Vale Mais é o podcast do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ, que tem como objetivo discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da história social do trabalho.
O episódio #20 do Vale Mais é sobre a Cultura Negra e Mundos do Trabalho.
Neste episódio conversamos com a historiadora Juliana da Conceição Pereira que defendeu recentemente a sua tese de doutoramento intitulada “Da Cidade Nova aos palcos: uma história social do maxixe (1870 – 1930)” pela Universidade Federal Fluminense (UFF), vencedora do Prêmio Afonso Carlos Marques dos Santos do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, sob a orientação da professora Martha Abreu (UFF) e coorientação do professor Matthias Rohrig Assunção (Universidade de Essex, Inglaterra). Interessada em clubes recreativos e dançantes organizados pelos trabalhadores desde a graduação (PUC-Rio) e o mestrado (UFF), Juliana defendeu em 2021 a tese na qual analisa o processo histórico em que gêneros populares, surgidos da cultura negra, foram alçados a símbolos da cultura nacional. Sua pesquisa se concentrou nos movimentos de transformação do maxixe para além de um ritmo musical, sendo analisado como um campo de disputas e negociações diversas no Rio de Janeiro entre 1870 e 1930. Ao tratar de sua prática como historiadora, a entrevistada nos conta que seu interesse na temática do associativismo recreativo nasceu com seu ingresso como bolsista de iniciação científica durante a graduação na PUC-Rio, mas seu olhar a direcionou a focalizar questões de gênero dentro do tema e foi a partir dessa perspectiva que ela iniciou suas pesquisas. Além disso, na parte final da entrevista, Juliana chama atenção para a importância de se pensar os mundos do trabalho de forma racializada destacando o quanto uma abordagem interseccional possibilita refletir sobre como as várias opressões impactaram as pessoas e como elas agiram frente a isso reivindicando o direito ao trabalho, ao lazer e à cidade.
Produção: Isabelle Pires, Heliene Nagasava e Larissa Farias Roteiro: Isabelle Pires, Heliene Nagasava e Larissa Farias Apresentação: Larissa Farias
Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci –
Vale Mais
Está no ar o sétimo episódio da nova temporada do Vale Mais, o podcast do LEHMT-UFRJ.
Nessa temporada, convidamos pesquisadores para discutir livros e teses recentes que aprofundam debates interdisciplinares sobre os mundos do trabalho.
No sétimo episódio, conversamos com Aldrin Armstrong Silva Castellucci, professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e autor do livro Entre o socialismo e o corporativismo: trajetórias de quatro líderes do movimento operário no Brasil (1871–1963). A obra reconstrói as trajetórias de Evaristo de Moraes, Agripino Nazareth, Joaquim Pimenta e Maurício de Lacerda, importantes líderes socialistas do país, protagonistas das lutas do movimento operário e sindical brasileiro.
Não deixe também de compartilhar e acompanhar os próximos episódios!
Entrevistadores: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Roteiro: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Produção: Ana Clara Tavares e Larissa Farias
Edição: Josemberg Araújo e Thompson Clímaco
Diretor da série: Thompson Clímaco
Coordenadora geral do Vale Mais: Larissa Farias
Neste episódio de Livros de Classe, Helena Hirata, diretora de pesquisa emérita do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) da França, apresenta o livro “A classe operária tem dois sexos: trabalho, dominação e resistência”, da socióloga Elisabeth Souza Lobo. A obra póstuma, lançada em 1991, é uma coletânea de artigos da autora sobre a heterogeneidade da classe operária a partir de pesquisas comparativas entre homens e mulheres nos mundos do trabalho.
Livros de Classe
Os estudantes de graduação são desafiados constantemente a elaborar uma percepção analítica sobre os diversos campos da história. Nossa série Livros de Classe procura refletir justamente sobre esse processo de formação, trazendo obras que são emblemáticas para professores/as, pesquisadores/as e atores sociais ligados à história do trabalho. Em cada episódio, um/a especialista apresenta um livro de impacto em sua trajetória, assim como a importância da obra para a história social do trabalho. Em um formato dinâmico, com vídeos de curtíssima duração, procuramos conectar estudantes a pessoas que hoje são referências nos mais diversos temas, períodos e locais nos mundos do trabalho, construindo, junto com os convidados, um mosaico de clássicos do campo.
Vale Mais é o podcast do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ, que tem como objetivo discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da história social do trabalho.
“Vozes comunistas” é uma série especial do Vale Mais, podcast do LEHMT/UFRJ. Nessa série homenageamos o centenário do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e divulgamos áudios que permitem uma reflexão sobre as fortes e complexas relações entre o partido e os mundos do trabalho ao longo da história do país. A cada quinze dias, um trecho de uma entrevista de antigos sindicalistas, lideranças operárias e camponesas ou mesmo trabalhadores/as de base conta um pouco da história do PCB e sua importância para a história do trabalho no Brasil. Pesquisamos áudios em acervos públicos e particulares de todo o país, que serão apresentados por pesquisadores e historiadores especialistas na trajetória do partido. Em nosso terceiro episódio, apresentamos trechos de uma entrevista de Josefa Pureza (originalmente concedida ao documentário “Josefa: uma mulher na luta camponesa”, dirigido por Luiz Claudio Lima e Roberto Maxwell). Pureza foi importante líder dos trabalhadores rurais da Baixada Fluminense nos anos 1960, quando participou da organização de diversos movimentos de mulheres. Essa voz comunista é apresentada pela historiadora Marlucia Souza.
Projeto e execução: Ana Clara Tavares, Felipe Ribeiro, Larissa Farias e Paulo Fontes Apoio: Centro de Documentação e Imagem da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Agradecemos às instituições e pesquisadores que gentilmente colaboraram com nosso projeto.
Referência da entrevista: A entrevista é parte do documentário “Josefa – Uma mulher na luta camponesa”, dirigido por Roberto Maxwell e Luiz Cláudio Lima e produzido por Virtual Filmes com o apoio do Centro de Documentação e Memória da Baixada Fluminense e APPH-Clio, em 2002.
Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci –
Vale Mais
Está no ar o sétimo episódio da nova temporada do Vale Mais, o podcast do LEHMT-UFRJ.
Nessa temporada, convidamos pesquisadores para discutir livros e teses recentes que aprofundam debates interdisciplinares sobre os mundos do trabalho.
No sétimo episódio, conversamos com Aldrin Armstrong Silva Castellucci, professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e autor do livro Entre o socialismo e o corporativismo: trajetórias de quatro líderes do movimento operário no Brasil (1871–1963). A obra reconstrói as trajetórias de Evaristo de Moraes, Agripino Nazareth, Joaquim Pimenta e Maurício de Lacerda, importantes líderes socialistas do país, protagonistas das lutas do movimento operário e sindical brasileiro.
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Entrevistadores: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Roteiro: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Produção: Ana Clara Tavares e Larissa Farias
Edição: Josemberg Araújo e Thompson Clímaco
Diretor da série: Thompson Clímaco
Coordenadora geral do Vale Mais: Larissa Farias
Paulo Fontes, professor do Instituto de História e coordenador do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ (LEHMT/UFRJ) concedeu entrevista a Valdei Lopes de Araújo, professor do Departamento de História da Universidade Federal de Ouro Preto e presidente da Associação Nacional de História (ANPUH) no canal do Youtube da ANPUH. Paulo fala sobre o atual momento do campo da história social do trabalho no Brasil e detalha o trabalho de divulgação científica e história publica realizado pelo LEHMT/UFRJ.
Unidade temática: Ditadura Militar e os mundos do trabalho
Objetivos gerais:
– Refletir sobre as formas de lutas e resistências dos trabalhadores durante a ditadura militar; – Relacionar o processo de autoritarismo com os impactos na vida dos trabalhadores; – Caracterizar a Justiça do Trabalho como uma importante instituição de resistência.
Habilidades a serem desenvolvidas (de acordo com a BNCC):
(EF09HI19) Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil e discutir a emergência de questões relacionadas à memória e à justiça sobre os casos de violação dos direitos humanos.
Duração da atividade:
Aulas
Planejamento
01
Etapa 1
02
Etapas 2
03
Etapa 3 e 4
04
Etapa 5
05
Etapa 6
Conhecimentos prévios:
– Direitos e Leis Trabalhistas – Políticas econômicas e sociais relacionadas aos mundos do trabalho – Autoritarismo e repressão
Atividade
Recursos: Projetor, caixa de som, computador, quadro, fotocópia, caderno.
A atividade propõe uma reflexão a respeito dos impactos do autoritarismo da ditadura militar sobre a vida dos trabalhadores, procurando destacar a ação dos trabalhadores na busca por direitos através da Justiça do Trabalho e seus tribunais trabalhistas.
Etapa 1: Os direitos trabalhistas e a criação da Justiça do Trabalho
Para entendermos como se deu o recurso à Justiça do Trabalho durante a ditadura, pensando-o como uma forma de resistência às políticas autoritárias dos governos militares, é importante fazermos um recuo na história, voltando ao contexto de criação da Justiça do Trabalho e da consolidação dos direitos trabalhistas. Foi durante a Era Vargas (1930-1945) que a sociedade viveu grandes transformações do ponto de vista trabalhista, sendo a Justiça do Trabalho (1934) e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT/1943) as principais delas.
Pergunte aos estudantes e dialogue com a turma sobre o que eles lembram e sabem sobre a relação de Getúlio Vargas com os direitos trabalhistas. A conversa inicial tem o objetivo de situar os estudantes no contexto de criação dos direitos trabalhistas e recuperar informações que serão trabalhadas em aula.
Entregue aos alunos os documentos a seguir impressos ou projete-os na lousa.
Peça para os alunos pesquisar e responder às perguntas abaixo.
Identifique e explique dois direitos do trabalho que constavam na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Qual a importância da criação da Justiça do Trabalho para as relações de trabalho no Brasil e cumprimento da CLT?
A partir da leitura dos documentos, explique porque é importante que abandonemos a noção de passividade dos trabalhadores durante o contexto da Era Vargas e da criação das leis trabalhistas?
A partir dos trechos e das respostas dos estudantes, conseguimos perceber que a elaboração dessa nova estrutura que visava regular as relações de trabalho se deu a partir de uma dinâmica política entre Estado e classe trabalhadora, na qual essas duas forças políticas arbitraram seus interesses, em uma espécie de “via de mão-dupla”. Enfatize esse aspecto, para os estudantes perceberem que a classe trabalhadora não era passiva na relação com Vargas e o Estado, e que a Justiça do trabalho tem função política ainda hoje na vida da classe trabalhadora.
Etapa 2: O golpe civil-militar e a guinada autoritária
Recupere o debate feito sobre o conceito de direitos trabalhistas e Justiça do Trabalho na aula anterior, enfatize que ela ainda hoje é um dos principais meios para os trabalhadores acionarem seus direitos trabalhistas, e que, no contexto da ditadura civil militar, ela foi um meio para os trabalhadores reivindicarem direitos. Leia e analise com os estudantes as alterações na política trabalhista realizada durante a ditadura através da leitura de trechos da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Explique para os alunos o que foi a CNV e sua importância para a análise da história do Brasil. Você pode transmitir o documento abaixo por meio de uma fotocópia ou projetá-los em sala de aula.
A partir de pesquisa e da leitura dos trechos do relatório da Comissão Nacional da Verdade, responda as perguntas abaixo:
Qual era o principal objetivo dos governos militares em aprimorar o que havia de mais repressivo na CLT?
Explique o que é:
a) Política do arrocho salarial;
b) Perda da estabilidade do emprego;
c) Desestruturação da organização dos trabalhadores.
3.Quais suas consequências para o desenvolvimento econômico e o mundo do trabalho?
Aqui o objetivo é explorar junto aos alunos as variadas formas de repressão utilizadas durante os governos militares. Quando se fala em repressão, logo vem à nossa mente as prisões arbitrárias, torturas físicas e psicológicas, assassinatos e outros tipos de violência. Sem dúvida, são fatos arrepiantes de um passado que não se pode e nem se deve esquecer. No entanto, repressão também pode ser interpretada como algo que pune e não necessariamente precisa estar atrelado à violência explícita. No caso dos trabalhadores, é possível pautar as leis do arrocho salarial e as intervenções nos sindicatos também como formas de repressão, ou como políticas repressoras, tal como já destacado anteriormente.
Etapa 3: Aula expositiva e dialogada
Recupere as questões trabalhadas a partir do relatório da CNV e através de uma aula expositiva dialogada, explique o contexto social dos trabalhadores na ditadura civil-militar. Abaixo, frisamos os eventos e conceitos que devem ser enfatizados na aula. O golpe civil-militar que retirou João Goulart da Presidência da República, marcou, entre outras coisas, uma inflexão nos projetos políticos que eram direcionados aos trabalhadores. Antes, políticas que buscavam, minimamente, valorizar os trabalhadores; no pós-golpe, projetos autoritários que sacrificavam a força de trabalho. A ditadura estabeleceu uma Lei de Greves que proibiu as greves, um dos principais movimentos de reivindicação trabalhista, as leis salariais, que impactaram negativamente nos salários. Após o golpe de estado, o governo realizou intervenções federais nos sindicatos, cassando diretorias que tinham legitimidade entre os trabalhadores e organizavam protestos, e empossando diretores sindicais que eram pró-governo. E promoveu uma política econômica que tinha em vista o arrocho salarial, unificou o salário mínimo nacional e estabeleceu um reajuste anual para o mesmo que não acompanhava os índices de inflação, que eram manipulados pelos governos militares.
Etapa 4: Análise de Imagens
Apresente aos alunos as imagens abaixo. A primeira retrata manifestação popular que denunciava a crise econômica que abatia os lares, sobretudo dos assalariados, devido às leis autoritárias do “arrocho salarial”.
Imagem I: Manifestações contra o “arrocho salarial”
Fonte: Autoria desconhecida. Imagem retirada do livro Como pode um povo vivo viver nesta carestia, de Thiago Nunes Monteiro (Monteiro, 2017).
Imagem II: Charge satirizando o elevado custo de vida
Fonte: Charge de Otávio, sobre Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda e Planejamento da ditadura, publicada na Folha de São Paulo em 24 de junho de 2020. Disponível em: <https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1670143221443064-charges-da-folha-sobre-a-ditadura>. Acesso em: 29/03/2022.
Analise as imagens e responda as questões abaixo.
Descreva as pessoas que fazem parte da imagem 1.
Qual a pauta/objetivo da manifestação?
Qual a principal crítica presente na charge da imagem 2?
Etapa 5: O recurso à Justiça do Trabalho como forma de garantia e conquista de novos direitos
A mudança de conjuntura marcada pelo golpe de 1964 pode ser percebida através dos processos da Justiça do Trabalho. A experiência democrática vivida anteriormente, na qual trabalhadores e sindicatos tiveram grande expressão política, foi, de fato, rompida. Com a ditadura militar, trabalhadores e sindicatos perderam espaços importantes para a defesa de seus direitos, senão todos, com exceção da Justiça do Trabalho. Na Justiça do Trabalho, os trabalhadores reivindicavam aumentos salariais reais, além de benefícios como gratificações, redução da jornada de trabalho, salário mínimo (piso salarial), seguro de vida, alimentação, pagamento de férias em dobro, entre outros. Projete o documento a baixo (ata de abertura de um processo trabalhista), que serve como exemplo das reivindicações trabalhistas e suas justificações, e leia junto com os alunos.
Após a leitura coletiva do documento, responda as questões abaixo.
Identifique a entidade que procura se posicionar na justiça do trabalho.
Quais as reivindicações dos trabalhadores bancários?
Contextualize as reivindicações com o contexto político e social dos trabalhadores na ditadura.
Na sua opinião, as reivindicações dos trabalhadores na Justiça do Trabalho são legítimas?Elas foram atendidas pela Justiça do Trabalho? Justifique sua resposta.
Explique para os estudantes que dados de processos julgados pelo Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, com sede em Belo Horizonte/MG, demonstram que os trabalhadores e suas representações sindicais acumularam uma série de conquistas. Categorias de Juiz de Fora conseguiram ter aumentos salariais acima dos índices fornecidos pelos governos da ditadura; trabalhadores de instituições financeiras conquistaram redução da jornada de trabalho para 6 horas, com a categoria equiparada à dos bancários; motoristas de ônibus passaram a ter direito a uma diária remuneratória por dia trabalhado fora da sede; entre outras.
Etapa 6: Atividade final
Como atividade de conclusão e síntese, divida a sala em grupo e solicite que escrevam uma petição para ser encaminhada na Justiça do Trabalho. Depois, o documento produzido pelos estudantes, será debatido em grupo.
Escreva uma petição à Justiça do Trabalho.
1º passo: Cada grupo deverá escolher uma categoria trabalhista (bancários, metalúrgicos, trabalhadores do comércio ou tecelões). 2º passo: A partir da especificidade de cada profissão, que poderá ser pesquisa previamente, os alunos elaborarão de 3 a 5 reivindicações trabalhistas que servirão para abertura de um processo na Justiça do Trabalho. 3º passo: após a escolha das reivindicações, os alunos deverão elaborar uma pequena justificativa para cada demanda que será levada à Justiça, levando-se em consideração um contexto autoritário. 4º passo: concluída essa parte, um grupo irá analisar as demandas do outro grupo e, sendo um direito importante e necessário para aquela categoria, validar ou não suas reivindicações. 5º passo: por fim, o professor poderá propor uma discussão final a partir das demandas trabalhistas aprovadas por cada grupo.
Bibliografia e Material de apoio:
BRASIL. Comissão Nacional da Verdade. Relatório, v. II, textos temáticos/Comissão Nacional da Verdade. Brasília: CNV, 2014.
DAMIÃO, Paulo Henrique Silveira. A balança de Têmis e tempos sombrios: Justiça do Trabalho, trabalhadores e ditadura em Juiz de Fora (1964-1974). Dissertação (Mestrado em História). Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2019.
JUIZ DE FORA. Memórias da repressão: relatório da Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora. Juiz de Fora: MAMM, 2015.
MONTEIRO, Thiago Nunes. Como pode um povo vivo viver nesta carestia. São Paulo: Martins Fontes, 2017.
MOREL, Regina Lúcia M.; PESSANHA, Elina G. da Fonte. A Justiça do Trabalho. Tempo Social, v. 19, n. 2, nov. 2007.
REIS, Daniel Aarão. Ditadura e democracia no Brasil: do golpe de 1964 à Constituição de 1988. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.
Depoimentos Comissão Municipal da Verdade de Juiz de Fora: <https://www.ufjf.br/comissaodaverdade/depoimentos/> SILVA, Fernando Teixeira da. Trabalhadores no Tribunal: conflitos e Justiça do Trabalho em São Paulo no contexto do Golpe de 1964. 2ª ed. São Paulo: Alameda, 2019.
Créditos da imagem de capa: Operários da Construção Civil. 05 de agosto de 1979. REG.: P&B 1/02/0090, sob guarda do Centro de Memória do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (TRT3).
Chão de Escola
Nos últimos anos, novos estudos acadêmicos têm ampliado significativamente o escopo e interesses da História Social do Trabalho. De um lado, temas clássicos desse campo de estudos como sindicatos, greves e a relação dos trabalhadores com a política e o Estado ganharam novos olhares e perspectivas. De outro, os novos estudos alargaram as temáticas, a cronologia e a geografia da história do trabalho, incorporando questões de gênero, raça, trabalho não remunerado, trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e até mesmo desempregados no centro da análise e discussão sobre a trajetória dos mundos do trabalho no Brasil. Esses avanços de pesquisa, no entanto, raramente têm sido incorporados aos livros didáticos e à rotina das professoras e professores em sala de aula. A proposta da seção Chão de Escola é justamente aproximar as pesquisas acadêmicas do campo da história social do trabalho com as práticas e discussões do ensino de História. A cada nova edição, publicaremos uma proposta de atividade didática tendo como eixo norteador algum tema relacionado às novas pesquisas da História Social do Trabalho para ser desenvolvida com estudantes da educação básica. Junto a cada atividade, indicaremos textos, vídeos, imagens e links que aprofundem o tema e auxiliem ao docente a programar a sua aula. Além disso, a seção trará divulgação de artigos, entrevistas, teses e outros materiais que dialoguem com o ensino de história e mundos do trabalho.
Neste vídeo, Adalberto Paz, professor da Universidade Federal do Amapá (Unifap), apresenta a obra Os andarilhos do bem: feitiçaria e cultos agrários nos séculos XVI e XVII, de Carlo Ginzburg. Lançado em 1966, o livro, assim como seu autor, é importante referência para metodologia de pesquisa histórica de grupos sociais subalternizados.
Livros de Classe
Os estudantes de graduação são desafiados constantemente a elaborar uma percepção analítica sobre os diversos campos da história. Nossa série Livros de Classe procura refletir justamente sobre esse processo de formação, trazendo obras que são emblemáticas para professores/as, pesquisadores/as e atores sociais ligados à história do trabalho. Em cada episódio, um/a especialista apresenta um livro de impacto em sua trajetória, assim como a importância da obra para a história social do trabalho. Em um formato dinâmico, com vídeos de curtíssima duração, procuramos conectar estudantes a pessoas que hoje são referências nos mais diversos temas, períodos e locais nos mundos do trabalho, construindo, junto com os convidados, um mosaico de clássicos do campo.
Vale Mais é o podcast do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ, que tem como objetivo discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da história social do trabalho.
“Vozes comunistas” é uma série especial do Vale Mais, podcast do LEHMT/UFRJ. Nessa série homenageamos o centenário do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e divulgamos áudios que permitem uma reflexão sobre as fortes e complexas relações entre o partido e os mundos do trabalho ao longo da história do país. A cada quinze dias, um trecho de uma entrevista de antigos sindicalistas, lideranças operárias e camponesas ou mesmo trabalhadores/as de base conta um pouco da história do PCB e sua importância para a história do trabalho no Brasil. Pesquisamos áudios em acervos públicos e particulares de todo o país, que serão apresentados por pesquisadores e historiadores especialistas na trajetória do partido. Em nosso segundo episódio, apresentamos trechos de uma entrevista realizada com o dirigente sindical têxtil do Rio de Janeiro e um dos líderes do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) no pré-1964, Hércules Corrêa (a íntegra da entrevista encontra-se no Arquivo Edgard Leuenroth da Unicamp). Essa voz comunista é apresentada pela professora da Universidade do Estado da Bahia, Camila Oliver.
Projeto e execução: Ana Clara Tavares, Felipe Ribeiro, Larissa Farias e Paulo Fontes Apoio: Centro de Documentação e Imagem da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Agradecemos às instituições e pesquisadores que gentilmente colaboraram com nosso projeto.
Referência da entrevista: Depoimento de Hércules Corrêa. Sem data. Arquivo Edgard Leuenroth: Fundo Partido Cominista Brasileiro. Código de referência: BR SPAEL PCB Vd/00094.
Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci –
Vale Mais
Está no ar o sétimo episódio da nova temporada do Vale Mais, o podcast do LEHMT-UFRJ.
Nessa temporada, convidamos pesquisadores para discutir livros e teses recentes que aprofundam debates interdisciplinares sobre os mundos do trabalho.
No sétimo episódio, conversamos com Aldrin Armstrong Silva Castellucci, professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e autor do livro Entre o socialismo e o corporativismo: trajetórias de quatro líderes do movimento operário no Brasil (1871–1963). A obra reconstrói as trajetórias de Evaristo de Moraes, Agripino Nazareth, Joaquim Pimenta e Maurício de Lacerda, importantes líderes socialistas do país, protagonistas das lutas do movimento operário e sindical brasileiro.
Não deixe também de compartilhar e acompanhar os próximos episódios!
Entrevistadores: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Roteiro: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Produção: Ana Clara Tavares e Larissa Farias
Edição: Josemberg Araújo e Thompson Clímaco
Diretor da série: Thompson Clímaco
Coordenadora geral do Vale Mais: Larissa Farias
Convidamos a todos a participar e submeter propostas de comunicação no Simpósio Temático 12 – História Oral e Mundos do Trabalho, coordenado pelos prof. Samuel Oliveira (LEHMT-UFRJ), Lara de Castro (UNIFAP) e Alejandra Estevez (UFF), no XVI Encontro Nacional de História Oral – Pandemia e Futuros Possíveis.
O evento é realizado pela Associação Brasileira de História Oral (ABHO) no Rio de Janeiro, entre 25 e 28 de julho de 2022, nas instalações da sede da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Fundação Getúlio Vargas, no centro da cidade.
O surgimento da metodologia de História Oral nos anos 1960 e 1970 ocorreu sob impacto das análises da História Social do Trabalho, dando evidência as experiências de grupos sociais que tinham pouca expressão na história oficial e nas várias ortodoxias historiográficas. O simpósio temático busca aglutinar as inúmeras pesquisas que se estabeleceram a partir dessa inflexão e que continuam a renovar as análises das relações entre oralidade, memória social e mundos do trabalho.
São apresentados os seguintes eixos temáticos: 1) as trajetórias de lideranças e movimentos sociais e sindicais nos ciclos de protesto do século XX; 2) experiências das/os trabalhadoras/es em locais de trabalho e em comunidades de trabalhadoras/es; 3) as relações de classe, raça e gênero no cotidiano dos espaços urbanos e rurais; 4) as políticas memoriais e de justiça de transição que se articulem à história das/os trabalhadoras/es na ditadura e redemocratização; 5) a memória e trajetória de trabalhadoras/res livres e não livres – trabalho escravo, compulsório, degradante e em situação de “análoga” à escravidão.
Nos últimos dias os perfis do GT Mundos do Trabalho e do LEHMT/UFRJ no Instagram vêm sendo alvo de ataques coordenados com mensagens de ódio com forte tom anticomunista. Essas manifestações ocorreram principalmente na seção de comentários de uma postagem de divulgação do podcast “Vozes Comunistas”, promovido pelo @lehmt e divulgado pelo @goledehistoria. Nos últimos 100 anos, o anticomunismo vem tendo papel de destaque nos episódios mais infames da história política do Brasil, motivando e justificando a prisão e a violência contra milhares de cidadãos brasileiros, dando cabedal a golpes contra as instituições democráticas. Atualmente, com o recrudescimento da extrema direita e com a multiplicação de células neonazistas no Brasil, tem sido cada vez mais comum os ataques coordenados contra eventos e publicações acadêmicas que promovem reflexões críticas sobre esse passado nefasto de violência política que insiste em se atualizar.
Nesse contexto, a série “Vozes Comunistas” se mostra ainda mais pertinente. É significativo que o primeiro episódio da série seja justamente sobre uma das figuras mais icônicas desse passado de violência política. No dia seguinte ao golpe militar, em 2 de abril de 1964, o veterano líder comunista Gregório Bezerra, então com 64 anos, foi preso, torturado e arrastado pelas ruas do Recife como um troféu de guerra. Com aquela macabra cena, os golpistas procuravam humilhar um dos símbolos mais emblemáticos dos trabalhadores rurais do Nordeste, em sua grande maioria descendentes de escravizados e indígenas, que ousaram lutar por direitos, justiça e dignidade. Gregório dedicou sua vida à organização e luta dos camponeses brasileiros. Em 1969, foi trocado pelo embaixador americano sequestrado e exilou-se na União Soviética. Voltou ao Brasil com a anistia em 1979 e faleceu em 1983. Um gigante da história de lutas dos trabalhadores brasileiros. Quase 40 anos após sua morte, o exemplo e a voz de Gregório ainda reverberam e incomodam. Querem calá-lo mais uma vez por que sua voz ecoa uma luta ancestral para todos que buscam uma sociedade democrática e com justiça social. Mais uma vez, não passarão!
Vale Mais é o podcast do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ, que tem como objetivo discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da história social do trabalho.
O episódio #19 do Vale Mais é sobre os trabalhadores e a Justiça do Trabalho.
Neste décimo nono episódio do Vale Mais, conversamos com a historiadora Alessandra Belo Assis Silva que defendeu recentemente a sua tese de doutoramento pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tendo feito um período “sanduíche” na Emory University em Atlanta-EUA. Pesquisando a Justiça do Trabalho e os Trabalhadores desde a graduação e mestrado na UFJF, Alessandra defendeu em 2020 a tese “Os trabalhadores e o Tribunal Superior do Trabalho (1946-1953)”, sob orientação de Fernando Teixeira da Silva. Alessandra analisou as demandas individuais e coletivas de trabalhadores e sindicatos que chegavam ao TST num período em que essa justiça estava no início de seu desenvolvimento e que, em certa medida, buscava legitimidade para funcionar. Na parte final da entrevista, frente a precarização do trabalho que ocorre hoje no Brasil, a nossa entrevistada mostra caminhos que vem construindo, junto a seus alunos da educação básica no município de Praia Grande, com vistas a aproximar o conhecimento produzido dentro da Academia aos espaços da sala de aula.
Produção: Alexandra Veras, Heliene Nagasava, João Christovão e Larissa Farias Roteiro: Alexandra Veras, Heliene Nagasava, Veras, João Christovão e Larissa Farias Apresentação: Larissa Farias
Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci –
Vale Mais
Está no ar o sétimo episódio da nova temporada do Vale Mais, o podcast do LEHMT-UFRJ.
Nessa temporada, convidamos pesquisadores para discutir livros e teses recentes que aprofundam debates interdisciplinares sobre os mundos do trabalho.
No sétimo episódio, conversamos com Aldrin Armstrong Silva Castellucci, professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e autor do livro Entre o socialismo e o corporativismo: trajetórias de quatro líderes do movimento operário no Brasil (1871–1963). A obra reconstrói as trajetórias de Evaristo de Moraes, Agripino Nazareth, Joaquim Pimenta e Maurício de Lacerda, importantes líderes socialistas do país, protagonistas das lutas do movimento operário e sindical brasileiro.
Não deixe também de compartilhar e acompanhar os próximos episódios!
Entrevistadores: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Roteiro: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Larissa Farias e Thompson Clímaco
Produção: Ana Clara Tavares e Larissa Farias
Edição: Josemberg Araújo e Thompson Clímaco
Diretor da série: Thompson Clímaco
Coordenadora geral do Vale Mais: Larissa Farias