Contribuição especial #11: Os mundos do trabalho da informalidade urbana: contribuições de Luiz Antonio Machado da Silva – Marcella Araujo

Marcella Araujo¹

No último dia 21 de setembro, aos 79 anos, Luiz Antonio Machado da Silva nos deixou. Professor do Departamento de Sociologia da UFRJ (1986-2011) e do Iesp/Uerj (antigo IUPERJ, 1974-2020), Machado foi um dos grandes nomes dos estudos urbanos brasileiros. Na sua particular condição de “sociopólogo”, como preferia se definir, ele se dedicou aos estudos do trabalho, das condições de vida e da política das camadas populares urbanas. Escreveu sobre o significado do botequim, a política na favela, os movimentos sociais urbanos, a criminalidade violenta e a informalidade do trabalho. Seus textos sobre este último tema foram recentemente compilados no livro O mundo popular: trabalho e condições de vida.

Luiz Antonio Machado da Silva se formou em Sociologia e Política na PUC- Rio, em 1964, tendo feito especialização em Ciências Sociais na Universidade Federal da Bahia, sob orientação da Professora Maria Azevedo Brandão. Ingressou na segunda turma do Mestrado em Antropologia Social do Museu Nacional, em 1968, e três anos mais tarde defendeu a dissertação intitulada Mercados metropolitanos de trabalho manual e marginalidade. Doutorou-se em Sociologia na Rutgers University nos Estados Unidos, com a tese Lower Class Life Strategies: A Case Study of Working Families in Recife’s (Brazil) Metropolitan Area, em 1979, sob orientação do Professor Irving Horowitz.

 Sua dissertação de mestrado foi inovadora à época da sua defesa. O original se perdeu no incêndio do Museu Nacional, ocorrido em setembro de 2018, e só veio a público de maneira integral em O mundo popular. Como Machado mesmo disse em uma das reuniões de seleção dos textos que comporiam o livro, ele “desde sempre e para sempre, falou da marginália urbana”. O processo de marginalização dos trabalhadores migrantes que chegavam às grandes cidades brasileiras, nos anos 1960, e não conseguiam postos de trabalho assalariados nas fábricas foi o tema da sua primeira pesquisa sistemática. Como ele escreveria mais tarde, “analisar as dificuldades e distorções da incorporação dos trabalhadores ao processo produtivo em contextos onde o assalariamento era pouco generalizado” era a grande preocupação da sociologia latino-americana, quando ele cursava o mestrado.

Ao contrário de expoentes da sociologia do desenvolvimento, Machado adotou “como perspectiva, a posição dos próprios trabalhadores”, para, a partir das condições do mercado de trabalho, discutir os modos diferenciados de inserção no sistema capitalista. Essa estratégia metodológica pretendia reparar a “falta de vivência da realidade estudada” dos tantos modelos teóricos sobre o capitalismo periférico. Como membro de equipes de programas de “promoção de melhorias habitacionais”, Machado percorreu dezenas de favelas, “o coração ecológico da marginalidade”, no Rio de Janeiro e em outros estados, realizando as entrevistas e observações participantes que lhe permitiriam refutar teses em voga naquele momento.

Favela da Catacumba nos anos 1960. Fotografia de Anthony Leeds.
Acervo da FIOCRUZ, Rio de Janeiro.

Na dissertação, Machado agrupou diferentes autores da literatura sobre a marginalidade urbana em três modelos. O primeiro, marxista mais clássico, faria suas análises a nível do modo de produção e buscaria criticar como as relações de produção determinariam a estrutura social. O segundo modelo partiria da organização técnica da produção e setorizaria as atividades econômicas em modernas e tradicionais. O terceiro e último modelo, por sua vez, se situaria ao nível do processo de modernização e enfatizaria a carência de integração dos trabalhadores não assalariados. Os segmentos de trabalhadores marginais seriam, então, ora residuais, parte do exército de reserva que se reduziria conforme a industrialização avançasse, ora disfuncionais, improdutivos ou não integrados ao assalariamento e ao estilo de vida urbano.

Visto da perspectiva do trabalhador e de seus esforços para obter e manter empregos, o mercado de trabalho se diferenciaria em torno de dois tipos de empregadores: as firmas e os clientes. Com as primeiras, a subordinação se daria pelo controle das jornadas de trabalho e, com os segundos, pela necessidade de cultivo das relações. Problematizando categorias de classificação das estatísticas oficiais, o conceito de valor-trabalho e os enquadramentos jurídicos então existentes, Machado denominou os dois segmentos de mercado por oposição: mercado formalizado (MF) e mercado não formalizado (MNF). De maneira inovadora, reconheceu a institucionalização de ambos os segmentos, mas os diferenciou pelo grau de flexibilidade nas relações de trabalho: no MF, o controle do tempo e o valor do trabalho estavam regulados por contratos, ao passo que, no MNF, clientes, preços e tempo eram administrados pelo próprio trabalhador.

Deslocando, então, seu olhar para a racionalidade dos trabalhadores na manipulação de suas chances de mercado, Machado lançou atenção à experiência cotidiana e ao uso do tempo. Esse ângulo lhe permitiu “enfocar uma série de relacionamentos de cunho econômico, que ficariam obscurecidos por uma abordagem mais formal do tempo útil do trabalho”. Muitas relações sociais, como as ajudas, as amizades e as relações de vizinhança, assumiam, no cotidiano dos trabalhadores, significado econômico. E não raro a separação do tempo de trabalho e do tempo livre encobria prolongamentos de jornadas. Na “conta corrente de favores” cotidiana, o indivíduo que vendia sua força de trabalho aparecia integrado a uma unidade social maior, que alocava pessoas, tempos e dinheiros segundo estratégias próprias. Como Machado descreve, aposentadorias e férias eram, muitas vezes, empregadas na criação de pequenos negócios ou na compra de instrumentos de trabalho para prestação de serviços por conta própria que ficavam sob o encargo de parentes. Por seu papel de administradora do ganho da vida, Machado tomou então a família como uma “unidade econômica básica”. Em seu seio, estariam conciliadas atividades e rendimentos oriundos do MF e do MNF.

Se, por um lado, as dinâmicas de cada um desses segmentos de mercado eram distintas nos anos 1960, por outro lado, existia um “continuum de empregos”, com três importantes articulações entre eles. Não só a entrada no mercado de trabalho se dava massivamente pelo mercado não formalizado, como havia transferência frequente entre o assalariamento e o trabalho por conta própria, além de conciliação das duas situações de trabalho dentro da família. Além da inovação da estratégia metodológica, esse argumento fez importante contribuição na época. No campo da sociologia brasileira, a tese do “continuum de empregos” criticou a oposição entre assalariamento e trabalho por conta própria. O “desejo de independência”, suposta reminiscência cultural dos migrantes rurais que chegavam às grandes cidades, seria, se analisadas as experiências cotidianas dos trabalhadores, uma forma de obtenção de renda complementar e subordinada ao assalariamento. Se a dissertação tivesse circulado internacionalmente, Machado antecederia em dois anos a discussão levantada pelo antropólogo Keith Hart em seu famoso artigo “Informal Income Opportunities and Urban Employment in Ghana”.

Após a defesa da dissertação, Machado continuou estudando condições de trabalho e estratégias de vida das camadas populares urbanas, no Rio e em outras cidades. Foi membro da equipe da pesquisa Mudança Social no Nordeste, coordenada pelo antropólogo Moacir Palmeira, e escreveu sobre pequenos negócios e as formas de subordinação nas relações não assalariadas. Em 1978, organizou a coletânea Estratos ocupacionais de baixa renda, com artigos sobre o cotidiano de trabalho de empregadas domésticas, costureiras, pedreiros, balconistas e ambulantes, os cinco segmentos que concentravam o maior número de trabalhadores com renda igual ou inferior a dois salários mínimos. Em 1984, organizou a publicação Condições de vida das camadas populares (série Debates Urbanos do Iuperj), tomando as famílias trabalhadoras como unidades de análise das escolhas feitas pelos indivíduos no mercado de trabalho.

Após um período dedicado ao tema da violência urbana, Machado voltou a discutir a informalidade em seu artigo “Da informalidade à empregabilidade (reorganizando a dominação no mundo do trabalho)”, publicado originalmente em 2002 e republicado em O mundo popular. Preocupado com o desmanche do assalariamento como regime de integração social (mais do que como contrato de trabalho), Machado fez uma importante revisão teórica da discussão acumulada sobre o problema do desenvolvimento. De categoria residual que abarcava todas as formas não assalariadas, quando escreveu sua dissertação, a informalidade teria se tornado uma categoria vazia, que, no início do século XXI, englobava realidades tão diversas como o bom e velho trabalho por conta própria, o empreendedor de classe média e novas formas de terceirização.

A perspectiva teórica que enfatiza as experiências e as culturas de trabalho, caras aos historiadores, não forneceu elementos fundamentais apenas para a compreensão da industrialização e urbanização no período nacional-desenvolvimentista.  Frente a tantas transformações recentes no mundo do trabalho, cabe repensar a atualidade da discussão sobre a marginalização feita por Machado. Ainda que a informalidade tenha encontrado certa inércia, nas últimas décadas, com gerações de trabalhadores entrando, se capacitando e se mantendo ao longo da vida no mercado não formalizado, como apontou o sociólogo Adalberto Cardoso, o modelo de análise de Machado continua válido cinquenta anos depois. A atenção ao cotidiano e o recorte da família como unidade econômica são pilares de uma perspectiva analítica profícua para a compreensão das condições de trabalho contemporâneas. Hoje, em meio a tantas transformações, com o empresariamento e a pejotização dos trabalhadores, voltar a investigar os usos do tempo e a “conta corrente de favores” das famílias trabalhadoras talvez seja um caminho para os estudos contemporâneos sobre os mundos do trabalho da informalidade urbana.

¹ Professora do Departamento de Sociologia da UFRJ

Referências bibliográficas

CARDOSO, Adalberto, 2013. Ensaios de sociologia do mercado de trabalho brasileiro. Rio de Janeiro: Editora FGV.

HART, Keith. Informal Income Opportunities and Urban Employment in Ghana. The Journal of Modern African Studies, Vol. 11, No. 1 (Mar., 1973), pp. 61-89.

MACHADO DA SILVA, Luiz Antonio (org.), 1978. Estratos ocupacionais de baixa renda. Rio de Janeiro:Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, EdUCAM.

_______, 1984. Introdução. Em: Condições de Vida das Camadas Populares. Rio de Janeiro: Zahar Editora.

________, 2002. Da Informalidade à Empregabilidade: Reorganizando a Dominação no Mundo do Trabalho. Cadernos do CRH, 37(37), pp. 81-109.

________, 2018; CAVALCANTI, M., MOTTA, E. e ARAUJO, M. (org.). O mundo popular: trabalho e condições de vida. Rio de Janeiro: Papéis Selvagens.

PALMEIRA, Moacir (org.), 1979. Mudança social no Nordeste: reprodução da subordinação (estudo de trabalhadores urbanos). Rio de Janeiro: Paz e Terra.

Crédito da foto de capa: Luiz Antonio Machado da Silva, em 2011. Fotografia de Alexandre Werneck.

Artigo “Favelas e a história urbana do Rio de Janeiro e Belo Horizonte” – Samuel Oliveira

O artigo, publicado por Samuel Oliveira na Revista de História Comparada (volume 14, número 1), analisa a formação das favelas no Rio de Janeiro e Belo Horizonte entre as décadas de 1890 e 1920.

A análise compara o surgimento do topônimo “favela” para nomear a pobreza urbana nas duas cidades, compreendendo como as reformas urbanas e as transformações sociais do início do século XX afetaram as relações de classe e raça no cotidiano das duas cidades. A palavra “favela” designava um estigma social imputado aos trabalhadores que enfrentavam condições adversas para estabelecer suas moradias no espaço urbano.

Fonte: BACKHAUSER, Everaldo. “Onde moram os pobres?”. Renascença. Rio de Janeiro, 13/03/1905. p. 90- 91.

Samuel Oliveira é pesquisador do LEHMT-UFRJ e professor no CEFET-RJ e possuí vários trabalhos enfocando a história social das favelas e a política urbana ao longo do século XX.

Link do artigo disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/RevistaHistoriaComparada/article/view/34572

Crédito da imagem de capa: MELLO, Thiz G. Antiga “Favella” de 1897, [1896-1897], Fotografia em Gelatina, 16,6 x 23 cm. Museu Histórico Abílio Barreto. Fundo Comissão Construtora da Nova Capital. CCFot1896010.             

Pesquisadores publicam dossiê sobre trabalho têxtil no Brasil

Um dos setores pioneiros na industrialização brasileira se tornou tema de um dossiê na Revista Tempo & Argumento em sua mais nova edição (volume 12, número 30, 2020). Traçando conexões com a atualidade, como o setor têxtil de vestuário jeans no agreste pernambucano – retratado no filme “Estou me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar” – mas mergulhando no passado das fábricas de tecido pelo país afora, o dossiê convida leitoras e leitores a visitarem instigantes histórias do trabalho têxtil no afã de estimular reflexões sobre as precárias relações de trabalho que se anunciam no presente.

Organizado pelos professores Murilo Leal Pereira Neto (da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP e pesquisador associado do LEHMT-UFRJ), Lucas Porto Marchesini Torres (Visiting Scholar na Duke University) e Felipe Ribeiro (da Universidade Estadual do Piauí – UESPI e pesquisador do LEHMT-UFRJ), o dossiê “Estudos recentes sobre os mundos do trabalho têxtil no Brasil” reúne seis artigos que oferecem uma visão ampla e rica dos mundos do trabalho no país ao longo do século XX, seja pela variedade de regiões estudadas, pela amplitude das fontes pesquisadas, como também pelas temáticas abordadas, como trabalho infantil e feminino, sociabilidades e festividades, condições de trabalho e tensões entre operários e administração fabril, além de processos de desindustrialização. Além dos seis artigos, o dossiê também traz importante entrevista com o antropólogo José Sérgio Leite Lopes (UFRJ), autor de obras que inspiram muitas das pesquisas que abastecem o dossiê, além de outras tantas. Vale a pena conhecer a “tecelagem” desse antropólogo do trabalho.

Para conferir o novo número da Revista Tempo & Argumento, basta acessar: https://doi.org/10.5965/2175180312302020

Crédito da imagem de capa: Capa da Revista Tempo & Argumento v.12 n.30 (2020)

História do trabalho é destaque em reportagem do Globo Esporte sobre jogador operário

Está em pauta o debate sobre posicionamento político de atletas, em variadas modalidades esportivas. O piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton, por exemplo, tem ocupado um papel de destaque na luta contra o racismo a cada corrida aos domingos, enfrentando várias tentativas de proibição às suas manifestações. Já a jogadora de vôlei Carol Solberg será julgada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por ter se posicionado de forma crítica ao presidente da República durante o circuito brasileiro da modalidade. Antenado a essas questões do presente e inspirado na instigante trajetória de um jogador de futebol que também foi líder operário, o repórter do Globo Esporte Brenno Costa apresentou a saga de Eugenio Chemp, um goleador russo que se destacou no São Paulo, Botafogo e Náutico, também como metalúrgico, dirigente sindical e militante comunista, sendo perseguido pela ditadura militar brasileira.

Para a elaboração dessa reportagem especial, publicada em texto no site do GE e em podcast no programa Embolada, Brenno Costa contou com a colaboração de historiadoras e historiadores sociais do trabalho que se depararam com a trajetória de Eugenio Chemp em suas pesquisas, além de reunir inúmeros documentos importantes sobre ele. Assim, o repórter conseguiu articular histórias marcantes do esporte e da política na vida desse atleta operário.  

O professor Felipe Ribeiro (da Universidade Estadual do Piauí – UESPI e pesquisador do LEHMT-UFRJ) relatou sobre uma entrevista concedida por um antigo tecelão e jogador do Andorinhas Futebol Clube, que mencionou a passagem de Eugenio Chemp como operário de uma fábrica de tecidos em Magé/RJ, quando também atuou no time dos trabalhadores locais, em meados da década de 1940, logo após sua saída do futebol profissional por conta de polêmicas sobre seu registro de estrangeiro no Brasil.  

Já Murilo Leal Pereira Neto (professor da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP e pesquisador associado do LEHMT-UFRJ) ressaltou a atuação de Chemp no sindicato dos metalúrgicos de São Paulo nas décadas de 1950 e 60, quando tornou-se dirigente da entidade e líder da categoria, com presença marcante em assembleias, greves e artigos publicados em jornais operários da época.

Larissa Rosa Correa (professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio e pesquisadora associada do LEHMT-UFRJ) destacou a participação de Eugenio Chemp na “Greve dos 700 mil”, ocorrida em 1963 e que foi decisiva para o fortalecimento do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), organização intersindical bastante atuante em diversas lutas trabalhistas no período. Com o golpe de 1964, porém, a vida de Chemp e seus companheiros sofreu um duro revés, contexto que também foi abordado pela reportagem em uma entrevista inédita com Rosana Maria Chemp, filha de Eugenio.

Para conferir a reportagem publicada no site do Globo Esporte:

A versão podcast está disponível na plataforma Spotify:

Crédito da imagem de capa: Reprodução – montagem da equipe do Globo Esporte (Recife/PE)

Chão de Escola #04: Aprender História na Formação Profissional: a relação entre a disciplina de História e o Ensino Médio integrado ao Técnico

Autora:Denize Carolina Auricchio Alvarenga da Silva
(Etec prof Carmine biagio tundisi, centro paula souza)

Apresentação da atividade

Segmento: Ensino de História e Educação Profissional

Unidade temática: Mundo do trabalho

Objeto de conhecimento: Historicidade do trabalho e sua importância na construção da identidade e cultura

Objetivos gerais:

– Entender a complexidade da categoria trabalho para o ser humano.

– Compreender elementos cognitivos, afetivos, físicos, sociais e culturais que constituem a identidade própria e a dos outros.

Duração da atividade: 16 aulas de 50 min

Aulas Planejamento
01, 02 e 03 Explicar atividade aos alunos, etapas e recursos a serem usados.
Gravar vídeo sobre ideia inicial de trabalho.
Leitura e discussão em sala de trechos do livro “Memória e sociedade, lembranças de velhos” de Ecléa Bosi.
04 e 05 Entrevistas sobre histórias pessoais relacionadas ao trabalho.
Compartilhamento de imagens selecionadas pelos alunos sobre o tema e trechos das entrevistas.
Discussão sobre história do trabalho.
06, 07 e 08Registro de atividades.
Pesquisa de temas.
Exposição do trabalho.

Conhecimento prévio:

– Noções básicas de períodos históricos.

Atividade

Atividade e recursos:


Recursos para o professor: Lousa, canetão/giz, data show, impressões.

Recursos para alunos: Computador, celular, revistas, fotografias, impressões, data show, caderno universitário, material para exposição de resultado final – podem ser utilizados painéis de cortiça da escola ou papel cartão, linha de nylon, quadro de ímãs, canetas coloridas, folhas e mesa.

Etapa 1: Explicar atividades aos alunos, etapas e recursos a serem usados. Gravar vídeo sobre ideia inicial de trabalho: Cada grupo de até cinco alunos deve gravar um vídeo, de aproximadamente 2 minutos, falando o que entendem por “trabalho”. A partir desses dados, iniciar uma discussão da origem dessas ideias ou percepções de trabalho e recolher as imagens trazidas pelos alunos. Leitura e discussão em sala de trechos do livro “Memória e sociedade, lembranças de velhos” de Ecléa Bosi. Neste livro, a autora entrevista pessoas com mais de setenta anos, em que muitos desses foram dedicados ao trabalho. São lembranças de residentes da cidade de São Paulo, que mostram quão determinante é o trabalho na vida das pessoas e a cultura a qual está inserido, e, segundo a autora, uma forma de vencer a barreira do tempo no conhecimento humano ouvindo o outro e perpetuando a sua experiência.

Etapa 2: Entrevistas sobre histórias pessoais relacionadas ao trabalho: a partir de um roteiro de entrevista, aplicar a um membro da família ou conhecido com questões relacionadas a lembranças e percepções do trabalho. Compartilhamento de imagens selecionadas pelos alunos sobre o tema e trechos das entrevistas.

Etapa 3: Produção coletiva da pesquisa até o momento – os alunos irão montar um caderno da sala, com trechos selecionados de entrevistas, imagens, impressões, entendimento sobre a história do trabalho e a memória associada ao trabalho. Os alunos deverão trabalhar coletivamente e redigir um texto, baseados nas aulas anteriores, sobre a relação do homem com o trabalho como abertura desse caderno coletivo. Após essa introdução, devem fazer registros mesclados de trechos das entrevistas e imagens com pequenas legendas. Ao final, devem deixar a pergunta: “E para você, o que é o trabalho?”

Pesquisa em grupo com os temas para breve seminário:

I. Construção da ideia de trabalho;
II. Trabalho escravo e análogo;
III. Revolução Industrial;
IV. Trabalho infantil;
V. Trabalho como Patrimônio;
VI. Precarização do trabalho e a lógica do empreendedorismo;

Além dos itens básicos a serem pesquisados (contextos, sujeitos, processos…), ao final os educandos deverão fazer uma relação do assunto com a sua habilitação técnica.

Montagem de painéis que reflitam o conjunto de atividades realizadas:

Material a ser exposto: Caderno Coletivo produzido pelos alunos com uma caneta anexa para o visitante responder a pergunta (E para você, o que é o trabalho?) após folhear o trabalho; Caderno de presença de visitação; Painel com a apresentação da atividade (tema e introdução) e Painel de fotos com legendas e trechos das entrevistas não identificadas e da pesquisa, relacionando-os (por exemplo, relacionar dados do trabalho infantil com trechos das entrevistas, a precarização do trabalho com as condições relatadas pelos alunos que têm trabalhos informais).

Percurso para o observador: A exposição pode contar em alguns dias ou horários pontuais (como em uma feira de trabalhos) com alunos da sala para apresentar o trabalho, em um sistema de rodízio de estudantes. Assim, podem convidar outros alunos, funcionários ou membros da comunidade – a depender da disponibilidade da escola – para visitar o trabalho final. A atividade deve ter a presença de um aluno no início do percurso apresentando o projeto e orientando o visitante a escrever sua primeira ideia de trabalho no caderno coletivo e depois de ver a exposição participar de uma breve atividade educativa.

Atividade educativa: Ao final, o visitante é convidado pelos alunos para montar em um quadro de fotos a sua manifestação sobre trabalho: pode ter disponível um quadro com ímãs, caixas com frases soltas, gráficos impressos, além de canetas coloridas e fragmentos de papéis que o visitante pode se expressar, dispostos em uma mesa para ser montado/desmontado quantas vezes for necessário. Para o fechamento da atividade, ao final da ação expositiva, professor e alunos poderão conversar sobre as respostas do público registradas no caderno e o comportamento dos visitantes durante a montagem de sua “obra” (como as montagens na lousa feitas com o material disponível, perguntas, reações…) e as conclusões dos próprios educandos ao final do projeto

Bibliografia e material de apoio:

  • ALMEIDA, Wania Amanso de. A contribuição de Anísio Teixeira para se pensar o ensino profissional nos dias atuais. 2011 Disponível em:  http://www.revistas.udesc.br/index.php/EnsinoMedio/article/download/2327/1758. Acesso em 12 de março de 2019.
  • ANTUNES, Ricardo. ¿Adiós al Trabajo? Ensayo sobre las Metamorfosis y el Rol Central del Mundo del Trabajo. 2 edición. Venezuela: Piedra Azul, 1997.
  • ANTUNES, Ricardo. O Caracol e sua Concha; ensaios sobre a nova morfologia do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2005.
  • ANTUNES, Ricardo. O Privilégio da Servidão: o novo proletariado de serviços na era digital. São Paulo: Boitempo, 2018.
  • BOSI, Ecléa. Memória e Sociedade: Lembranças de Velhos. São Paulo: T. A. Queiroz, 1979.
  • FONSECA, Selva G. Didática e a Pratica do Ensino de História. Campinas: Papirus, 2003.
  • NOSELLA, Paolo. Ensino Médio à Luz do Pensamento de Gramsci. Campinas: Alínea, 2016.
  • THOMPSON, Edward. Os Românticos. Tradução de Sérgio Moraes Rêgo Reis.  Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002 .
  • Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Livro de Registro dos Saberes – Bens Culturais Imateriais. Disponível em http://portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/496 acesso em 25 de junho de 2019.
  • ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO.  Principais Estatísticas Brasil. Disponível em: https://www.ilo.org/gateway/faces/home/ctryHome?locale=EN&countryCode=BRA&_adf.ctrl-state=1c4zvj2szb_4# Acesso em 23 de abril de 2019. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Trabalho escravo no Brasil do século XXI. 2006. Disponível em https://www.ilo.org/wcmsp5/groups/public/—americas/—ro-lima/—ilo-brasilia/documents/publication/wcms_227551.pdf Acesso em 24 de junho de 2019.

Credito da imagem de capa: A Revolução Industrial. Fonte: https://www.proenem.com.br/enem/historia/a-revolucao-industrial/

Chão de Escola

Nos últimos anos, novos estudos acadêmicos têm ampliado significativamente o escopo e interesses da História Social do Trabalho. De um lado, temas clássicos desse campo de estudos como sindicatos, greves e a relação dos trabalhadores com a política e o Estado ganharam novos olhares e perspectivas. De outro, os novos estudos alargaram as temáticas, a cronologia e a geografia da história do trabalho, incorporando questões de gênero, raça, trabalho não remunerado, trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e até mesmo desempregados no centro da análise e discussão sobre a trajetória dos mundos do trabalho no Brasil.
Esses avanços de pesquisa, no entanto, raramente têm sido incorporados aos livros didáticos e à rotina das professoras e professores em sala de aula. A proposta da seção Chão de Escola é justamente aproximar as pesquisas acadêmicas do campo da história social do trabalho com as práticas e discussões do ensino de História. A cada nova edição, publicaremos uma proposta de atividade didática tendo como eixo norteador algum tema relacionado às novas pesquisas da História Social do Trabalho para ser desenvolvida com estudantes da educação básica. Junto a cada atividade, indicaremos textos, vídeos, imagens e links que aprofundem o tema e auxiliem ao docente a programar a sua aula. Além disso, a seção trará divulgação de artigos, entrevistas, teses e outros materiais que dialoguem com o ensino de história e mundos do trabalho.

A seção Chão de Escola é coordenada por Claudiane Torres da Silva, Luciana Pucu Wollmann do Amaral e Samuel Oliveira.

LEHMT Day – 7 de outubro

O Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ (LEHMT-UFRJ) fará uma apresentação ao vivo de suas pesquisas e atividades, bem como de seus membros no próximo dia 7 de outubro (quarta-feira) entre 15h e 16h30. A atividade é destinada prioritariamente aos alunos/as de graduação do IH-UFRJ, mas será aberta para estudantes de outras instituições ou qualquer pessoa interessada em conhecer mais sobre o LEHMT e os estudos de história social do trabalho em geral. O LEHMT Day será mediado pelo coordenador do Laboratório e professor do Instituto de História, Paulo Fontes, e será transmitida pela plataforma Google Meet. Não há necessidade de inscrição prévia.

Acompanhem o LEHMT-UFRJ nas redes sociais e conheça nosso site: lehmt.org

#Live Labuta: Gênero e História do Trabalho – com Fabiane Popinigis e Glaucia Fraccaro


Fabiane Popinigis é professora Associada do Departamento de História da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Atualmente, coordena do GT Mundos do Trabalho/ANPUH. Publicou Proletários de casaca pela Editora da Unicamp e diversos artigos que relacionam gênero, raça e trabalho.

Glaucia Fraccaro é professora da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Publicou O direito das mulheres, pela Editora da FGV, e diversos artigos que relacionam gênero e trabalho.

Paulo Fontes é professor do IH/UFRJ, coordenador do LEHMT-UFRJ e da Universidade da Cidadania/UFRJ.

Contribuição especial #10: 13 Japonês Parador: os trabalhadores e o transporte ferroviário no Rio de Janeiro – Álvaro Nascimento

Álvaro Pereira do Nascimento¹

A pandemia da COVID-19 em 2020 transformou a realidade do sistema ferroviário da Zona Metropolitana do Rio de Janeiro. Com as medidas de isolamento social tomadas por autoridades estaduais e municipais no combate à doença, ocorreu a queda brutal de transeuntes pelas ruas do centro comercial e financeiro do Rio de Janeiro e de boa parte dos bairros da Zona Sul e Oeste.

A frequência diária de passageiros nos trens despencou de 600 mil para aproximadamente 200 mil pessoas, segundo reportagem do jornal Extra (07/07/2020). No sistema de ônibus conhecido por BRT, essa quantidade passou de 300 mil pessoas diariamente para 50 mil. Estes serviços, que já apresentavam falhas, diminuíram a quantidade de veículos a níveis que favoreceram a ampliação do contágio entre as pessoas que tinham de permanecer trabalhando.

O cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras nos transportes urbanos revela diferentes rostos, sentimentos e expectativas, que se misturam nos vagões dos trens. Encontram vizinhos e vizinhas que “descem para a cidade”, já quando fecham silenciosamente as portas das suas residências. A sociabilidade deles e delas amplia-se a partir do ponto de ônibus, das plataformas das estações de trens, metrôs e barcas. Em cidades como o Rio de Janeiro predominam homens e mulheres negras, e o gradiente de cores torna-se mais diverso a cada estação rumo à Central do Brasil. É, ali, na condução, que começam as doze, quatorze até vinte horas de labuta pelo “ganha-pão”.

Desde há muito tempo, o transporte de passageiros na malha ferroviária viabilizou o trabalho dos moradores(as) dos subúrbios cariocas e da Baixada Fluminense no Centro e na Zona Sul do Rio de Janeiro. Contudo, trens avariados, descarrilamentos e choques de composições, acidentes ou mortes de usuários, além dos atrasos cotidianos também fazem parte dessa história. As raras tentativas de melhorias dos serviços ferroviários por parte de alguns governos estavam geralmente atrasadas frente às necessidades. Duas delas, no entanto, marcaram a história da ferrovia no século XX: a eletrificação dos ramais e a implementação dos trens de fabricação japonesa na linha 13 Deodoro Parador – carinhosamente alcunhados pelos cariocas de “13 Japonês Parador “, “13 Deodoro Japonês” ou simplesmente “Japonês”.

“O novo navio negreiro” . BRT lotado durante a pandemia do COVID 19 em 2020. Foto de Yan Carpenter, @yanzitx

A eletrificação da malha ferroviária, em 1937, tornou mais rápido o deslocamento da Baixada Fluminense e de distantes subúrbios cariocas ao centro do Rio, transformando-se num turning point na longa história da antiga Central do Brasil. Além das estações fornecedoras de energia elétrica, o governo de Getúlio Vargas adquiriu as composições fabricadas na Inglaterra, modelo Metropolitan Vickers, série 100, com 3 portas laterais por vagão, que agilizavam o embarque e o desembarque de passageiros(as). Construídos pela britânica Metropolitan Vickers Electrical Company, estes trens foram uma revolução para a população suburbana: eletrificados, velozes, menos poluentes, e sem a terrível fumaça e odor das locomotivas movidas por combustão a óleo ou a carvão.

A eletrificação trouxe ainda, de acordo com Maria Therezinha Segadas Soares,  “maior adensamento da população nas áreas mais próximas da capital e um avanço da área metropolitana do Rio de Janeiro para zonas cada vez mais distantes”.  Ao longo do século XX, boa parte destas pessoas não conseguia mais arcar com os custos de moradia no Rio de Janeiro e passou a comprar lotes e a construir suas casas nos distantes subúrbios cariocas, favelas e nas cidades da Baixada Fluminense. Morar em Nova Iguaçu e trabalhar no centro do Rio de Janeiro, por exemplo, tornou-se possível com a otimização do tempo gasto para efetuar tal deslocamento. Aproximadamente vinte anos depois foram adquiridas novas composições do mesmo modelo Metropolitan Vickers, mas da série 200, que passaram a circular a partir de 1956. O número de passageiros aumentava.

Na década de 1970, porém, os trens da linha Vickers já apresentavam diversos  e frequentes problemas. Ao quebrarem, lotados de passageiros e passageiras, eram resgatados nas estações por locomotivas de carga movidas a óleo, deslocadas emergencialmente para os socorrerem. Situações como estas irritavam passageiros e disseminavam revoltas nas estações e trilhos de trens.

Havia (e ainda há) muitos casos de passageiros que apedrejavam trens, queimavam estações e até saqueavam agências. Acumulavam-se a humilhação de pular mais de um metro e meio dos vagões aos trilhos e andar até a próxima estação; o medo de ser atropelada(o); a degradante obrigação de explicar-se pelo atraso e em resposta ouvir um sonoro “esporro” do supervisor ou da patroa; o descaso de políticos que não cumpriam sua parte no pacto social junto à massa de trabalhadores(as). Essas eram algumas das situações que entornavam o caldeirão explosivo da impaciência. A cotidiana resiliência era substituída pela revolta, iniciada pelas mãos das pessoas mais pacíficas quando arremessavam pedras de brita contra os trens. Seguidos “tumultos” ocorriam, e o noticiário da imprensa pressionava os generais que haviam tomado o poder durante a ditadura civil-militar. Afinal, a empresa era de responsabilidade do Governo Federal.

As lâmpadas eram incandescentes, amarelas, e muitas não funcionavam, contribuindo para uma escuridão desorientadora para quem desejava dar mais um passo, ou procurava uma alça (apelidada de “chupeta”) para se segurar. As possibilidades de “batedores de  carteira” e “tarados” furtarem ou importunarem sexualmente mulheres e homens aumentavam exponencialmente naquelas condições.

Da mesma forma estavam os tímidos ventiladores no teto, próprios para a fria Inglaterra mas inofensivos ao calor carioca, que castigava usuárias(os) imprensadas(os). As portas também não fechavam corretamente. Passageiros mais jovens e aventureiros desciam aos trilhos e selecionavam uma ou duas pedras de brita adequadas ao intento. Quando a porta se abria, eles punham a pedra entre a quina da porta deslizante e o piso do vagão, interrompendo seu completo fechamento. O maquinista seguia mesmo assim, e o vento refrescava a todos(as) com o deslocamento do ar. Quanto mais veloz, menos se transpirava naqueles vagões.

Pingentes e surfistas de trem. Acervo do Jornal O Dia

Uma das principais causas de mortes e mutilações no Rio de Janeiro era a queda de passageiros apelidados de “pingentes” nos trens da Central e dos trabalhadores da construção civil, como bem registrou Chico Buarque. A Rede Ferroviária Federal chegou a retirar postes contra os quais pessoas penduradas nas portas dos trens se chocavam em alta velocidade. Um dos mais fatais havia sido apelidado friamente de “Bellini”, em alusão ao capitão da seleção brasileira de futebol de 1958, o famoso zagueiro que deixava passar a bola mas não o adversário que a conduzia. Uma quantidade elevada mas não computada de passageiros encontrou a morte naquele poste, até ser retirado pela empresa após seguidas reclamações na imprensa, embora outros tenham permanecido.

Os trens dos ramais de Santa Cruz (linha 42) e Japeri (linha 33) tornavam-se expressos a partir da estação de Deodoro, parando somente em seis estações até o fim do percurso na Central do Brasil. Para quem necessitava descer numa das onze estações não atendidas pelos expressos, restava a linha 13DeodoroParador. Os vagões não diferiam dos que vinham de Japeri e Santa Cruz, porém eram um pouco mais vazios, circulavam sem muitos atrasos e tinham melhor manutenção que os demais.

Uma grande mudança impactou o sistema ferroviário e ampliou a diferença de tratamento oferecida a estes(as) trabalhadores(as) da linha Deodoro Parador. Chegava ao Rio de Janeiro, o Mitsui, série 550, fabricado no Japão,  rapidamente apelidado de 13 Deodoro Japonês. Os jornalistas estavam alvissareiros com o encurtamento da viagem de 45 para 35 minutos, no período de testes, e o entusiasmo se manteve no dia em que seus primeiros 4 carros entraram em funcionamento, em 11 de maio de 1977.

Efetuou-se uma série de mudanças nas estações. As plataformas começaram a ser lavadas diariamente e receberam “plantas ornamentais, bancos” e “cinzeiros”. Além disso, de início, “bilheterias exclusivas” foram incluídas e havia “muito policiamento”. O 13 Japonês Parador tinha uma impressionante couraça de aço como a do Trem de Prata, que ligava o Rio a São Paulo, e não mais de ferro como os ingleses Vickers. Seu motor parecia mais potente e forte. Tinha o formato mais cúbico e menos ovalado que o anterior, com 4 portas para embarque e desembarque, e lâmpadas compridas e fluorescentes que ampliavam a iluminação. E era mais seguro, não saía da estação enquanto as portas não se fechassem. Uma “campainha” (sinalização sonora) informava da abertura e do fechamento das portas.

O “13 Japonês Parador” ainda resiste. Fotografia de Gustavo de Azevedo. Fonte: 
https://trensfluminenses.files.wordpress.com/2012/11/image03786.jpg

Uma parte dos pingentes não gostou, e tentou inutilmente mantê-las abertas. Os usuários da linha Deodoro Parador sentiram-se ainda mais privilegiados, mesmo sem o frescor trazido pelas portas abertas. Como estes trens pouco quebravam, os intervalos entre as composições eram mais rigorosos, trazendo satisfação aos usuários regulares daquele ramal. O sucesso foi instantâneo e usuários dos ônibus passaram a frequentar os trens japoneses, por serem mais seguros, rápidos e baratos. Em 1978, somente os japoneses transportaram diariamente 38,4% do total de passageiros (217.000 pessoas) nos trens da Central do Brasil, como noticiava o Jornal do Commercio. O aumento na capacidade em um ano de uso na linha Deodoro Parador foi de aproximadamente 50% em relação aos Vickers.

O Japonês foi um marco, mas não resolveu os problemas. Com a falta de investimentos no transporte ferroviário urbano carioca ao longo dos anos 1980, logo os trens envelheceram e, com pouca manutenção, quebravam. Os atrasos, lotação e calor voltaram à cena, assim como a revolta e os apedrejamentos. Com a privatização, em 1998, os trens pararam de circular por toda a noite, obrigando trabalhadores e estudantes a utilizarem ônibus, vans e o que fosse mais necessário para chegar a casa. .A prioridade foi “cortar gastos” com pessoal, realizar reengenharia de investimentos e outros sinônimos de proteção ao capital e de geração de lucros.

Alguns Vickers ainda estão em uso, transformados, com nova iluminação e climatização, em alguns casos. O mesmo se diz do modelo Mitsui, o Japonês.  Estamos agora na fase dos trens chineses, ainda mais modernos, comprados durante as obras para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Como sabemos, os usuários dos trens participaram dos “preparativos” destas grandes festas: escavaram ruas, derrubaram prédios, reformaram e/ou construíram complexos esportivos. A festa, no entanto, não foi para os trabalhadores e trabalhadoras. Preços de megaeventos majorados em dólar não eram, definitivamente, compatíveis com os baixos salários recebidos, sem contar as dificuldades para adquirir os ingressos via internet e o alto custo do transporte.

Nos primeiros vinte anos do século XXI, o Rio de Janeiro passou por questionáveis intervenções urbanas, dramáticos problemas de violência urbana e frequentes escândalos de corrupção. Seu espaço no cenário nacional também foi enfraquecido pelas crises econômicas internacionais. Enquanto isso, trabalhadores e trabalhadoras permaneceram e permanecem fazendo história no cotidiano dos trens da Central do Brasil. Mas seus passos ainda carecem de  um  olhar mais atento por parte dos(as) historiadores(as), que resistem em acompanhá-los(as) pelos diversos trilhos da maltratada Cidade Maravilhosa.

¹ Professor do Departamento de História da UFRRJ

Referências

PIRES, Lênin. Esculhamba, mas não esculacha! Uma etnografia dos usos urbanos dos trens da Central do Brasil . Niterói: Editora da UFF, 2011.

RODRIGUES, Hélio Suevo. A formação das estradas de ferro do Rio de janeiro. Rio de Janeiro: Memória do Trem, 2004.

SOARES, Maria Therezinha Segadas. “Nova Iguaçu – Absorção de uma célula urbana pelo grande Rio de Janeiro”. Revista Brasileira de Geografia, abril-junho, 1962.

Crédito da foto de capa: detalhe da fotografia de Yan Carpenter, O avião do trabalhador, disponível em @yanzitx

Artigo “Crianças nas fábricas: o trabalho infantil na Indústria Têxtil carioca na Primeira República” – Isabelle Pires e Paulo Fontes

Recentemente, o tema da exploração do trabalho infantil voltou a tomar conta do debate público. A defesa de que o trabalho das crianças deve ser combatido relaciona-se com a a noção de que a infância deve ser uma fase de não trabalho, concepção que foi historicamente construída recentemente. Tal visão contrapõem-se á uma disseminada noção de cultura do trabalho que deveria ser despertada desde cedo nas crianças.

Nas primeiras décadas do século XX, o trabalho das crianças foi central para a expansão da indústria têxtil da Capital Federal, o maior ramo industrial daquele período. Esse é o tema do artigo “Crianças nas fábricas: o trabalho infantil na Indústria Têxtil carioca na Primeira República” de Isabelle Pires, doutoranda no PPGHIS da UFRJ e pesquisadora do LEHMT-UFRJ e Paulo Fontes, professor do IH-UFRJ e coordenador do LEHMT-UFRJ. O artigo foi publicado em um dossiê especial intitulado Dossiê “Estudos recentes sobre os mundos do trabalho têxtil no Brasil”, organizado por Murilo Leal Pereira Neto, Lucas Porto Marchesini Torres e Felipe Ribeiro na revista Tempo & Argumento, publicação do Programa de Pós-Graduação em História, da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.

O artigo fornece novos dados sobre a importância dos/as menores no processo de produção da indústria têxtil no Rio de Janeiro e também destaca o protagonismo das crianças em movimentos de reivindicação por melhores condições de trabalho e luta por direitos. Os autores ainda enfatizam como as tensões entre o poder público e os industriais, bem como as pressões da sociedade civil, em particular do movimento operário (com a participação dos próprios menores) e de regulações internacionais (como a OIT) impactaram e formataram uma legislação sobre os menores nas fábricas, em particular o Código de Menores de 1926.

http://www.revistas.udesc.br/index.php/tempo/article/view/2175180312302020e0101

Crédito da imagem de capa:

Operários e operárias da seção de fiação da Fábrica Cruzeiro em 1910. WEID, Elisabeth von der; BASTOS, Ana Marta Rodrigues. O fio da meada: estratégia de expansão de uma indústria têxtil: Companhia América Fabril: 1878-1930. Rio de Janeiro: Fundação Casa Rui Barbosa; Confederação Nacional da Indústria, 1986. p. 228.

Chão de Escola #03: As reformas urbanas de Pereira Passos (1902-1906) e a formação dos subúrbios e da zona sul

Autor: Samuel Silva Rodrigues de Oliveira (Cefet-RJ)

Apresentação da atividade

Segmento: 2º Ano ou 3º Ano do Ensino Médio

Unidade temática: Reforma urbana de Pereira Passos

Objeto de conhecimento: Primeira República e história da cidade do Rio de Janeiro

Objetivos gerais:

– Caracterizar a reforma de Pereira Passos (1902-1906);

– Contextualizar as mudanças no cotidiano das classes populares na reforma urbana;

– Compreender a formação social dos “subúrbios” e da zona sul na cidade do Rio de Janeiro.

Duração da atividade: 03 aulas de 50 min

AulasPlanejamento
01Etapa 1 e 2
02Etapa 3, 4, e 5
03Etapa 6 e 7
04Etapa 8

Conhecimento prévio:

– A história da construção da cidadania no pós-abolição e na Constituição de 1891.

Atividade

Atividade e recursos:

Etapa 1: Leitura coletiva em sala de aula do texto 1 escrito por Marly Motta explicando o significado da expressão “bota-abaixo”. Procure identificar as palavras desconhecidas, construir um vocabulário de conceitos históricos e estabelecer os núcleos de sentido do texto.

Texto 1: O “BOTA-ABAIXO” Por Marly Motta

Expressão criada para designar, ao mesmo tempo, o processo de reformas urbanas operado a partir de 1903 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e o prefeito da cidade à época, Francisco Pereira Passos (1902-1906). Com a expressão “o Bota-Abaixo”, buscou-se destacar a maneira radical pela qual foi implementado um conjunto de obras públicas que então redefiniram a estrutura urbana da capital federal.
No início do século XX, o Rio de Janeiro era a principal e maior cidade do país. Os constantes fluxos migratórios e imigratórios favoreceram um intenso processo de urbanização, que demandava uma reestruturação espacial daquele que era considerado o cartão postal do país. Na base desse debate sobre a necessidade de um planejamento urbano – tanto no Rio quanto em Paris –, esteve presente o conceito de política higienista, relacionada com as precárias condições sanitárias das habitações urbanas, especialmente as coletivas. Uma das figuras preeminentes desse debate foi Pereira Passos, que entre 1857 e 1860 frequentou vários cursos na École de Ponts et Chaussées em Paris, onde acompanhou as obras empreendidas por Georges Haussmann com o intuito de transformar a capital francesa em uma cidade “civilizada”, de acordo com os padrões da época. À frente da prefeitura do departamento do Sena, Haussmann desbastou o emaranhado de ruas estreitas, pôs abaixo habitações populares, e construiu em seu lugar um conjunto monumental de largas e extensas avenidas.
Sanear, higienizar, ordenar, demolir, civilizar, foram também as palavras de ordem do prefeito Pereira Passos. Por isso mesmo, cortiços, casas de cômodos, estalagens, velhos casarões, passaram a ser os alvos preferenciais da reforma urbanística que empreendeu ao longo de seu mandato. Um dos objetivos principais dessa reforma era livrar a capital federal da pecha de cidade insalubre, assolada por constantes epidemias de febre amarela, varíola e malária, com sérios prejuízos para a atividade comercial do país.
À custa da derrubada de velhos imóveis, foram alargadas e prolongadas diversas vias urbanas, como a rua do Sacramento (futura avenida Passos), a rua da Prainha (atual rua do Acre) e a rua Uruguaiana, entre outras. Avenidas radiais e diagonais, cortando o centro em várias direções – as avenidas Mem de Sá, Salvador de Sá, Marechal Floriano – exigiram o arrasamento de morros, como o do Senado, e a demolição de moradias e casas de comércio que se encontravam no trajeto das “vias do progresso”.
A avenida Central (atual Rio Branco), que uniu o Rio de Janeiro de mar a mar, isto é, do porto, na Prainha, até a avenida Beira-Mar, é o marco principal da reforma urbana então realizada. Apesar de debitada ao prefeito, a obra foi iniciativa do governo federal, que ainda realizou obras de ampliação do porto do Rio de Janeiro, além de abrir as avenidas Rodrigues Alves e Francisco Bicalho.
São conflitantes as informações sobre o número de construções demolidas para dar passagem à nova avenida, variando entre setecentas e três mil. Ao atuar sobre velhas freguesias e distritos centrais, esse conjunto de intervenções urbanísticas resultou na destruição de quarteirões inteiros de hospedagens, cortiços, casas de cômodos e estalagens, além de armazéns e trapiches de áreas junto ao mar, forçando boa parte da população que aí vivia e trabalhava a se deslocar para os subúrbios ou a subir os morros próximos – Providência, São Carlos, Santo Antônio, entre outros –, até então pouco habitados.
Reconhecida como indispensável para o processo de remodelação urbana da capital federal, em especial pelos efeitos que teve sobre a circulação pelo Centro e sua ligação com outras zonas da cidade, a operação “bota-abaixo” ficou marcada pela maneira autoritária com que lidou com as milhares de pessoas prejudicadas pela perda de suas moradias e negócios.
Fonte: MOTTA, Marly. O “bota-abaixo”. Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BOTA-ABAIXO,%20O.pdf

Etapa 2: Analise a tabela sobre a população do Rio de Janeiro, a distribuição no espaço urbano e faça o questionário relacionando-a com o texto 1 de Marly Motta.

Fonte: População do Rio de Janeiro apud OLIVEIRA, Samuel S.R., RENILDA, Maria. Cidade, assistência e saúde: maternidades entre o privado e o público no subúrbio do Rio de Janeiro. Delaware Review of Latin American Studies. Vol. 17, n.2, 2016.

Atividade

  1. Faça um gráfico em linha ou barra que mostre o crescimento da população total do Rio de Janeiro entre 1890 e 1950.
    1. Crie uma legenda para o gráfico que explique o crescimento populacional carioca.
  2. Identifique na tabela:
    1. A região da cidade mais densamente ocupada em 1890, e a menos ocupada;
    2. A região que mais cresceu entre 1890 e 1950;
  3. A reforma urbana de Pereira Passos realizou várias obras públicas no espaço da cidade do Rio de Janeiro. Cite as principais obras públicas realizadas no início do século XX.
  4. Explique o discurso que justificou a realização das obras públicas pelo prefeito Pereira Passos e os grupos que tiveram as condições de vida afetadas pelas transformações urbanas – caracterize os grupos em termos de classe e raça.
    1. Por que a reforma urbana de Pereira Passos ficou conhecida como “bota-abaixo”?
  5. Relacione distribuição da população nos espaços da cidade com a reforma urbana de Pereira Passos.

Etapa 3: Recupere as informações debatidas na etapa 1 sobre a reforma urbana de Pereira Passos e apresente os textos abaixo lendo-os coletivamente.

Texto 2

Outrora, nos tempos da velha cidade, o subúrbio era uma espécie de remanso feliz do proletário honesto, procurado em geral pelos pacíficos amantes do sossego e da tranquilidade.
Pobre, abandonado, pouco populoso, desprezado como sempre, possuindo apenas construções antigas, ruínas e pardieiros, vestígios de senzalas de extintas fazendas, mas dentro desses muros arruinados, esburacados, reinava a paz honesta e a pobreza sã.
E hoje?
Depois que o prefeito Passos os lançou por terra a velha cidade abrindo novas ruas e levantando novos edifícios, toda aquela pobre gente emigrou para o subúrbio e ahi (sic), foram vistas da justiça e da repressão, um grande mal que desenvolveu e progrediu. […]
E o mal progride, progride sempre horroroso e ameaçador sem que uma providência tenha sido tomada no sentido de evitá-lo ou melhorá-lo”
Fonte: FILHO, Affonso Cardoso. A perdição do subúrbio. Echo Suburbano. 1911. Adaptado.

Texto 3

A tendência aristocrática dos arrabaldes do Rio não fez senão aumentar no correr de meados do século XIX (…) a burguesia carioca, seguindo o exemplo de seus congêneres europeus que aqui residiam, começou a buscar novos espaços nos quais pudessem residir segundo os novos padrões europeus. Os arrabaldes do Rio de Janeiro, inclusive Niterói, devido à relativa proximidade às condições climáticas e à beleza natural, aos poucos perderam seu caráter bucólico de lazer, onde os mais ricos podiam construir belas residências secundárias e os menos abastados apenas desfrutar de um feriado ou um fim de semana. Os sítios e as chácaras eram loteados, ruas abertas, e a área se tornava assim, residencial e aristocrática por excelência.
Fonte: EL-KAREH, Almir Chaiban. Quando os subúrbios eram arrabaldes: um passeio pelo Rio de Janeiro e seus arredores no século XIX. In: 150 de subúrbio carioca. RJ:Editora UFF, 2009.p.31-32

Etapa 4: Faça uma roda de debates e solicite que os alunos discutam as questões abaixo, consultando e voltando ao texto e à tabela das etapas 1 e 2.

a) O texto 3 apresenta uma relação entre a “burguesia” e “aristocracia” do Rio de Janeiro com os espaços dos arrabaldes. Explique as motivações em meados do século XIX para se afastar do centro do Rio de Janeiro.
b) Identifique a autoria, data de publicação e meio de comunicação em que circulou o texto 2. Qual grupo social está sendo representado no texto?
c) O texto 2 aborda a reforma do prefeito Pereira Passos num viés crítico. Apresente as críticas apresentadas à reforma urbana. Por que o autor do texto apresenta críticas à reforma urbana?
d) Ambos os textos abordam a ocupação do espaço urbano dos arrabaldes/subúrbios do Rio de Janeiro. Aponte as diferenças e semelhanças entre os dois textos e faça um quadro comparativo.

Etapa 5: As duas fotografias abaixo mostram o cotidiano do bairro de Madureira. Solicite que o aluno escreva uma reportagem para o jornal Echo Suburbano e que tenha as duas imagens como referência e ilustração. A reportagem deverá fazer referência às reformas de Pereira Passos, usar dados estatísticos e informações históricas do início do século XX para interpretar as imagens.

Imagem 1

Fonte: Fotografia atribuída à Augusto Malta, representando o Mercado de Madureira. apud SANTOS, Myrian S (org.). Nos quintais do samba da Grande Madureira. RJ: Olhares, 2016.

Imagem 2

Fonte: Foto de Augusto Malta de bondes tracionados por animais em Madureira apud SANTOS, Myrian S (org.). Nos quintais do samba da Grande Madureira. RJ: Olhares, 2016.

Etapa 6: Leitura individual do texto do Lugares de Memória “Fábrica de Tecidos Aliança, Rio de Janeiro (RJ)” de Isabelle Pires, disponível no site do LEHTM: https://lehmt.org/2019/08/29/lugares-de-memoria-dos-trabalhadores-fabrica-de-tecidos-alianca-rio-de-janeiro-rj-isabelle-pires/.

Dialogue com a turma sobre os seguintes pontos:
– Como se caracteriza a “zona sul” no Rio de Janeiro na atualidade? Identifica-se o bairro de Laranjeiras e a zona sul como área industrial e operária?
– Qual a importância da Fábrica Aliança no final do século XIX e XX?
– Como o espaço urbano da região de Laranjeiras era ocupado por operários no início do século XX?
– Quais as transformações na densidade de ocupação dos bairros da orla, “zona sul” e “Botafo-Flamengo” após a reforma urbana de Pereira Passos? É possível abordar a elitização da “zona sul” a partir da reforma urbana do início do século XX?

Etapa 7: Analise a propaganda abaixo a partir do texto de Isabelle Pires e responda as questões abaixo.

Fonte: Anúncio publicitário do empreendimento imobiliário que foi edificado no local da Fábrica de Tecidos Aliança, após sua demolição. O Globo, 15/01/1945. Disponível em: https://lehmt.org/2019/08/29/lugares-de-memoria-dos-trabalhadores-fabrica-de-tecidos-alianca-rio-de-janeiro-rj-isabelle-pires/. Acesso em 18/06/2020.

Atividade

  1. O anúncio de venda de lotes apresenta em destaque a ideia de uma “cidade moderna”. Descreva o que é a modernidade na visão da propaganda.
  2. Identifique as práticas sociais e os grupos que foram silenciados na imagem, tendo em vista a ocupação da região de Laranjeiras no início do século XX.
    1. Pode-se afirmar que a elitização do bairro significou um “embranquecimento” da população local? Escreva um pequeno texto debatendo essa questão.
  3. Explique a posição da Companhia Textil Aliança Industrial na formação do espaço urbano de Laranjeiras.

Etapa 8: Atividade síntese e avaliativa. Divida a sala em grupos de quatro a seis estudantes, solicite a pesquisa e impressão duas fotos de cada região (centro, zona sul e subúrbio) na atualidade e oriente a construção de um mural coletivo. Para cada imagem, os grupos deverão escrever uma legenda explicando a relação da localidade/região retratada com a reforma urbana do Rio de Janeiro no início do século XX.

Bibliografia e material de apoio:


Crédito da imagem de capa: Fotografia atribuída à Augusto Malta, representando o Mercado de Madureira. apud SANTOS, Myrian S. (org.). Nos quintais do samba da Grande Madureira. RJ: Olhares, 2016.


Chão de Escola

Nos últimos anos, novos estudos acadêmicos têm ampliado significativamente o escopo e interesses da História Social do Trabalho. De um lado, temas clássicos desse campo de estudos como sindicatos, greves e a relação dos trabalhadores com a política e o Estado ganharam novos olhares e perspectivas. De outro, os novos estudos alargaram as temáticas, a cronologia e a geografia da história do trabalho, incorporando questões de gênero, raça, trabalho não remunerado, trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e até mesmo desempregados no centro da análise e discussão sobre a trajetória dos mundos do trabalho no Brasil.
Esses avanços de pesquisa, no entanto, raramente têm sido incorporados aos livros didáticos e à rotina das professoras e professores em sala de aula. A proposta da seção Chão de Escola é justamente aproximar as pesquisas acadêmicas do campo da história social do trabalho com as práticas e discussões do ensino de História. A cada nova edição, publicaremos uma proposta de atividade didática tendo como eixo norteador algum tema relacionado às novas pesquisas da História Social do Trabalho para ser desenvolvida com estudantes da educação básica. Junto a cada atividade, indicaremos textos, vídeos, imagens e links que aprofundem o tema e auxiliem ao docente a programar a sua aula. Além disso, a seção trará divulgação de artigos, entrevistas, teses e outros materiais que dialoguem com o ensino de história e mundos do trabalho.

A seção Chão de Escola é coordenada por Claudiane Torres da Silva, Luciana Pucu Wollmann do Amaral e Samuel Oliveira.