A Revista Ars Histórica, do corpo discente do programa de pós-graduação em História Social da UFRJ, acaba de publicar seu número 19 com um dossiê intitulado “História do Trabalho e trabalhadores: dimensões políticas, econômicas e sociais”. Isabelle Pires e Yasmin Getirana, pesquisadoras do LEHMT, fazem parte do conselho editorial da revista.O dossiê conta com apresentação de Paulo Fontes, professor do IH-UFRJ e coordenador do LEHMT.Os artigos do dossiê tratam de uma variedade de temas e contextos: trabalhadores/as entre o controle, a repressão, a vigilância e o duro cotidiano de trabalho no período da ditadura militar; os processos de construção de gênero entre as operárias de um estabelecimento industrial no Sul do país; o trabalho escravo abordado sob a perspectiva de suas especialidades e “qualificações”; o clássico tema da relação entre os trabalhadores e as lideranças políticas reatualizado para o contexto local da cidade do Rio de Janeiro nos anos 1930; dentre outras temáticas. A qualidade das pesquisas, a diversidade dos temas e a pluralidade de abordagens são mais uma demonstração da vitalidade e do potencial da historiografia do trabalho brasileiro neste momento tão decisivo de nossa história.
Autor: LEHMT
Artigo ‘O testemunho audiovisual e imaginário da cultura negra’ – Samuel Oliveira
Samuel Silva Rodrigues de Oliveira, membro do LEHMT, e Roberto Carlos da Silva Borges, ambos professores do CEFET-RJ, publicaram o artigo “O testemunho Visual e imaginário da cultura negra” no livro Alteridade em Tempos de Incerteza: escutas sensíveis organizado por Miriam Hermeto, Gabriel Amato, Carolina Delamore da editora Letra e Voz. O livro foi publicado no final de 2019.
O artigo é um dos resultados de pesquisa coordenada pelos autores sobre a história e memória do cinema negro no Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico-Raciais do CEFET-RJ. É também parte de um esforço mais geral de vários campos historiográficos, entre os quais a história social do trabalho, da escravidão e do pós-abolição em produzir conteúdos para um público amplo. Na área do audiovisual, os historiadores estabeleceram diálogos com outros atores, redefiniram a recepção de suas narrativas, ao criarem estratégias de produção e distribuição, e disputaram perspectivas de olhar o passado com outros agentes sociais que também produziram documentários.
O artigo em questão analisa e apresenta a mostra de documentários sobre a cultura negra produzidos por historiadores, antropólogos, cineastas e pela televisão pública brasileira.
Link para venda do livro: https://www.letraevoz.com.br/produtos/alteridades-em-tempos-de-incerteza-escutas-sensiveis-miriam-hermeto-gabriel-amato-e-carolina-dellamore/
Labuta #10 O que é história social do trabalho? – Entrevista com Antonio Luigi Negro
Antonio Luigi Negro é Professor Titular da Universidade Federal da Bahia, onde leciona desde 2002. Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense (1989), mestrado em História Social (1995) e doutorado em História Social (2001), ambos pela Universidade Estadual de Campinas. Foi Editor da Revista Brasileira de História de 2015 a 2017. Publicou, entre outros livros, Linhas de Montagem: o Industrialismo Nacional-Desenvolvimentista e a Sindicalização dos Trabalhadores (Boitempo, 2004), As Peculiaridades dos Ingleses e Outros Artigos (com Sergio Silva, Editora da Unicamp, 2001), e Na luta por direitos (com Paulo Fontes, Hélio da Costa e Fernando Teixeira da Silva, Editora da Unicamp, 1999).
Direção, Roteiro e Produção: Deivison Amaral, Heliene Nagasava e Paulo Fontes.
Ano de produção: 2020
Duração: 13’23’’
Labuta é um canal de vídeos do LEHMT sobre história, trabalho e sociedade.
A série “O que é história social do trabalho?” inaugura o Labuta. Durante o ano de 2019, publicaremos a série, que tem por objetivo apresentar o campo de estudos da história social do trabalho a partir de entrevistas com especialistas.
www.lehmt.org
Produção do LEHMT – Laboratório de Estudos da História dos Mundos do Trabalho da UFRJ
Livro “História escrita, história vivida” reúne debates sobre memórias, movimentos sociais e formas de repressão na ditadura militar
Ao final do ano de 2019, foi lançado o livro História escrita, história vivida: movimentos sociais, memória e repressão política na ditadura militar brasileira. Publicada pela editora Lamparina, a obra reúne pesquisadores e pesquisadoras que estudam sobre a ditadura militar no estado do Rio de Janeiro.
A coletânea, organizada pelos professores Jean Rodrigues Sales, Luís Edmundo Moraes, Marcos Bretas e Abner Sótenos, teve origem em um projeto de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), por meio do edital de apoio ao estudo de temas relacionados ao direito à memória, à verdade e à justiça, relativas às violações de direitos humanos. Intitulado O testemunho como janela, este projeto buscou analisar o perfil dos atingidos pela ditadura militar e a estrutura repressiva existente em território fluminense a partir dos testemunhos prestados à Comissão de Reparação do Estado do Rio de Janeiro. Um balanço sobre este projeto, em forma de notas de pesquisa, encontra-se logo no início do livro, seguido de mais cinco capítulos sobre temas que dialogam em alguma medida com o projeto.
O segundo capítulo, por exemplo, foi escrito por Felipe Ribeiro, professor da Universidade Estadual do Piauí (UESPI) e também integrante do LEHMT. Neste texto, intitulado “A Revolução conseguiu desbaratar todos os revolucionários”: repressão aos trabalhadores e rearticulação das forças políticas frente ao golpe de 1964,o autor retoma reflexões de sua tese de doutorado, defendida em 2015, analisando as relações entre trabalhadores, sindicatos e partidos políticos frente ao governo autoritário recém-instaurado.
Como destacam os organizadores do livro em sua apresentação: “em um momento no qual setores da sociedade defendem o retorno do autoritarismo, as reflexões sobre tais temas tornam-se cada vez mais urgentes e relevantes”.
O livro “História escrita, história vivida” encontra-se disponível nas principais livrarias e também no site da editora Lamparina.
Artigo ‘A Comissão Nacional de Bem-estar Social: planejamento estatal e política social, 1951-1954’ – Samuel Oliveira
O artigo escrito pelo historiador e pesquisador do LEHMT Samuel Oliveira (CEFET-RJ/PPRER) analisa a Comissão Nacional de Bem-Estar Social (CNBS). Instituída no Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, entre 1951 e 1954, tinha como proposta unificar e reformar os serviços de assistência social, habitação, alimentação, saúde e previdência para os trabalhadores urbanos assalariados, “rurícolas” e favelados. Na CNBS, destacava-se, direta e indiretamente, o tema da expansão dos direitos sociais no campo e a relação entre a expansão “desenvolvimento” econômico e o problema da “marginalidade social”.
Ao contrário da expectativa contemporânea, em que o Ministério do Trabalho foi extinto e os direitos sociais são foco de sucessivas reformas e restrições justificadas pela “crise fiscal” e pela agenda neoliberal, o pós-Segunda Guerra experimentou um período de avanço dos direitos sociais no mundo. Assim como outras comissões formadas durante o governo de Getúlio Vargas entre 1951 e 1954, a CNBS reunia um conjunto de intelectuais e especialistas que investigavam a realidade social brasileira e participavam das discussões internacionais promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências sobre o planejamento estatal de um “Estado de Bem-Estar Social”.
O texto analisa o acervo da CNBS no Arquivo Privado de Alzira do Amaral Peixoto Vargas (APAAPV), sob guarda do Centro de Pesquisa e Documentação em História do Brasil (CPDOC-FGV). Na historiografia do período, a comissão e o acervo documental associado a mesma não havia sido estudada ainda por outros pesquisadores que priorizam a compreensão das “crises” do governo de Vagas e as relações entre sindicatos e o jogo político partidário do “populismo”.
Link para o artigo: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702019000900147&lng=en&nrm=iso&tlng=pt
Crédito da foto de capa: Alzira Vargas do Amaral Peixoto, José Segadas Viana, Arnaldo Sussekind, Ernesto Simões Filho em Conferência do Quitandinha, na Comissão Nacional de Bem-Estar Social. Classificação: AVAP foto 073 (fotos 2). Arquivo Alzira Vargas do Amaral Peixoto (AVAP). Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV)
Artigo “Encenando a modernidade no Rio de Janeiro e em Buenos Aires: o trabalho artístico como promoção da identidade nacional” – Flavia Veras
Flavia Veras, pesquisadora do LEHMT, publicou o artigo “Encenando a modernidade no Rio de Janeiro e em Buenos Aires: o trabalho artístico como promoção da identidade nacional” no volume 13 (número 2) da Revista de História Comparada do Programa de Pós-Graduação em História Comparada (UFRJ) de 2019.
O artigo traz uma reflexão sobre o mercado de diversões no Rio de Janeiro e em Buenos Aires na primeira metade do século XX, propondo pensar como o estudo desse setor pode contribuir para o debate sobre a identidade nacional em cada um dos espaços.
Labuta #09 O que é história social do trabalho? – Entrevista com Cristiana Schettini
Cristiana Schettini Possui graduação em história pela Universidade Estadual de Campinas (1994), mestrado em História pela Universidade Estadual de Campinas (1997) e doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2002). Atualmente, é pesquisadora do CONICET e professora adjunta no Instituto de Altos Estudios Sociales da Universidad Nacional de General San Martin (IDAES-UNSAM), na Argentina. Venceu o Prêmio Arquivo Nacional de Pesquisas e publicou sua tese de doutorado Que tenhas teu corpo?: uma história das políticas da prostituição no Rio de Janeiro das primeiras décadas republicanas. (2006, Editora do Arquivo Nacional). Publicou também, em coorganização com Juan Suriano, Historias Cruzadas. Diálogos historiográficos sobre el mundo del trabajo en Argentina y Brasil (2019, editora Teseo).
Direção, Roteiro e Produção: Deivison Amaral, Heliene Nagasava e Paulo Fontes.
Ano de produção: 2020
Duração: 11’33’’
Labuta é um canal de vídeos do LEHMT sobre história, trabalho e sociedade.
A série “O que é história social do trabalho?” inaugura o Labuta. Durante o ano de 2019, publicaremos a série, que tem por objetivo apresentar o campo de estudos da história social do trabalho a partir de entrevistas com especialistas.
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Produção do LEHMT – Laboratório de Estudos da História dos Mundos do Trabalho da UFRJ
Revista Mundos do Trabalho lança dossiê sobre Trabalhadores e Segunda Guerra Mundial – Alexandre Fortes e Felipe Ribeiro
A Revista Mundos do Trabalho acabou de lançar seu mais novo número (volume 11, 2019). Reunindo dois instigantes dossiês nesta edição, um deles é dedicado ao tema Trabalhadores e Segunda Guerra Mundial.
Organizado pelos professores Alexandre Fortes (da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ) e Felipe Ribeiro (da Universidade Estadual do Piauí – UESPI e integrante do LEHMT), o dossiê surgiu da percepção das múltiplas formas pelas quais a guerra se conecta à história do trabalho e o quanto este aspecto tem estimulado pesquisas bastante originais nos últimos anos.
Com sete artigos, que abordam diversas categorias, regiões e questões caras ao Brasil durante o conflito mundial – incluindo a apresentação dos organizadores, com debates introdutórios ao tema – o dossiê busca estimular reflexões sobre os impactos da Segunda Guerra nos mundos do trabalho em caráter global, além de fomentar novos projetos de pesquisa com este enfoque.
A Revista Mundos do Trabalho é uma publicação do GT Mundos do Trabalho e da Associação Nacional de História do Trabalho, tendo adotado a modalidade de publicação contínua de artigos desde o ano passado. Para acessar o novo número da Revista Mundos do Trabalho: https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/issue/view/2938
Labuta #08: O que é história social do trabalho? – Entrevista com Norberto Ferreras
Norberto Ferreras é professor associado III da Universidade Federal Fluminense (UFF). Possui Graduação em História – Universidad Nacional de Mar del Plata (1991, Argentina), obteve o Mestrado em História pela Universidade Federal Fluminense – UFF (1995) e o doutorado em História Social pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp (2001). Entre setembro de 2013 e junho de 2014 realizou estagio pós-doutoral nos Estados Unidos na Harvard University, vinculado à Weatherhead Initiative on Global History. Obteve uma bolsa de pesquisa da “Princeton University Library Research Grants for 2016?2017” entre janeiro e fevereiro de 2017. Tem experiência na área de História, com ênfase na História da América Latina, atuando principalmente nos seguintes temas: Sistemas de Trabalho, Trabalhadores e Movimentos Sociais. Atualmente desenvolve uma pesquisa sobre a relação entre a OIT e a América Latina entre 1930 e o presente centrada na questão do trabalho forçado e o trabalho análogo à escravidão.
Direção, Roteiro e Produção: Deivison Amaral, Heliene Nagasava e Paulo Fontes.
Ano de produção: 2020
Duração: 9’31’’
Labuta é um canal de vídeos do LEHMT sobre história, trabalho e sociedade.
A série “O que é história social do trabalho?” inaugura o Labuta. Durante o ano de 2019, publicaremos a série, que tem por objetivo apresentar o campo de estudos da história social do trabalho a partir de entrevistas com especialistas.
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Produção do LEHMT – Laboratório de Estudos da História dos Mundos do Trabalho da UFRJ
Contribuição especial #02: 1979, 40 anos depois: “você está presente, companheiro Santo”
Contribuição especial de Pâmela Almeida¹
No dia 28 de agosto de 2019 completaram-se quarenta anos da promulgação da Lei de Anistia no Brasil. As datas comemorativas têm o poder de ativar a memória, trazendo à tona os conflitos existentes entre os diversos atores que querem tornar pública e legítima a sua versão dos acontecimentos. Vasculhar o projeto político do regime militar (1964-1985) significa, ainda hoje, se deparar com os efeitos devastadores da tortura, a organização de um complexo sistema de informações e segurança, os consensos estabelecidos entre o Estado e setores da sociedade civil, o colaboracionismo e as especificidades dos regimes ditatoriais no Cone Sul, a institucionalização de espaços de memória nos espaços públicos, as discussões em torno da reinterpretação da Lei de Anistia e os legados da ditadura na democracia. Estes efeitos devastadores também atingiram a classe trabalhadora que resistia à ditadura e lutava por direitos, seja no campo ou nas cidades.
Apesar do reconhecimento oficial pelo Estado brasileiro das violações de direitos humanos, sobretudo após os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, é inegável que existem muitas memórias e narrativas que ainda permanecem pouco estudadas. Segundo inventário produzido pelo Projeto Brasil: Nunca Mais, existiram mais de 40 grupos de esquerda atuando no Brasil durante o período ditatorial. Com alguma frequência, a opinião pública e mesmo as pesquisas históricas tendem a analisar essa resistência sob o viés de setores da classe média.

Não por acaso, um dos eixos temáticos dos trabalhos na Comissão Nacional da Verdade foi justamente a investigação sobre a repressão aos trabalhadores – urbanos e rurais -, o levantamento de sindicatos que sofreram intervenção após o golpe, a identificação de dirigentes sindicais cassados durante a ditadura, os significados da lei de greve e do arrocho salarial, etc. Essa ressalva se faz necessária, tendo em vista que, mesmo com o alargamento das abordagens acerca dos diversos atores e aspectos no que diz respeito a mais recente ditadura brasileira, podemos notar uma significativa carência de pesquisas quando o assunto é a atuação da classe trabalhadora, sobretudo nos primeiros anos do golpe, e os efeitos que o regime produziu em suas vidas.
No ano de 2013, em investigação realizada no acervo da Comissão de Anistia² cujo objetivo era auxiliar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, notou-se entre os processos analisados uma recorrência de trabalhadores perseguidos no imediato pós-golpe. Outro destaque está relacionado à quantidade significativa de prisões e demissões por motivação política. Os demais dados que saíram desses processos acabaram por confirmar um aspecto já bastante trabalhado por pesquisadores do período: a atuação ativa de trabalhadores na segunda metade da década de 1970, já no contexto de luta pela anistia e das greves, com destaque para aquela realizada no ABC paulista, em 1978.
A atuação dos movimentos de luta pela anistia, na década de 1970, está inserida em um quadro de fortalecimento da oposição democrática, a partir do crescimento significativo de setores da sociedade que se organizavam em torno da localização dos mortos e desaparecidos, do desmantelamento do aparato repressivo, da restauração do habeas corpus e do retorno ao Estado de direito, entre outras demandas.
A partir da constituição dos Comitês Brasileiros pela Anistia (CBAs), em 1978, temos a formação de uma frente mais ampla composta por estudantes, intelectuais, operários, lideranças de esquerda, além de uma rede de solidariedade formada no exterior.
Em conjunto, essas diferentes forças políticas passaram a protagonizar cada vez mais atos públicos, vigílias noturnas, debates, panfletagens, shows e passeatas com palavras de ordem de combate aberto e direto ao regime.
O ano de 1979 foi decisivo para a luta pela anistia por diversas razões: naquele momento houve a intensificação das mobilizações e protestos que, em alguns casos, chegaram a reunir milhares de pessoas. Nesses atos, os participantes chamavam atenção para um regime que acenava com a abertura política, mas ao mesmo tempo mantinha funcionando a comunidade de informações e segurança. Em um desses atos, e apenas dois meses após a promulgação da Lei de Anistia, no dia 30 de outubro de 1979, o operário Santo Dias da Silva, foi assassinado pela polícia militar enquanto fazia piquete de greve em frente à fábrica Sylvania, localizada na zona sul de São Paulo. Membro da Pastoral Operária e integrante do Comitê Brasileiro pela Anistia, o velório de Santo Dias da Silva na Igreja da Consolação foi marcado por grande mobilização e protestos.
Há quarenta anos, a aprovação da Lei de Anistia e a estranha relação de conexidade estabelecida entre os crimes praticados pelo Estado e aqueles praticados por civis convoca diferentes atores sociais à reflexão sobre a permanência de estruturas autoritárias em nossa democracia e a impunidade de agentes do Estado. Há quarenta anos, o assassinato de Santo Dias da Silva não deixou dúvidas que o aparato repressivo da ditadura mantinha-se ativo. Enterrado no cemitério Campo Grande, a poucos metros da extinta fábrica em que foi assassinado, ainda hoje ex-companheiros, familiares e amigos prestam homenagem com a seguinte inscrição no asfalto: “Aqui foi assassinado, pela polícia militar, às 14h, o operário Santo Dias, 30-10-1979”.

Crédito: http://comissaodaverdade.al.sp.gov.br/mortos-desaparecidos/santos-dias
¹ Pâmela de Almeida Resende tem Doutorado em História pelo USP (2019) e Mestrado em História pela Unicamp (2013). Foi a vencedora do Prêmio de Pesquisas Memórias Reveladas, em 2013, e publicou o livro Os vigilantes da ordem: a cooperação DEOPS/SP e SNI e a suspeição aos movimentos pela anistia (1975-1983).
² Consultoria realizada na Comissão de Anistia (PNUD/ONU), ano de 2013, com o objetivo de auxiliar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade. É válido ressaltar que o número de processos de anistia analisados durante a consultoria não reflete a totalidade dos processos existentes no acervo da Comissão de Anistia.
Crédito da imagem de capa: “Protesto realizado em frente à Catedral da Sé após a morte de Santo Dias. Disponível em: http://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/santo-dias/
