o maior número de pontos. Ganha quem, ao final da partida tiver acertado o maior número de questões e obtido o maior número de pontos. Cada carta vale 3 pontos.
Assim, o jogo pode ser jogado em duas modalidades de duração da partida.
1. O jogo pode ser jogado até que um dos participantes chegue ao final. Sendo que o vencedor não será o que chegar primeiro ao fim, mas aquele que somar mais pontos. 2. Ou o jogo poderá ser jogado até que um dos participantes/grupo alcance um determinado número de pontos estabelecido previamente e, assim, consiga se sagrar vencedor.
PEREIRA, Walter Luiz Carneiro de Mattos. Cabo das tormentas e vagas da modernidade: uma história da Companhia Nacional de Álcalis e de seus trabalhadores. Cabo Frio (1943 – 1964) Arraial do Cabo. 2009. https://app.uff.br/riuff;/handle/1/26823 acessado em 28 de outubro de 2024.
Nos últimos anos, novos estudos acadêmicos têm ampliado significativamente o escopo e interesses da História Social do Trabalho. De um lado, temas clássicos desse campo de estudos como sindicatos, greves e a relação dos trabalhadores com a política e o Estado ganharam novos olhares e perspectivas. De outro, os novos estudos alargaram as temáticas, a cronologia e a geografia da história do trabalho, incorporando questões de gênero, raça, trabalho não remunerado, trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e até mesmo desempregados no centro da análise e discussão sobre a trajetória dos mundos do trabalho no Brasil. Esses avanços de pesquisa, no entanto, raramente têm sido incorporados aos livros didáticos e à rotina das professoras e professores em sala de aula. A proposta da seção Chão de Escola é justamente aproximar as pesquisas acadêmicas do campo da história social do trabalho com as práticas e discussões do ensino de História. A cada nova edição, publicaremos uma proposta de atividade didática tendo como eixo norteador algum tema relacionado às novas pesquisas da História Social do Trabalho para ser desenvolvida com estudantes da educação básica. Junto a cada atividade, indicaremos textos, vídeos, imagens e links que aprofundem o tema e auxiliem ao docente a programar a sua aula. Além disso, a seção trará divulgação de artigos, entrevistas, teses e outros materiais que dialoguem com o ensino de história e mundos do trabalho.
A seção Chão de Escola é coordenada por Claudiane Torres da Silva, Felipe Ribeiro, Flávia Veras, João Christovão, Juliana Pereira, Luciana Pucu Wollmann do Amaral, Romerito Arcoverde e Samuel Oliveira.
Livros de Classe é uma série mensal do portal do LEHMT-UFRJ, na qual um especialista fala sobre um livro importante para a história dos mundos do trabalho e para a sua formação, em um vídeo de curta duração.
Neste episódio, David Lacerda, professor do departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), apresenta “A ressaca da marujada: recrutamento e disciplina na Armada Imperial”, de Álvaro Nascimento. Fruto da dissertação de mestrado do autor, a obra aborda os antecedentes da Revolta da Chibata, demonstrando que as mobilizações de marujos eram constantes desde o período imperial.
Livros de Classe
Os estudantes de graduação são desafiados constantemente a elaborar uma percepção analítica sobre os diversos campos da história. Nossa série Livros de Classe procura refletir justamente sobre esse processo de formação, trazendo obras que são emblemáticas para professores/as, pesquisadores/as e atores sociais ligados à história do trabalho. Em cada episódio, um/a especialista apresenta um livro de impacto em sua trajetória, assim como a importância da obra para a história social do trabalho. Em um formato dinâmico, com vídeos de curtíssima duração, procuramos conectar estudantes a pessoas que hoje são referências nos mais diversos temas, períodos e locais nos mundos do trabalho, construindo, junto com os convidados, um mosaico de clássicos do campo.
Patrine Pereira Oliveira (licenciada em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) e atua como Coordenadora Pedagógica no Rio de Janeiro)
Apresentação da atividade
Segmento: Ensino Médio
Unidade temática: Condições de vida dos trabalhadores rurais, assistência social, intervencionismo estatal no Estado Novo.
Objetos de conhecimento: – A obra de Vasconcelos Torres no estudo do desenvolvimento social dos trabalhadores da agroindústria no campo; – Utilização de Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) aplicadas ao Ensino de História. – A condição de vida dos trabalhadores rurais em regiões canavieiras, com ênfase na região fluminense.
Objetivos gerais: – Pesquisar a biografia de João Batista de Vasconcelos Torres e Francisco José de Oliveira Viana, de modo a contextualizá-los em seu tempo e destacar as atuações políticas no I Governo Vargas junto aos trabalhadores. – Ler e interpretar os principais pontos de discussão na obra de Vasconcelos Torres a respeito das condições de alimentação e salários do trabalhador rural fluminense; – Articular e problematizar fontes documentais no contexto do trabalhismo. – Desenvolver uma perspectiva crítica acerca do comunismo como ideologia no 1º Governo Vargas.
Habilidades a serem desenvolvidas (de acordo com a BNCC):
(EM13CHS101) Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais. (EM13CHS103) Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de natureza qualitativa e quantitativa (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos, gráficos, mapas, tabelas etc). (EM13CHS401) Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos e classes sociais diante das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços e contextos. (EM13CHS402) Analisar e comparar indicadores de emprego, trabalho e renda em diferentes espaços, escalas e tempos, associando-os a processo de estratificação e desigualdade socioeconômica; (EM13CHS602) Identificar, caracterizar e relacionar a presença do paternalismo, do autoritarismo e do populismo na política, na sociedade e nas culturas brasileira e latino-americana, em períodos ditatoriais e democráticos, com as formas de organização e de articulação das sociedades em defesa da autonomia, da liberdade, do diálogo e da promoção da cidadania;
Duração da atividade:
Aulas
Planejamento
01
Etapa 01
02
Etapa 02
03 e 04
Etapa 03 e 4
Conhecimentos prévios: – O processo de racionalização das forças de trabalho na agroindústria canavieira como um setor produtivo em transformação; A modernização produtiva, o conceito de agroindústria e as transformações nos mundos do trabalho. – O processo de modernização e investimento na produção interna que serviu como estratégia para recuperação da economia brasileira pós crise de 1929; O 1º Governo Vargas (1930-1945): A política econômica no campo e na cidade. – Intensificação da intervenção estatal como forma de regular a economia e mediar conflitos de interesses entre industriais e setores de produção rural; 1º Governo Vargas (1930-1945): Conceitos de populismo, trabalhismo e corporativismo estatal.
Atividade
Atividade e recursos:
Levantar a biografia de João Batista de Vasconcelos Torres e Francisco José de Oliveira Viana e suas respectivas atuações durante o Estado Novo;
Leitura e interpretação dos trechos selecionados do prefácio da obra de Torres encontrados nas páginas: XIV a XVI;
Ler os trechos selecionados nas páginas 33, 39 e 103;
Recursos físicos: Quadro, papel e caneta;
Recursos digitais: Computadores que permitam o acesso ao site CPDOC- FGV, Hemeroteca digital e Arquive Internet;
Etapa 1
Vasconcelos Torres conduziu uma pesquisa em 5 estados do Brasil: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Sergipe, visitou 47 usinas e entrevistou mais de 400 famílias camponesas. A principal fonte que conduziu a pesquisa, foram os relatos orais dos trabalhadores e proprietários. Seu trabalho aponta para o argumento que o padrão de vida da classe agrária era ínfimo e que o desejo do trabalhador rural era criar condições de vida equiparadas às condições do trabalhador urbano. Outrossim, discorre sobre a necessidade de uma justa distribuição de terras aos trabalhadores para cultivo racional e fixação de um regime cooperativista como incentivo à produção. Além desses aspectos, é necessário destacar que a obra foi editada pelo Instituto do Açúcar e Álcool. Nela, são apresentados: dados, imagens e índices como resultados de sua pesquisa que mapeiam as questões em torno da necessária assistência social. No prefácio da obra, escrito por Oliveira Vianna, é destacado que a política de melhoria de condições de vida seria finalmente viabilizada com o impulso da revolução de 30 e que o problema social do Brasil seria resolvido salvo de qualquer eiva comunista ou extremista. Para ele, a condição de vida do trabalhador canavieiro é o problema mais árduo e complexo a ser enfrentado naquele contexto e que a razão do êxodo não diz somente respeito ao direito à terra, mas principalmente à produtividade. Nessa perspectiva, a sequência didática a seguir apresenta como principal intuito a ampliação da capacidade analítica do estudante em interpretar o contexto político e econômico e correlacionar com os impactos nas estruturas sociais das classes trabalhadoras urbanas e rurais.
Na primeira aula, contextualizar o período de crise de 1929 e o I Governo Vargas, a reorganização do Estado e a intensificação da intervenção na economia, política e questões sociais. A referência base para o professor estará na leitura da primeira parte do artigo do professor e economista Wilson Cano: “Crise e industrialização no Brasil entre 1929 e 1954: a reconstrução do Estado Nacional e a política nacional de desenvolvimento”. https://doi.org/10.1590/0101-31572015v35n03a04
A seguir, direcione os estudantes à leitura e sintetização da biografia de João Batista de Vasconcelos Torres e Franciso José de Oliveira Viana disponíveis para consulta em busca simples no dicionário histórico-biográfico do CPDOC- FGV: João Batista de Vasconcelos Torres e Francisco José de Oliveira Viana de modo a contextualizá-los temporalmente e espacialmente com o intuito de compreender suas ocupações na política de governo do Estado Novo.
Etapa 2
Leitura dos excertos selecionados, localizados nas páginas XIII a XVI do Prefácio da obra de Torres: Condições de vida do Trabalhador na Agroindústria do Açúcar
Página XIII
Página XIV
Página XV
Página XVI
Com base nos trechos selecionados, responder, com base nas concepções do pensador político:
Qual aspecto ideológico/político é apresentado como inviável na resolução dos problemas sociais do campo?
Quais são os dois problemas preliminares da vida rural?
Quais doenças são apresentadas como entraves ao progresso do homem rural?
Por que a modernização da produção traria uma nova dignidade ao trabalhador do campo?
Etapa 3
Leitura e interpretação dos trechos selecionados nas páginas 33, 39 e 103 para responder às questões propostas e debater os resultados em grupo.
Página 33 – 2º parágrafo
Página 39 – 2º parágrafo
Página 103
Com base na leitura dos trechos do prefácio da obra de Torres, responder às seguintes questões de modo a suscitar um debate coletivo:
Na concepção de Torres, quais aspectos impediam a classe agrária de atingir um grau de civilidade?
O autor compara o trabalhador rural com o industrial em quais aspectos?
Por que o senhor de engenho teve que se adaptar com a introdução do trabalho livre?
Etapa 4
1) Ler o artigo da Revista Brasil Açucareiro e identificar quais eram os principais alimentos que compunham a alimentação do trabalhador na indústria açucareira fluminense. 2) Analisar o gráfico que indica os salários médios rurais e industriais por usina no Estado do Rio. Apontando em quais municípios do Estado esses salários estavam relativamente equiparados e em quais municípios a diferença era discrepante.
CANO, Wilson. Crise e industrialização no Brasil entre 1929 e 1954: a reconstrução do Estado Nacional e a política nacional de desenvolvimento. Revista de economia política, v. 35, nº3, pp. 444-460, julho-setembro 2015.
LINHARES, Maria Yedda; SILVA, Francisco Carlos Teixeira. Terra prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro: Campus. 1999.
SZMRECSÁNYI,Tamás. O planejamento da agroindústria canavieira do Brasil (1930-1975). São Paulo: HUCITEC/Universidade Estadual de Campinas. 1979.
TORRES, Vasconcelos. Condições de Vida do Trabalhador na Agroindústria do Açúcar. Rio de Janeiro. Instituto do Açúcar e do Álcool. 1945.
WELCH, Clifford Andrew. Vargas e a reorganização da vida rural no Brasil (1930-1945). Revista Brasileira de História. Volume 36, nº 71. p. 81-105.2016.
Créditos da imagem de capa: Cortadores de cana: fotografia retirada em pesquisa de campo sobre alimentação dos trabalhadores rurais de Minas Gerais. Referência: TORRES, Vasconcelos. Condições de Vida do Trabalhador na Agroindústria do Açúcar. Rio de Janeiro. Instituto do Açúcar e do Álcool. p 151.1945.
Chão de Escola
Nos últimos anos, novos estudos acadêmicos têm ampliado significativamente o escopo e interesses da História Social do Trabalho. De um lado, temas clássicos desse campo de estudos como sindicatos, greves e a relação dos trabalhadores com a política e o Estado ganharam novos olhares e perspectivas. De outro, os novos estudos alargaram as temáticas, a cronologia e a geografia da história do trabalho, incorporando questões de gênero, raça, trabalho não remunerado, trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e até mesmo desempregados no centro da análise e discussão sobre a trajetória dos mundos do trabalho no Brasil. Esses avanços de pesquisa, no entanto, raramente têm sido incorporados aos livros didáticos e à rotina das professoras e professores em sala de aula. A proposta da seção Chão de Escola é justamente aproximar as pesquisas acadêmicas do campo da história social do trabalho com as práticas e discussões do ensino de História. A cada nova edição, publicaremos uma proposta de atividade didática tendo como eixo norteador algum tema relacionado às novas pesquisas da História Social do Trabalho para ser desenvolvida com estudantes da educação básica. Junto a cada atividade, indicaremos textos, vídeos, imagens e links que aprofundem o tema e auxiliem ao docente a programar a sua aula. Além disso, a seção trará divulgação de artigos, entrevistas, teses e outros materiais que dialoguem com o ensino de história e mundos do trabalho.
A seção Chão de Escola é coordenada por Claudiane Torres da Silva, Felipe Ribeiro, Flávia Veras, João Christovão, Juliana Pereira, Luciana Pucu Wollmann do Amaral, Romerito Arcoverde e Samuel Oliveira.
No dia 10 de outubro, durante o VIII Seminário Internacional Mundos do Trabalho, será o lançado o livro “Lugares de Memória dos Trabalhadores”. Publicado pela Editora Alameda em parceria com a Fundação Perseu Abramo e apoio do PPGHIS/UFRJ, a obra é organizada por Paulo Fontes, professor do Instituto de História da UFRJ, e reúne 100 artigos curtos escritos por renomados/as especialistas.
As marcas das experiências dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros estão espalhadas por inúmeros lugares da cidade e do campo. Muitos desses locais não mais existem, outros estão esquecidos, pouquíssimos são celebrados. Na batalha de memórias, os mundos do trabalho e seus lugares também são negligenciados. Baseado na série de mesmo nome do portal lehmt.org, esse livro procura justamente dar visibilidade para essa geografia social, ao estimular uma reflexão sobre os espaços onde vivemos e como sua história e memória são tratadas. Os textos contam a história de lugares de atuação política e social, de lazer, de protestos, de repressão, de rituais e de criação de sociabilidades. Espaços que demarcaram a história do Brasil.
Autores/as presentes no lançamento:
Henrique Espada Lima Anderson Vieira Moura Beatriz Mamigonian Fernando Pureza Renata Moraes Paulo Pinheiro Machado Clarice Speranza Felipe Azevedo Silvana Andrade Frederico Bartz Felipe Ribeiro Isabelle Pires David Lacerda Roberio Souza César Augusto Queirós Thompson Clímaco
Bruno Sousa Lima Mestre em História pela Universidade de Brasília (UnB)
Distante 17 quilômetros de Recife, Jaboatão está localizado na região metropolitana da capital pernambucana, entre a zona da mata e o litoral. Durante décadas, a principal característica da cidade foi a de ser um dos maiores centros ferroviários do país, abrigando as linhas, estações, prédios administrativos e as oficinas de conserto de trens da Great Western of Brazil (GWB).
Os destinos da cidade e da empresa inglesa começaram a se entrelaçar em 1901, quando a GWB arrendou a Estrada de Ferro Central de Pernambuco, responsável pela construção do primeiro trecho de via férrea que ligava Recife a Jaboatão, inaugurado em março de 1885. Em 1910, a direção da GWB decidiu transferir as oficinas de Palmares para Jaboatão e a cidade passou a contar com o maior parque de consertos ferroviários do nordeste brasileiro.
A chegada das oficinas aumentou a população e alterou a dinâmica socioeconômica da região. Milhares de postos de trabalho foram criados, uma vila operária foi erguida e obras de infraestrutura viária transformaram a paisagem local. Por volta de 1935, cerca de 600 operários trabalhavam nas instalações como carpinteiros, pintores, serralheiros, torneiros, montadores e outras funções necessárias para manutenção de locomotivas, carros e vagões. Na década de 1960, a quantidade de operários trabalhando nas oficinas aumentou para cerca de 1.500.
Além disso, mais de 1.000 empregados da GWB moravam no entorno das oficinas, alguns deles na Vila Operária de Cascata, construída pela empresa para abrigar as famílias dos trabalhadores da estrada de ferro que chegavam do interior. Os aspectos culturais do cotidiano também foram alterados. Todos os dias de manhã, as sirenes das oficinas apitavam convocando os empregados ao início do expediente, despertando não somente os operários que precisavam bater o ponto, mas também aqueles que moravam nas proximidades, regulando o horário de parte da cidade.
Desde a chegada das oficinas em Jaboatão, a cidade se tornou local de grande concentração de trabalhadores e foco de agitações políticas.
Os ferroviários da Great Western contavam com um sindicato bastante combativo e atuante, que promovia greves com relativa frequência. Os trabalhadores também criaram uma sociedade beneficente dedicada ao pagamento de auxílios e benefícios relacionados à segurança social e à saúde. Com uma intensa vida comunitária, os empregados da GWB ainda tinham uma Sociedade Musical Operária e um clube chamado Associação Atlética Great Western. Fundado em 1928, o time chegou a disputar a primeira divisão do campeonato pernambucano de futebol em 1936. Com o passar dos anos, a agremiação mudou o nome para Ferroviário Esporte Clube do Recife e em 1955 se tornou o Clube Ferroviário do Recife, que existe até os dias de hoje.
Nos anos 1930, o Partido Comunista do Brasil (PCB) ganhou importante apoio entre os ferroviários. Não por acaso, o epicentro da Insurreição Comunista de 1935 em Pernambuco se deu em Jaboatão. Uma greve iniciada pelos operários que trabalhavam nas oficinas no início de novembro daquele ano animou os comunistas, que há tempos vinham articulando uma revolta em nível nacional.
Quando a revolta eclodiu em Pernambuco, com o levante do 29º Batalhão de Caçadores, parte dos ferroviários aderiu ao movimento, principalmente aqueles que trabalhavam no parque de consertos. A sede do sindicato dos trabalhadores, localizada na plataforma de trens de Jaboatão e próxima às oficinas, se tornou ponto de apoio dos insurgentes e depósito para armas e munição trazidas das unidades militares sublevadas para serem distribuídas aos entusiastas das causas revolucionárias. O tráfego de trens foi paralisado, veículos da companhia foram colocados à disposição dos rebeldes e funcionários que não aderiram ao movimento foram perseguidos.
Logo após a insurreição ser controlada, tanto o sindicato como a sociedade beneficente deixaram de ser reconhecidos pelo Estado como entidades de representação da categoria e terminaram sendo dissolvidas. Os ferroviários apontados como participantes da revolta foram presos e condenados e presos no Presídio Agrícola de Fernando de Noronha. Após cumprirem a pena, alguns desses trabalhadores desistiram da militância e cortaram totalmente seus laços com o PCB. Outros, no entanto, retomaram as atividades político-partidárias, sendo, inclusive, vigiados pelas forças policiais até o golpe civil-militar de1964, quando uma nova onda repressiva atingiu Jaboatão.
Na década de 1940, os galpões passaram por reformas e as oficinas foram ampliadas, ocupando uma área de 42.227 m². Contudo, em 1948, diante de uma forte crise financeira agravada pela Segunda Guerra Mundial, a GWB antecipou o término da concessão e entregou suas operações para a recém-criada estatal Rede Ferroviária do Nordeste. Em 1957, nova mudança: toda a malha ferroviária brasileira passou a ser de responsabilidade da Rede Ferroviária Federal S.A (RFFSA), que passou também a administrar o espólio da GWB.
Com a extinção da RFFSA, em 2007, grande parte das antigas instalações da estrada de ferro inglesa foi abandonada. Atualmente, os passageiros do metrô que descem na estação Jaboatão podem ver parte do que sobrou da antiga estrutura construída pela GWB no início do século XX. É que a moderna estação de metrô está localizada justamente onde antigamente ficavam as oficinas ferroviárias da Great Western e a estação ferroviária, que ainda permanecem em ruínas.
Fac-símile do jornal Folha do Povo (Recife) noticiando a greve dos ferroviários de Jaboatão em novembro de 1935. Folha do Povo, 11 de novembro de 1935.
Para saber mais:
LIMA, Bruno Sousa. Jaboatão sublevado: a participação dos ferroviários da Great Western na insurreição comunista de 1935. Dissertação (Mestrado em História). Universidade de Brasília. Distrito Federal. 2023.
MUSEU DA PESSOA. Um trem de histórias: registro e disseminação dos saberes e ofícios da Rede Ferroviária do Nordeste – Módulo Pernambuco (5 vols.). Recife: IPHAN, 2010.
PROCHNOW, Lucas Neves. O Iphan e o patrimônio ferroviário: a memória ferroviária como instrumento de preservação. 177 f. Dissertação (Mestrado Profissional em Preservação do Patrimônio Cultural) – IPHAN, Rio de Janeiro, 2014.
SIQUEIRA, Tagore Villarim de. As primeiras ferrovias do nordeste brasileiro: processo de implantação e o caso da Great Western Railway. In Revista do BNDES, Rio de Ja-
neiro, V. 9, no 17, p. 169-220, jun. 2002.
VIANNA, Marly de Almeida Gomes. Revolucionários de 1935: sonho e realidade. São Paulo: Expressão Popular, 2007.
Crédito da imagem de capa: Vista área dado complexo Ferroviário de Jaboatão nos anos 1960. Acervo Luiz Ruben Ferreira de Alcântara Bonfim.
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Lugares de Memória dos Trabalhadores
As marcas das experiências dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros estão espalhadas por inúmeros lugares da cidade e do campo. Muitos desses locais não mais existem, outros estão esquecidos, pouquíssimos são celebrados. Na batalha de memórias, os mundos do trabalho e seus lugares também são negligenciados. Nossa série Lugares de Memória dos Trabalhadores procura justamente dar visibilidade para essa “geografia social do trabalho” procurando estimular uma reflexão sobre os espaços onde vivemos e como sua história e memória são tratadas. Semanalmente, um pequeno artigo com imagens, escrito por um(a) especialista, fará uma “biografia” de espaços relevantes da história dos trabalhadores de todo o Brasil. Nossa perspectiva é ampla. São lugares de atuação política e social, de lazer, de protestos, de repressão, de rituais e de criação de sociabilidades. Estátuas, praças, ruas, cemitérios, locais de trabalho, agências estatais, sedes de organizações, entre muitos outros. Todos eles, espaços que rotineiramente ou em alguns poucos episódios marcaram a história dos trabalhadores no Brasil, em alguma região ou mesmo em uma pequena comunidade.
A seção Lugares de Memória dos Trabalhadores é coordenada por Paulo Fontes.
Na décima terceira edição da série “Vale a Dica”, Victória Cunha, mestranda em História Social pelo PPGHIS/UFRJ e pesquisadora do LEHMT/UFRJ, indica o documentário “2 de Julho: a Retomada”, dirigido por Spency Pimentel e Joana Moncau. O filme narra a jornada do líder camponês baiano Joelson Ferreira em uma produção sobre o bicentenário da independência do Brasil, explorando a luta dos povos negros e indígenas contra o domínio português. A produção revela como esses grupos, muitas vezes ignorados pela memória oficial, desempenharam papéis cruciais na independência. Joelson Ferreira, uma figura central do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na Bahia, viaja por locais históricos para relembrar e discutir essas contribuições. A discussão destaca a necessidade de reavaliar a história para reconhecer o papel dos trabalhadores e movimentos populares na independência do Brasil. Para uma análise mais aprofundada do assunto, o Vale a Dica recomenta também o canal de Youtube Labuta do LEHMT/UFRJ, onde a série “Mundos do Trabalho e Independência” explora a relação entre trabalhadores e a Independência do Brasil.
Projeto e execução: Alexandra Veras, Isabelle Pires, Larissa Farias, Victória Cunha e Yasmin Getirana Edição: Brenda Dias
Vale Mais #37: COSMOPOLITAS DO TERCEIRO MUNDO: Redes laborais, comunicação militante e culturas transnacionais de solidariedade entre Moçambique e o Brasil no final da Guerra Fria (1970-1980), por Julimar Mora –
Vale Mais
Está no ar mais um episódio do Vale Mais, o podcast do LEHMT-UFRJ.
Nesta temporada, continuamos convidando pesquisadoras e pesquisadores para discutir projetos, livros e teses recentes que aprofundam debates interdisciplinares sobre os mundos do trabalho.
Neste episódio, conversamos com Julimar Mora Silva, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), sobre sua tese "Cosmopolitas do Terceiro Mundo: Redes Laborais, Comunicação Militante e Culturas Transnacionais de Solidariedade entre Moçambique e o Brasil durante a Guerra Fria (1970-1980)", defendida em 2025. A tese recebeu o Premio Anual de Investigación en Estudios sobre África, da Universidad Nacional Autónoma de México e Menção Honrosa no Prêmio CAPES de Tese 2026. Entre outros tópicos, Julimar apresentou as interseções entre mobilidade laboral, internacionalismo proletário e dinâmicas pós-coloniais que mapeou em sua tese.
Entrevistadores: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Roteiro: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Produção: Ana Clara Tavares e Larissa Farias
Edição: Josemberg Araújo e Thompson Clímaco
Diretor da série: Thompson Clímaco
Coordenadora geral do Vale Mais: Larissa Farias
No dia 10 de outubro, durante o GT Mundos do Trabalho na UFSC, será o lançado o livro “Na casa e na causa: A organização sindical das trabalhadoras domésticas (Rio de Janeiro, 1961-1973)”. Vencedor do prêmio Ana Lugão Rios, de melhor dissertação do PPGHIS/UFRJ em 2023, o livro de Yasmin Getirana aborda as complexidades das relações e articulações políticas e sindicais do período da Ditadura Civil-Militar a partir da trajetória da Associação Profissional de Empregadas Domésticas do Rio de Janeiro (APED-RJ). A pesquisa que deu origem ao livro se baseou em fontes diversas, como entrevistas, jornais da grande imprensa, acervos particulares de militantes, documentos da polícia política e documentos sindicais, bem como leis e projetos de lei.
A diversidade documental ajudou a detalhar com riqueza o cenário político e social dos anos de 1960 e 1970, quando a organização sindical de trabalhadoras domésticas se proliferou no país. Entre os marcos legais da categoria, a lei 5.859/72, geralmente entendida como pouco efetiva, ganha uma nova conotação quando analisamos a lei a partir das intensas negociações ocorridas ao longo da década de 1960 entre diferentes atores políticos e movimentos sociais e sindicais. Ao mesmo tempo, a partir do uso da História Oral, veremos como as trajetórias de vida de cinco trabalhadoras domésticas militantes no Rio de Janeiro foram impactadas e ressignificadas por suas experiências enquanto participantes da APED-RJ.
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