Vozes Comunistas #20: Lucia de Souza



Vale Mais é o podcast do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ, que tem como objetivo discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da história social do trabalho.

“Vozes comunistas” é uma série especial do Vale Mais, podcast do LEHMT/UFRJ. Entre março de 2022 e março de 2023 homenageamos o centenário do Partido Comunista Brasileiro (PCB) com a divulgação de trechos de entrevistas de antigos sindicalistas, lideranças operárias e camponesas ou mesmo trabalhadores/as de base que contam um pouco da história do PCB e sua importância para a história do trabalho no Brasil.

Em nosso vigésimo episódio apresentamos trechos de uma entrevista com a tecelã Lúcia de Souza. Nascida em 1920 na cidade de Magé/RJ, uma das “Moscouzinhas” brasileiras, Lúcia começou a trabalhar em uma fábrica de tecidos ainda na adolescência. Sua indignação com as precárias condições de vida da classe trabalhadora fez com que ingressasse na luta sindical e na militância comunista entre as décadas de 1940 e 1960. No trecho da entrevista que ouviremos, Lúcia de Souza aborda o início de seu trabalho na fábrica, as percepções de sua negritude e seu envolvimento nas lutas operárias e sindicais. Também trata sobre a atuação do PCB, a cassação do partido e as perseguições aos seus militantes, além de expor seus conflitos em se afirmar como comunista. Essa voz é apresentada pela historiadora Juçara da Silva Barbosa de Mello (PUC-Rio).

Projeto e execução: Ana Clara Tavares, Felipe Ribeiro, Larissa Farias e Paulo Fontes
Apoio: Centro de Documentação e Imagem da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Agradecemos às instituições e pesquisadores que gentilmente colaboraram com nosso projeto

Referência da entrevista: A entrevista é parte do documentário “Tear”, dirigido por Taiane Linhares, em 2013.

Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci Vale Mais

Está no ar o sétimo episódio da nova temporada do Vale Mais, o podcast do LEHMT-UFRJ. Nessa temporada, convidamos pesquisadores para discutir livros e teses recentes que aprofundam debates interdisciplinares sobre os mundos do trabalho. No sétimo episódio, conversamos com Aldrin Armstrong Silva Castellucci, professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e autor do livro Entre o socialismo e o corporativismo: trajetórias de quatro líderes do movimento operário no Brasil (1871–1963). A obra reconstrói as trajetórias de Evaristo de Moraes, Agripino Nazareth, Joaquim Pimenta e Maurício de Lacerda, importantes líderes socialistas do país, protagonistas das lutas do movimento operário e sindical brasileiro. Não deixe também de compartilhar e acompanhar os próximos episódios! Entrevistadores: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco Roteiro: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Larissa Farias e Thompson Clímaco Produção: Ana Clara Tavares e Larissa Farias Edição: Josemberg Araújo e Thompson Clímaco Diretor da série: Thompson Clímaco Coordenadora geral do Vale Mais: Larissa Farias
  1. Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci
  2. Vale Mais #34: À frente dos negócios: a atuação das viúvas na direção de comércios de secos e molhados na cidade do Rio de Janeiro, por Jéssica Santanna
  3. Vale Mais #33: Jogo, logo existo: Futebol, conflito social e sociabilidade na formação da classe trabalhadora em Rio Grande, por Felipe Bresolin
  4. Vale Mais #32: Breve dicionário analítico sobre a obra de Edward Palmer Thompson, por César Queirós e Marcos Braga
  5. Vale Mais #31: Saraiva, Dantas e Cotegipe: baianismo, escravidão e os planos para o pós-abolição no Brasil, por Itan Cruz

Artigo “As mulheres na União dos Operários em Fábricas de Tecidos: atuações, obstáculos e negociações (Rio de Janeiro, 1926-1930)” – Isabelle Pires


O artigo intitulado “As mulheres na União dos Operários em Fábricas de Tecidos: atuações, obstáculos e negociações (Rio de Janeiro, 1926-1930)” de autoria de Isabelle Pires, doutoranda pelo PPGHIS/UFRJ e pesquisadora do LEHMT/UFRJ, foi publicado na revista Tempos Históricos.

Buscando contribuir para o debate sobre história das mulheres e sindicalismo, o texto analisa como as operárias têxteis partilharam dessa cultura sindical na União dos Operários em Fábricas de Tecidos e procuraram defender suas próprias pautas por dentro dos limites possíveis.

O artigo está disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/temposhistoricos/article/view/28459/21264


Crédito da imagem de capa: Jornal do Brasil. 25/10/1917. p. 7.

LMT #120: Vila Operária de Batatuba, Piracaia (SP) – Lilian Pires Staningher


Lilian Pires Staningher
Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Unicamp


A história da vila operária de Batatuba, fundada em 1942 pela Companhia de Calçados Bata em Piracaia (SP), é um exemplo significativo do processo de industrialização nesta região do país. Instalada às margens da malha ferroviária, uma herança da produção do café na região Bragantina, essa localização garantia a logística na produção e na distribuição de calçados, ao mesmo tempo que mantinha a vila distante dos centros urbanos e de mobilizações sindicais, facilitando assim o controle social dos trabalhadores.

Em 1939, estimulada pela política desenvolvimentista do governo Vargas, a indústria de calçados tcheca Bata planejou a construção de dez fábricas com vilas operária  espalhadas pelo país , sendo apenas quatro parcialmente construídas. A mais importante delas foi a Vila de Batatuba em Piracaia. Planejada para dez mil habitantes como um modelo híbrido industrial-rural, a fábrica da Bata já empregava quase mil operários em 1940. Uma parte significativa deles era composta de lavradores, majoritariamente negros, aos quais se somaram imigrantes vindos de áreas em conflito na Europa, particularmente os funcionários da matriz da empresa Bata e seus familiares.

Batatuba foi construída sob uma tipologia urbanística denominada “Plano da Cidade Ideal Bata”, desenvolvida durante o entreguerras, na sede da companhia de calçados em Zlìn, na Tchecoslováquia. O plano, pensado para ser uma sociedade industrial ideal, previa a construção de escolas primária e técnica, além de espaços destinados a esportes, saúde e lazer, alojamento para rapazes solteiros e uma centena de moradias para operários e  funcionários graduados, incluindo membro da família Bata. A vila também contava com uma extensa infraestrutura básica, com redes de distribuição elétrica, de água e de coleta de esgoto.

O complexo foi edificado baseado em uma arquitetura vernacular, exceto a casa do empresário tcheco, Jan Antonin Bata,  que assumiu o comando das empresas em 1932, após a morte de seu meio irmão, fundador e idealizador da companhia, Tomàs Bata. Sua residência foi construída no estilo modernista. O higienismo foi uma marca na urbanização das vilas Bata, com um padrão de casas isoladas nos lotes e intercaladas entre si, ensolaradas e bem ventiladas. O sistema construtivo aliava técnicas desenvolvidas localmente ao modelo urbanístico Bata, como um aspecto do modus operandi da empresa para otimização do uso de material e da mão de obra.


O desenho urbano de Batatuba, assim como em outros complexos Bata , estava intrinsecamente relacionado ao modelo de produção da indústria. Pretendia-se que desempenho do operário na produção estivesse vinculado às atividades dele fora do ambiente de trabalho, mantendo o trabalhador num processo contínuo de capacitação e controle.


Um exemplo eram as atividades esportivas impostas pela empresa que se refletiam diretamente nas relações entre as equipes de trabalho e na disciplina fabril. As hierarquias e relações de dependência internas à fábrica se reproduziam na Vila. Os cargos técnicos ou de gerência eram ocupados especialmente pelos europeus, que também eram os professores dos cursos técnicos da escola na vila, assim como moravam nas maiores residências.

A indústria calçadista em Batatuba, chegou a empregar cerca de dois mil trabalhadores, mas, apesar da existência da Vila e suas boas condições, a rotatividade na fábrica parece ter sido alta, em particular em seus primeiros anos de existência. Relatos de antigos operários indicam as dificuldades dos trabalhadores locais com as novas tecnologias e com o  sistema de controle social dentro e fora da fábrica, orientado por um rígido código de conduta. Os funcionários europeus também tiveram dificuldades de adaptação.  Muitos abandonaram a vila e migraram para países como Canadá e Estados Unidos , ou retornaram para a Europa após o final da 2ª Guerra.

A Bata transformou a base econômica do município de Piracaia, tornando-a um dos principais polos industriais calçadistas do país até o final dos anos 1990. Muitas das pequenas fábricas de calçados que ainda resistem foram fundadas por antigos funcionários graduados da Bata. Após as mortes de Jan Antonin em 1965, e de seu filho, Jan Thomas quase uma década depois, a empresa sofreu um forte abalo administrativo, que foi agravado pela maior concorrência local, levando a empresa a um pedido de sua falência em 1983.

A vila, há quarenta anos sub judice devido ao processo de falência, ainda se encontra preservada em quase a totalidade de seu conjunto arquitetônico. Apesar da pouca manutenção nas edificações, como exemplo parte dos galpões das fábricas que se encontram quase em ruínas, este complexo fabril mantém o uso primário das construções, imóveis locados e administrados pela massa falida, tendo como locatários antigos funcionários ou seus filhos, mas também novos moradores e comerciantes.

Em 2007, o plano diretor municipal reconheceu a importância do conjunto e orientou para preservação da vila operária, bem como da história dos trabalhadores locais.  Em 2012, com a forte pressão do setor imobiliário, o poder público alterou a lei, sendo retirada a proteção municipal. Desde então, algumas ações de resgate e visibilidade para salvaguarda deste patrimônio industrial, como eventos culturais e as celebrações de Primeiro de Maio têm sido realizadas pela sociedade civil local, o que resultou na abertura de um processo de Tombamento pelo CONDEPHAAT em 2018, que ainda não foi concluído.

Vila operária, com campo de futebol e quadra de tênis abaixo, moradias operárias acima, com hotel para solteiros no alto à direita, cinema e escola à esquerda (Foto; arquivo antiga fábrica de Batatuba)

Para saber mais:

  • ARCHANJO, F. M. O Mundo Compreenderá – A História de Jan Antonin Bata – O Rei do Calçado. Gráfica Editora Aurora Ltda., Rio de Janeiro, 1951.
  • BATA, J.A. A Study of Migration. Batatuba, 1951 Disponível em: <http://digilib.k.utb.cz/handle/10563/26346>.
  • BOTAS, N. C. A.; KOURY, A. P. A. Cidade Industrial Brasileira e a Política Habitacional na era Vargas (1930-1954). Urbana, v. 6, n. 8, 2014.
  • COSTA, Georgia Carolina Capistrano Da. As cidades da Companhia Bata (1918-1940) e de Jan Antonin Bata (1940-1965): relações entre a experiência internacional e a brasileira. Tese de Doutorado, Universidade de São Paulo, 2012. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/102/102132/tde-24012013-154637/
  • STANINGHER, L.P. Batatuba: Vila Industrial da Companhia de Calçados Bata no interior de São Paulo – 1942. (Mestrado em História) Universidade Estadual de Campinas. 2018. Disponível em: https://1library.org/document/zg8103vy-batatuba-vila-industrial-companhia-calcados-interior-sao-paulo.html

Crédito da imagem de capa: Operários no interior da fábrica de calçados, década de 1940 (Foto; arquivo antiga fábrica de Batatuba)


MAPA INTERATIVO

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Lugares de Memória dos Trabalhadores

As marcas das experiências dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros estão espalhadas por inúmeros lugares da cidade e do campo. Muitos desses locais não mais existem, outros estão esquecidos, pouquíssimos são celebrados. Na batalha de memórias, os mundos do trabalho e seus lugares também são negligenciados. Nossa série Lugares de Memória dos Trabalhadores procura justamente dar visibilidade para essa “geografia social do trabalho” procurando estimular uma reflexão sobre os espaços onde vivemos e como sua história e memória são tratadas. Semanalmente, um pequeno artigo com imagens, escrito por um(a) especialista, fará uma “biografia” de espaços relevantes da história dos trabalhadores de todo o Brasil. Nossa perspectiva é ampla. São lugares de atuação política e social, de lazer, de protestos, de repressão, de rituais e de criação de sociabilidades. Estátuas, praças, ruas, cemitérios, locais de trabalho, agências estatais, sedes de organizações, entre muitos outros. Todos eles, espaços que rotineiramente ou em alguns poucos episódios marcaram a história dos trabalhadores no Brasil, em alguma região ou mesmo em uma pequena comunidade.

A seção Lugares de Memória dos Trabalhadores é coordenada por Paulo Fontes.

Vozes Comunistas #19: Julieta Battistioli


Vale Mais é o podcast do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ, que tem como objetivo discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da história social do trabalho.

“Vozes comunistas” é uma série especial do Vale Mais, podcast do LEHMT/UFRJ. Entre março de 2022 e março de 2023 homenageamos o centenário do Partido Comunista Brasileiro (PCB) com a divulgação de trechos de entrevistas de antigos sindicalistas, lideranças operárias e camponesas ou mesmo trabalhadores/as de base que contam um pouco da história do PCB e sua importância para a história do trabalho no Brasil.
Em nosso décimo nono episódio apresentamos trechos de uma entrevista com a operária têxtil Julieta Battistioli. Nascida em Palmares do Sul, cidade próxima à Porto Alegre, migrou para a capital ainda nova e sempre morou em bairros operários. Começou a trabalhar como tecelã aos 13 anos de idade e com o tempo projetou-se como uma importante liderança dentro da fábrica e, inclusive, no bairro, além de iniciar uma ativa militância no Partido Comunista, sobretudo a partir da redemocratização e do período de legalidade experienciado pela legenda. Julieta fazia parte da célula comunista Olga Benário e, em 1947, foi eleita para a Câmara Municipal de Porto Alegre como suplente do metalúrgico Eloi Martins. No trecho que ouviremos, ela fala sobre o momento em que desrespeitou uma ordem do partido e, consequentemente, foi “escrachada” nas páginas do periódico Tribuna Gaúcha, além de expulsa do partido. Essa voz comunista é apresentada pelo historiador Guilherme Nunes.

Projeto e execução: Ana Clara Tavares, Felipe Ribeiro, Larissa Farias e Paulo Fontes
Apoio: Centro de Documentação e Imagem da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Agradecemos às instituições e pesquisadores que gentilmente colaboraram com nosso projeto

Referência da entrevista: Entrevista Julieta Battistioli, 1990. Entrevistador: Francisco Carvalho Júnior. Núcleo de Pesquisa em História da UFGRS- NPH.

Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci Vale Mais

Está no ar o sétimo episódio da nova temporada do Vale Mais, o podcast do LEHMT-UFRJ. Nessa temporada, convidamos pesquisadores para discutir livros e teses recentes que aprofundam debates interdisciplinares sobre os mundos do trabalho. No sétimo episódio, conversamos com Aldrin Armstrong Silva Castellucci, professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e autor do livro Entre o socialismo e o corporativismo: trajetórias de quatro líderes do movimento operário no Brasil (1871–1963). A obra reconstrói as trajetórias de Evaristo de Moraes, Agripino Nazareth, Joaquim Pimenta e Maurício de Lacerda, importantes líderes socialistas do país, protagonistas das lutas do movimento operário e sindical brasileiro. Não deixe também de compartilhar e acompanhar os próximos episódios! Entrevistadores: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco Roteiro: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Larissa Farias e Thompson Clímaco Produção: Ana Clara Tavares e Larissa Farias Edição: Josemberg Araújo e Thompson Clímaco Diretor da série: Thompson Clímaco Coordenadora geral do Vale Mais: Larissa Farias
  1. Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci
  2. Vale Mais #34: À frente dos negócios: a atuação das viúvas na direção de comércios de secos e molhados na cidade do Rio de Janeiro, por Jéssica Santanna
  3. Vale Mais #33: Jogo, logo existo: Futebol, conflito social e sociabilidade na formação da classe trabalhadora em Rio Grande, por Felipe Bresolin
  4. Vale Mais #32: Breve dicionário analítico sobre a obra de Edward Palmer Thompson, por César Queirós e Marcos Braga
  5. Vale Mais #31: Saraiva, Dantas e Cotegipe: baianismo, escravidão e os planos para o pós-abolição no Brasil, por Itan Cruz

Os mundos do trabalho e a Independência do Brasil


Está no ar o novo número da Revista Latinoamericana de Trabajo y Trabajadores, a edição traz uma secção de debates com a temática “Os mundos do trabalho e a Independência do Brasil”. Os textos apresentam uma ampla e inovadora agenda de pesquisas em curso sobre a diversidade de trabalhadores (livres e escravizados) nas lutas independentistas e sobre o lugar dos trabalhadores no processo de independência e em sua historiografia. A coletânea é um desdobramento da série “Mundos do Trabalho e Independência”, que foi realizada no último ano com produção do LEHMT-UFRJ, em parceria com o LEDDES –UERJ e com o Laboratório de Pesquisas em Conexões Atlânticas – PUC-Rio. A organização ficou a cargo de Felipe Azevedo e Souza (PUC-Rio) e Renata Moraes (UERJ), com o apoio de Thompson Clímaco (LEHMT-UFRJ) e Natalia Almeida (LEHMT-UFRJ).

Confira no link: https://revista.redlatt.org/revlatt/article/view/71/53

Vozes Comunistas #18: Joaquim Batista Neto



Vale Mais é o podcast do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ, que tem como objetivo discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da história social do trabalho.

“Vozes comunistas” é uma série especial do Vale Mais, podcast do LEHMT/UFRJ. Entre março de 2022 e março de 2023 homenageamos o centenário do Partido Comunista Brasileiro (PCB) com a divulgação de trechos de entrevistas de antigos sindicalistas, lideranças operárias e camponesas ou mesmo trabalhadores/as de base que contam um pouco da história do PCB e sua importância para a história do trabalho no Brasil.
Em nosso décimo oitavo episódio apresentamos trechos de uma entrevista com Joaquim Batista Neto. Migrante cearense no Rio de Janeiro, Batista Neto entrou para o PCB no início dos anos 1930, quando trabalhava no Moinho Fluminense. Em 1938 tornou-se operário do Arsenal da Marinha, onde se destacou como liderança sindical. Foi eleito deputado constituinte pelo PCB em 1945. No trecho que ouviremos, ele fala sobre sua campanha eleitoral e atuação na Constituinte de 1946, além de relatar suas desavenças com o partido após a ilegalidade e cassação dos mandatos dos parlamentares no final dos anos 1940. Essa voz comunista é apresentada por Sérgio Braga, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Projeto e execução: Ana Clara Tavares, Felipe Ribeiro, Larissa Farias e Paulo Fontes
Apoio: Centro de Documentação e Imagem da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Agradecemos às instituições e pesquisadores que gentilmente colaboraram com nosso projeto

Referência da entrevista: Entrevista Joaquim Batista Neto, 1987. Núcleo de Documentação e Laboratório de Pesquisa Histórica (NUDOC) da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci Vale Mais

Está no ar o sétimo episódio da nova temporada do Vale Mais, o podcast do LEHMT-UFRJ. Nessa temporada, convidamos pesquisadores para discutir livros e teses recentes que aprofundam debates interdisciplinares sobre os mundos do trabalho. No sétimo episódio, conversamos com Aldrin Armstrong Silva Castellucci, professor da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e autor do livro Entre o socialismo e o corporativismo: trajetórias de quatro líderes do movimento operário no Brasil (1871–1963). A obra reconstrói as trajetórias de Evaristo de Moraes, Agripino Nazareth, Joaquim Pimenta e Maurício de Lacerda, importantes líderes socialistas do país, protagonistas das lutas do movimento operário e sindical brasileiro. Não deixe também de compartilhar e acompanhar os próximos episódios! Entrevistadores: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Josemberg Araújo, Larissa Farias e Thompson Clímaco Roteiro: Ana Clara Tavares, Isabelle Pires, Larissa Farias e Thompson Clímaco Produção: Ana Clara Tavares e Larissa Farias Edição: Josemberg Araújo e Thompson Clímaco Diretor da série: Thompson Clímaco Coordenadora geral do Vale Mais: Larissa Farias
  1. Vale mais #35: Entre o socialismo e o corporativismo, por Aldrin Castellucci
  2. Vale Mais #34: À frente dos negócios: a atuação das viúvas na direção de comércios de secos e molhados na cidade do Rio de Janeiro, por Jéssica Santanna
  3. Vale Mais #33: Jogo, logo existo: Futebol, conflito social e sociabilidade na formação da classe trabalhadora em Rio Grande, por Felipe Bresolin
  4. Vale Mais #32: Breve dicionário analítico sobre a obra de Edward Palmer Thompson, por César Queirós e Marcos Braga
  5. Vale Mais #31: Saraiva, Dantas e Cotegipe: baianismo, escravidão e os planos para o pós-abolição no Brasil, por Itan Cruz

Livro: Uma cidade em Preto e Branco: Relações Raciais, Trabalho e Desenvolvimentismo em Volta Redonda (1946-1988), de Leonardo Ângelo


 Foi lançado o livro “Uma cidade em Preto e Branco: Relações Raciais, Trabalho e Desenvolvimentismo em Volta Redonda (1946-1988)”, de autoria de Leonardo Ângelo da Silva, Doutor em História pela UFRRJ e pesquisador do LEHMT-UFRJ. O livro trata da classe trabalhadora da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), um dos símbolos das mudanças implementadas pela era Vargas. Para a produção na fábrica a CSN interligava matérias-primas e mão de obra de vários estados (MG, SC, SP e RJ), nos revelando um complexo, e se o polo produtor de aço era a localidade de Volta Redonda o discurso de família siderúrgica e paz social abrangia todos as localidades da empresa. Modernidade e progresso são discursos constantes mesmo em tempo de Ditadura, contudo, que outras constantes poderiam ser levantadas para uma empresa iniciada há 53 anos da abolição?

Revisitando o período e as produções é que o autor evidencia a raça-cor da classe trabalhadora e para tanto se utiliza de fotos e periódico da própria CSN, além de entrevistas com personagens da CSN. Assim, se como classe os trabalhadores tiveram acesso à educação e melhores salários, foi como trabalhadores negros que foram excluídos dos clubes da própria fábrica ou inseridos em áreas mais insalubres. A combinação entre raça e classe deixa mais evidente os laços entre o pós-abolição e os mundos do trabalho.

Para adquirir a obra:

Amazon: https://a.co/d/6aDHCqV
Editora Appris: https://www.editoraappris.com.br/produto/6657-uma-cidade-em-preto-e-branco-relaes-raciais-trabalho-e-desenvolvimento-em-volta-redonda-1946-1988

História social das favelas e dos trabalhadores favelados em Belo Horizonte – Samuel Oliveira


Samuel Oliveira, professor do CEFET-RJ e pesquisador do LEHMT-UFRJ, publicou três artigos e participou de um podcast sobre a história urbana de Belo Horizonte e dos trabalhadores favelados.


Em “O ‘desfavelamento’ em Belo Horizonte: política urbana, habitação popular e assistência social”, pela Revista de História Regional, “A imaginação da informalidade urbana e dos trabalhadores no Rio de Janeiro e Belo Horizonte: uma análise dos censos de favelas”, pela Topoi, e “Relações raciais e movimento dos trabalhadores favelados”, pela Varia História, enfatiza-se as políticas urbanas para as favelas na capital de Minas Gerais no pós-guerra e a formação de uma consciência de classe e raça no movimento social dos “trabalhadores favelados” nos anos 1950 e 1960.


No podcast Urbanidades, coordenado pelo Urban-Data Brasil e Centro de Estudos da Metrópole da Universidade de São Paulo (CEM-USP), abordou juntamente com a Prof.Dra Josemeire Alves as relações entre espaço urbano e apagamento da memória negras na cidade.

Links:

“As políticas de ‘desfavelamento’ em Belo Horizonte”. Revista de História Regional. Disponível em: https://revistas.uepg.br/index.php/rhr/article/view/20067. Acesso em 23 nov.2022.

“A imaginação da informalidade urbana e dos trabalhadores no Rio de Janeiro e Belo Horizonte”. Topoi. Disponível em: https://www.scielo.br/j/topoi/a/3VSkJtdmd8xTGrsjbWNZNff/abstract/?lang=en. Acesso em 23 nov.2022.

“Relações raciais e movimento dos trabalhadores favelados. Varia História. Disponível em: https://www.scielo.br/j/vh/a/HT4DqkrwJxq7JGSLnWLhfYF/. Acesso em 23 nov.2022.

Podcast #77 Memória e Esquecimento nas favelas em Belo Horizonte. Disponível em:
https://open.spotify.com/episode/6nKa14SfAwb9cOtXvoTEb8?si=1b9de79b1b414826&nd=1. Acesso em 23 nov.2022.


Créditos da imagem de capa:  Jornal O Barraco, órgão da Federação dos Trabalhadores Favelados de Belo Horizonte. ARQUIVO PÚBLICO MINEIRO. Fundo Polícia Política. Pasta 0119.

O PCB e os mundos do trabalho


Acaba de ser publicado o dossiê “O PCB e os mundos do trabalho”, organizado pelo coordenador do LEHMT/UFRJ, Paulo Fontes e por Edilene Toledo (UNIFESP). O dossiê faz parte do número completo do volume 14 (2022) da Revista Mundos do Trabalho. São 12 artigos, além da apresentação feita pelos organizadores. Temas como a participação do partido em eleições, relações raciais e de gênero, trajetórias militantes e a atuação dos comunistas em sindicatos e comunidades operárias específicas compõem um rico e diversificado mosaico de resultados das pesquisas inovadoras sobre a relação entre o PCB e as experiências de trabalhadores/as ao longo do século XX. Um dos artigos publicados, “O médico, a fé e os operários: militância comunista entre traumas, interditos e narrativas históricas” é de autoria de Felipe Ribeiro, professor da UESPI e pesquisador do LEHMT/UFRJ. Esse número da Revista Mundos do Trabalho conta ainda com uma resenha do livro A Cidade que Dança de Leonardo Pereira, escrita por Isabelle Pires, doutoranda do PPGHIS/UFRJ e pesquisadora do LEHMT/UFRJ.

Link para o volume: https://periodicos.ufsc.br/index.php/mundosdotrabalho/index

Livro “Trabalhadoras e trabalhadores: capítulos de história social”, organizado por Fabiane Popinigis e Deivison Amaral.

Em outubro de 2022, foi lançado o livro Trabalhadoras e Trabalhadores: capítulos de história social, organizado por Fabiane Popinigis e Deivison Amaral. Fabiane Popinigis é professora e atualmente coordenadora do Programa de Pós-graduação em História da UFRRJ e pesquisadora associada do LEHMT-UFRJ. Deivison Amaral é professor da PUC-Rio e pesquisador do LEHMT-UFRJ.

A variedade do conjunto de artigos e pesquisas reunidas no livro faz jus à expansão, diálogo e qualidade do campo da história social do trabalho nas últimas décadas. Na orelha do livro, Paulo Fontes, coordenador do LEHMT, afirma que “a estupenda expansão temática e cronológica desta área (…) permitiu incorporar e articular decidida e prioritariamente a escravidão, as relações étnico-raciais, de gênero e a história urbana no coração da disciplina. Temas até pouco tempo raramente associados à história do trabalho, como o trabalho indígena, são objetos de pesquisas instigantes e inovadoras.”

Os capítulos tratam do 1) trabalho dos povos indígenas; 2) gênero, escravidão e liberdade; 3) trabalhadores, política e cidades; 4) desigualdades e os desafios dos mundos do trabalho; 5) além do bônus que é a conferência da historiadora e ativista Eileen Boris. As autorias: Adriano Duarte, Ayalla Silva, Eileen Boris, Gabriela Sampaio, Gláucia Fraccaro, Hélio da Costa, Henrique Espada Lima, Inés Pérez, Juliana B. Farias, Karine Damasceno, Maria L. Ugarte Pinheiro, Mariana Dias Paes, Paula Zagalsky, Rafael Soares Gonçalves e Vânia Losada Moreira.