Livros de Classe #06: Rediscutindo a mestiçagem no Brasil, de Kabengele Munanga, por Leonardo Ângelo

Neste vídeo da série Livros de Classe, Leonardo Ângelo, bolsista FAPERJ na Universidade Federal Fluminense (UFF), apresenta a obra Rediscutindo a mestiçagem no Brasil, de Kabengele Munanga. O livro traz à luz a construção da identidade nacional brasileira a partir de uma perspectiva racializada.

Livros de Classe

Os estudantes de graduação são desafiados constantemente a elaborar uma percepção analítica sobre os diversos campos da história. Nossa série Livros de Classe procura refletir justamente sobre esse processo de formação, trazendo obras que são emblemáticas para professores/as, pesquisadores/as e atores sociais ligados à história do trabalho. Em cada episódio, um/a especialista apresenta um livro de impacto em sua trajetória, assim como a importância da obra para a história social do trabalho. Em um formato dinâmico, com vídeos de curtíssima duração, procuramos conectar estudantes a pessoas que hoje são referências nos mais diversos temas, períodos e locais nos mundos do trabalho, construindo, junto com os convidados, um mosaico de clássicos do campo.

A seção Livros de Classe é coordenada por Ana Clara Tavares.

Artigos sobre Favelas e História Social do Trabalho – Samuel Oliveira

Samuel Oliveira, professor do CEFET-RJ e pesquisador do LEHMT-UFRJ, publicou recentemente três artigos que se situam nos campos dos estudos da história do trabalho e dos estudos sobre favelas. Abaixo, as apresentações e links para os artigos.


Informalidade urbana, classe e raça no Rio de Janeiro

O artigo “Informalidade urbana, classe e raça no Rio de Janeiro: uma história dos censos” (2021) foi publicado na Revista de História por Samuel S.R. Oliveira, pesquisador e professor do LEHMT-UFRJ e do CEFET-RJ.

O texto analisa a forma como as noções de classe e raça se articulam na definição do debate sobre o crescimento das favelas a partir do desenvolvimento urbano-industrial do Rio de Janeiro e da discussão dos censos de favelas.

Enfoca especificamente a forma como na conjuntura do imediato pós-guerra se estabeleceu um debate as noções de “cor”/raça nas estatísticas para abordar a informalidade urbana e marginalidade social na cidade, tendo destaque as análises do sociólogo Luís Consta Pinto, do geografo e engenheiro Alberto Passos Guimarães e do Major e engenheiro Durval Magalhães Coelho.

Link: https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/170643


Controle do espaço das favelas, fotografias e história social de Belo Horizonte

O artigo “A Comissão de Desfavelamento e as representações da pobreza urbana em Belo Horizonte na década de 1950” (2021) foi publicado na Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais por Samuel S.R. Oliveira, professor e pesquisador do LEHMT-UFRJ e do CEFET-RJ.

O texto analisa a história das favelas e da formação do espaço urbano de Belo Horizonte a partir das imagens fotográficas produzidas pela Comissão de Desfavelamento em 1955. Na conjuntura de crescimento urbano-industrial, expansão do tecido urbano e intensa migração para a cidade, a Comissão de Desfavelamento foi responsável por várias legislações e políticas públicas visando o controle da informalidade urbana.

As fotografias mostram como engenheiros, advogados e assistências social entrelaçam identidades de classe e raça na formação da visualidade das favelas na capital de Minas Gerais.

Link: https://rbeur.anpur.org.br/rbeur/article/view/6635/5391


As favelas cariocas nos anos 1950

O artigo “As retóricas da ‘marginalidade social’: espaço urbano, práticas estatais e políticas nas favelas (1947-1961)” foi publicado por Samuel S.R. Oliveira, professor e pesquisador do LEHMT-UFRJ e do CEFET-RJ, no livro Pensar as favelas cariocas: história e questões urbanas.

Organizado por Rafael Soares Gonçalves, Mário Brum e Mauro Amoroso, o livro traçar um panorama com a contribuição de vários pesquisadores, para a discussão da história da informalidade urbana no Rio de Janeiro ao longo do século XX.

O artigo analisou as imagens heterotópicas da marginalidade social na identificação das relações de classe e raça no espaço urbano e nas políticas públicas anunciadas como “batalhas” para desfavelar a cidade do Rio de Janeiro.

Link: https://www.pallaseditora.com.br/produto/Pensando_as_favelas_cariocas/333/


Crédito da imagem de capa: DISTRITO FEDERAL. Censo de Favelas: aspectos gerais. Rio de Janeiro: Prefeitura do Distrito Federal, 1949.

Livros de Classe #05: Em busca da memória, de Hélio da Costa, por Murilo Leal Neto

No quinto vídeo da série Livros de Classe, Murilo Leal Neto, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apresenta a obra Em busca da memória, de Hélio da Costa. Publicado em 1995, o livro rompe com as representações sobre a classe operária comuns à época e destaca a agência histórica dos trabalhadores.

Livros de Classe

Os estudantes de graduação são desafiados constantemente a elaborar uma percepção analítica sobre os diversos campos da história. Nossa série Livros de Classe procura refletir justamente sobre esse processo de formação, trazendo obras que são emblemáticas para professores/as, pesquisadores/as e atores sociais ligados à história do trabalho. Em cada episódio, um/a especialista apresenta um livro de impacto em sua trajetória, assim como a importância da obra para a história social do trabalho. Em um formato dinâmico, com vídeos de curtíssima duração, procuramos conectar estudantes a pessoas que hoje são referências nos mais diversos temas, períodos e locais nos mundos do trabalho, construindo, junto com os convidados, um mosaico de clássicos do campo.

A seção Livros de Classe é coordenada por Ana Clara Tavares.

Chão de Escola #16: Trabalhadores das salinas, por João Christovão



João Christovão (Professor das redes públicas municipal de Cabo Frio e do Rio de Janeiro e pesquisador do LEHMT)



Apresentação da atividade

Segmento: 3º ano do Ensino Médio

Unidade temática: Período nacional-desenvolvimentista (1946-1964)/Ditadura civil-militar (1946-1988)

Objetivos gerais:

– Conhecer a localização das salinas fluminenses responsáveis pela produção de cerca de 1/3 do sal consumido no país e mais de 50% do valor oriundo dessa produção no Brasil no período compreendido entre as décadas de 1820 e 1970.
– Conhecer a forma pela qual esse produto era produzido.
– Compreender as formas de exploração da mão de obra daqueles trabalhadores;
– Relacionar o processo de organização e luta dos trabalhadores com a conquista dos seus direitos trabalhistas.
– Entender o papel do golpe civil-militar de 1964 na desarticulação do sindicato dos trabalhadores.

Habilidades a serem desenvolvidas (de acordo com a BNCC)

(EM13CHS101) Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.
(EM13CHS103) Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de natureza qualitativa e quantitativa (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos, gráficos, mapas, tabelas etc.).
(EM13CHS106) Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e de diferentes gêneros textuais e as tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
(EM13CHS401) Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos e classes sociais diante das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços e contextos.
(EM13CHS404) Identificar e discutir os múltiplos aspectos do trabalho em diferentes circunstâncias e contextos históricos e/ou geográficos e seus efeitos sobre as gerações, em especial, os jovens, levando em consideração, na atualidade, as transformações técnicas, tecnológicas e informacionais.

Duração da atividade:  5 aulas de 50 min

Aulas Planejamento
01Etapa 1
02Etapa 2 e 3
03Etapa 4
04Etapa 5 e 6
05Etapa 6

Conhecimentos prévios:

– Era Vargas (1930/1945)
– Período nacional-desenvolvimentista (1946/1964)
– Ditadura civil-militar (1964/1988).


Atividade

Recursos

– Mapas (físicos ou virtuais) sugerimos que sejam oferecidas cópias em papel ofício para os alunos
– Fotografias (podem ser projetadas, mas sugerimos que sejam oferecidas cópias aos alunos)
– Data-show
– Acesso à internet

Etapa 1: Sal, o produto.

Identificação geográfica do local onde ocorreram os acontecimentos referentes ao tema. Necessária a utilização de diferentes mapas.

Mapa 1 – Mapa do Brasil: os alunos deverão identificar os dois principais locais de produção de sal no país desde os tempos coloniais até a década de 1970: Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.

O/A professor/a deverá ressaltar a importância do sal para a sobrevivência humana e para os mais variados setores da economia. Destacar que a produção de sal no Rio Grande do Norte sempre foi maior em quantidade e melhor em qualidade que o sal extraído das salinas fluminenses. Chamar a atenção para o fato do sal fluminense levar uma enorme vantagem por estar localizado próximo ao principal centro consumidor do país e pelas enormes dificuldades de transporte que encareciam imensamente o produto potiguar até a década de 1970.

Mapa 2 – Mapa do Estado do Rio de Janeiro: Os alunos deverão identificar a cidade do Rio de Janeiro (capital federal até a década de 1960), a cidade de Niterói (capital do estado do Rio de Janeiro até a fusão em 1974) e as cidades produtoras de sal no entorno da Lagoa de Araruama (Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Araruama). No período em estudo a cidade de Arraial do Cabo ainda era distrito de Cabo Frio.

O/A professor/a deverá chamar a atenção para a proximidade entre as salinas fluminenses, localizadas nos municípios acima citados, e o parque industrial da região sudeste, além de ressaltar a existência de uma maior concentração de pessoas nos grandes centros da região sudeste. Esses fatores acabavam por beneficiar a comercialização do sal produzido nas salinas fluminenses.

Mapa 3 – Mapa das salinas no entorno da lagoa de Araruama no ano de 1929

 Mapa mostrando a Lagoa de Araruama em 1929 com as salinas em seu entorno (destacadas em vermelho); inclui a sede do município de Cabo Frio (destacada em azul). Sem divisão entre os municípios do entorno da lagoa. Referência: BRRJANRIO 04.0.MAP.195 – lagoa de Araruama – Dossiê. A imagem pode ser melhor visualizada acessando diretamente a fonte. Disponível em: http://sian.an.gov.br/sianex/Consulta/Pesquisa_Livre_Painel_Resultado.asp?v_CodReferencia_id=1063790&v_aba=1

Etapa 2:  Sensibilização

O/A professor/a deverá ler ou pedir a um dos alunos que leia em voz alta o Texto 1, que apresenta alguns aspectos simbólicos do sal. Em seguida, os alunos deverão ser estimulados a falar sobre como eles imaginam que eram as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores em salinas.
Nesse momento o/a professor/a deverá chamar a atenção para o fato das salinas funcionarem, na maior parte do tempo, com um número reduzido de trabalhadores e que esse quantitativo só aumentava na época da colheita do sal.

Texto 1

O sal é de fundamental importância para a manutenção da vida. Sendo uma substância que se forma na interação entre um ácido e uma base, o sal pode se apresentar sob diversas formas. Aquele de que tratamos aqui é o cloreto de sódio (NaCl), que é extraído tanto das salinas (sal marinho, nosso caso), quanto de jazidas terrestres (sal gema). Tanto a falta quanto o excesso causam sérios prejuízos à saúde e, em função da sua importância para a manutenção da vida, o sal só encontra paralelo na água. Os seus inúmeros usos extrapolam os limites políticos e econômicos e acabam por atribuir a ele um valor simbólico, tanto para o bem, quanto para o mal. Conhecido desde a antiguidade, o sal carrega consigo uma série de simbolismos. “O sal era o mais vulgar dos condimentos entre os gregos e os romanos, que o consideravam como uma oferta das mais apreciadas pelos deuses”, era também “o símbolo da amizade, e metaforicamente, da graça e da finura”. Para os egípcios o sal era símbolo de santidade e a mitologia finlandesa ensina que Ukko, deus do firmamento tirava fogo das nuvens e que uma centelha dessa chama celestial teria caído no oceano e virado sal. Derramar sal sobre a mesa atrai má sorte, para anulá-la deve-se pegar esse sal com cuidado e jogá-lo sobre o ombro esquerdo. Os hebreus esfregavam sal nos recém-nascidos para o seu bem-estar. Segundo a Bíblia, Deus – ao falar a Moisés sobre os sacrifícios a serem oferecidos – afirma que “Em qualquer oblação que ofereceres, porás sal. Jamais deixarás faltar o sal da aliança do Senhor às ofertas. Em todas as ofertas oferecerás sal.” Já no Novo Testamento o evangelista Marcos afirma que “Bom é o sal; mas, se o sal se torna insulso, com que se salgará? Tende sal em vós, e vivei em paz uns com os outros”. Se purifica e preserva, o sal – por sua propriedade anti-séptica – também esteriliza e condena. A sentença que condenou Tiradentes trazia o seguinte texto: “(…) e declaram o réu infame, e seus filhos e netos, e os seus bens aplicam para o Fisco, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique (…)”.

Fonte: Extraído de CHRISTOVÃO, João H. de O. Do sal ao sol: a construção social da imagem do turismo em Cabo Frio – 2011. 145f.: Dissertação de Mestrado. Orientadora: Profª. Drª. Helenice Aparecida Bastos Rocha. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Formação de Professores.

Exibição do curta-metragem “Salinas Cabo Frio, 1948 (11’)

Após a exibição do filme a turma será estimulada a fazer um pequeno debate confrontando o filme que assistiram à imagem que tinham acerca dos trabalhadores. É importante ressaltar que o filme é uma produção oficial do INS – Instituto Nacional do Sal e que, portanto, busca mostrar uma imagem positiva acerca das condições de trabalho daqueles trabalhadores. O fato deles serem retratados no filme com material de proteção (chapéu e botas) não representa, necessariamente, a maneira pela qual os trabalhadores das salinas de fato trabalhavam. Ao contrário do que muitos imaginam, o trabalho nas salinas não era algo exclusivamente masculino e adulto, em função disso é importante chamar a atenção, também, para a presença de mulheres e crianças trabalhando na dura lida do sal, ressaltando que não havia uma legislação que proibisse o trabalho infantil e que as mulheres recebiam menos que os homens pelo mesmo trabalho executado.

Como tarefa para casa a turma poderá ser dividida em grupos e os grupos deverão fazer uma breve pesquisa para ser apresentada no encontro seguinte, sobre o trabalho infantil e sobre a diferença nos valores pagos para homens e mulheres na execução de uma mesma tarefa.


Etapa 3: O trabalho

A turma deverá ser dividida em grupos de 4 a 6 alunos de modo a formar de três a seis grupos (de acordo com o tamanho da turma) recebendo cada grupo um dos textos dessa etapa.
Grupo 1 e 4, texto 2
Grupo 2 e 5, texto 3
Grupo 3 e 6, texto 4
Os diferentes textos deverão ser lidos e discutidos entre os membros de cada grupo durante um tempo de aproximadamente 20 a 25 minutos. Ao final cada grupo será convidado a expor para os demais grupos o texto que foi analisado e as conclusões a que chegaram.

Texto 2

Canção do Sal – Milton Nascimento (1966)

Trabalhando o sal
É amor, o suor que me sai
Vou viver cantando
O dia tão quente que faz
Homem ver criança
Buscando conchinhas no mar
Trabalho o dia inteiro
Pra vida de gente levar
Trabalhando o sal
É amor, o suor que me sai
Vou viver cantando
O dia tão quente que faz
Homem ver criança
Buscando conchinhas no mar
Trabalho o dia inteiro
Pra vida de gente levar
Água vira sal lá na salina
Quem diminuiu água do mar
Água enfrenta o sol lá na salina
Sol que vai queimando até queimar
Trabalhando o sal
Pra ver a mulher se vestir
E ao chegar em casa
Encontrar a família a sorrir

Filho vir da escola
Problema maior de estudar
Que é pra não ter meu trabalho
E vida de gente levar

Fonte: A história contada por Milton e a música na versão gravada por Gal Costa e Milton Nascimento podem ser vistas nesse link.  https://www.youtube.com/watch?v=eox2XHDFfX0 

Texto 3

Socorro, há dor nas salina

Senhores, depressa. Há um imenso grito de dor sobre a alva brancura das salinas. Há homens morrendo sem pão e sem lei. E semi-homens, quase despidos de roupas e de carnes, e crianças que não se podem amamentar nos seios magros e murchos de espectros de mãe. 
Venham ver, enquanto ainda vivem, os homens que arrastam a negra miséria por sobre a opulência do sal dos caminhos. Venham ver, senhores, os meninos que nunca aprenderam a vestir e que crescem expondo em sua cândida nudez a nossa própria vergonha. 
Venham ver, senhores, a injustiça solta nas trilhas do sal, nua e crua, sem mistérios nem ministérios. Venham ver a esquálida e tenra menina, que mal desabrocha servindo de pasto aos donos das gentes e das leis, e trocando o casebre de pau-a-pique e a esteira de tábua, pelo colchão de molas da moradia da colina, para depois ir parir um filho sem pai num canto de restinga. 
Venham todos, venham ver o salário do sal, e venham ver o triste contraste que há entre o barraco de barro à margem da lagoa e a moderna mansão do salineiro que se destaca como um monumento à miséria no alto da colina. 
E venham ver o imenso ódio que se esconde sob a máscara de humildade do homem machucado e sofrido das salinas da beira-mar. Venham ver uma paz social que fermenta como vinho amargo decomposto na podridão da miséria, da exploração e da injustiça. 
Eu lhes mostrarei, senhores, onde a lei trabalhista é a vontade única e onipotente do senhor quase-feudal e o amparo previdencial é a migalha atirada pelo dono ao trabalhador moribundo que lhe vendeu suas forças uma vida inteira e miserável. 
Venham ver um menino mal-crescido puxar o sal do quadro da salina insalubre, por um prato de feijão e farinha. 
Venham ver, senhores, acudam. Depressa. Eles são o sal da terra.

Fonte: PINHEIRO, Ofir. Socorro, há dor nas salinas. In: PACHECO, Jacy. Paisagens Fluminenses – Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 1969, pp.73-74. Publicado originalmente no jornal O Fluminense de 19/02/1968.

Texto 4

Entrevista com Seu Mica e Dona Nilda, casal de salineiros de Monte Alto.

Dona Nilda – Olha… em 1967 eu vim morar aqui [Figueira]. Juro, quando eu cheguei … eu sei que meu marido trabalhava, era dali que ele tirava o pão… eu ficava apavorada de ver … porque os moradores todos os salineiro, se você fosse na casa, dos salineiro, a comida era mais feijão,… 

Seu Mica – Não, mas tinha fartura… 

Dona Nilda – farinha, ué… Tinha fartura? Fartura? Feijão e arroz e farinha, não é … e carne seca, não é comida pra… peixe não é comida pra… peixe você tem que comer com fartura, mas tem que ter verdura, tem que ter frutas, tem que ter as coisas né? Não, o pessoal só comia aquilo. […] O impacto que eu tive aqui de … da alimentação assim. O pessoal criava galinha … ou comia ovo ou comia peixe. A comida aqui era isso, carne só no Natal […] quem tinha mulher que trabalhava na salina ajudava um pouco, era muito assim… eu achava que era muita miséria, Deus que me perdoe. […] Quando eu vim morar aqui eu senti muita falta, porque sempre na minha casa comia abóbora, comia batata, comia couve, repolho, é… banana com fartura, as coisas. A gente comia feijão, não queria comer carne, comia feijão, arroz, banana e a verdura que tinha. Carne, era assim, mamãe tinha, sempre que ela vendia, matava porco né, e vendia, sempre tinha carne. Mas o certo de comer carne era sábado e domingo, mas tinha peixe com fartura, mais do que aqui, eu achava mais do que aqui ainda. […] E eu achava que os homens aqui … Eu morria de pena de ver ele [o marido]. As costas queimadas, puxando sal no rodo. Que nem eu aguentava com aquilo, Deus do céu… Enquanto eu não rancar o meu marido dessa vida eu não sossego, falei mesmo. […] Eu fiquei apavorada de ver aquilo, eu morei quatro anos aqui, nessa época eu tinha 16 anos, mas eu ficava apavorada. Eu aqui fazia um doce pra vender, sabe, os salineiros comprava, costurava pra fora pra ajudar, mas eu ficava apavorada de ver. O pé dele era igual uma lixa, igual a um… meu Deus isso não é normal não.

Fonte:  Entrevista realizada com um casal de salineiros de Monte Alto (região de restinga entre a lagoa de Araruama e o mar e, atualmente, distrito de Arraial do Cabo) em que diversos aspectos da participação da mulher no universo da produção de sal foram expostos de forma bastante clara e objetiva. A entrevista que estava pensada inicialmente para ser feita exclusivamente com o salineiro Seu Mica, teve a participação inesperada de sua companheira – dona Nilda – o que fez toda a diferença.

Ao narrar a sua história, d. Nilda evidencia estratégias e ações pensadas para melhorar as condições de vida de sua família, além de colocar em evidência outras mulheres que exerciam um papel determinante nas suas respectivas estruturas familiares. Fossem aquelas que trabalhavam nas salinas e já “ajudava um pouco”, mostrando que os ganhos financeiros não eram muitos; fosse a mãe dela que vivia na roça, lugar de onde veio e que, no discurso dela, se mostra uma referência poderosa (era a mãe dela quem criava, matava e vendia o porco, era a mãe – esteio da família – quem garantia a fartura na mesa mesmo quando não tinha carne) a fala de d. Nilda deixa exposta uma linhagem de mulheres cuja determinação não aceita um destino que lhes é imposto e evidencia o papel da mulher na cadeia produtiva do sal e o protagonismo na construção de suas próprias histórias.

Na apresentação da análise dos textos os grupos deverão:

  1. Atentar para as datas dos documentos. No caso da entrevista, a data a que se referem os entrevistados.
  2. Fazer um breve relato sobre o teor do documento, bem como acerca de seus autores.
  3. Destacar os elementos que mais chamaram a atenção no documento, explicando o porquê daquele aspecto específico ter sido ressaltado.
  4. Relacionar os documentos analisados com os demais documentos trabalhados no último encontro (curta-metragem e dos aspectos simbólicos do sal).
  5. Identificar pontos de contato entre os diferentes textos (2, 3 e 4) e elaborar um argumento que justifique essas identidades.
  6. O/A professor/a poderá, a seu critério, aproveitar esse momento para fazer uma breve contextualização do período. Chamar a atenção para a proposta de Reformas de Base do governo João Goulart e de como a discussão a respeito desse tema estava em voga desde o governo de Juscelino em 1958. Destacar os grupos que buscavam pautar as discussões acerca de mudanças nas estruturas econômicas, sociais e políticas do país de modo a buscar superar o subdesenvolvimento e diminuir as desigualdades sociais no Brasil. Ressaltar a importância da organização dos trabalhadores no período e o papel exercido pelos sindicatos. Pode-se ainda fazer um paralelo entre a situação dos salineiros com outras categorias historicamente hiper-exploradas.

Etapa 4

O/A professor/a entregará aos alunos cópias de fotografias de trabalhadores salineiros (figuras2, 3, 4 e 5) para que os alunos possam analisar as imagens buscando estabelecer uma comparação entre as imagens e os textos, bem como com relação ao curta metragem assistido no primeiro encontro.
A análise das imagens deverá seguir três etapas distintas, a saber:
– Descrição da imagem
– Contextualização a partir das informações já acumuladas
– Sensibilização (que sensação a imagem provoca)

Trabalhadores na colheita do sal. Fotografia Wolney Teixeira, 1948.
Detalhe dos pés descalços de um trabalhador salineiro dentro da quadra de sal. Fotografia João Christovão, 2002.
Trabalhador desfazendo uma eira de sal com a pá para carregar o caminhão. Fotografia João Christovão, 2002.
Trabalhadores fazendo o transbordo de sal com cestos para o caminhão. Fotografia Wolney Teixeira, 1948.

Etapa 5: Capital X Trabalho. A organização dos trabalhadores e o golpe de 1964.

Distribuição dos textos dando um tempo de aproximadamente 10 minutos para que os alunos leiam em silêncio.

Texto 5

Trecho da entrevista com o senhor Aldir José de Souza, o “Didi do Sindicato”.

É… O que eu tenho de história é que eu trabalhei, trabalhei no sindicato, né, de sessenta até sessenta e quatro, e… Em sessenta e dois fui eleito vereador, pra sessenta e dois a sessenta e seis, mas em sessenta e quatro me cassaram, por que (pausa), eu fui sempre da extração do sal… O sindicato… Fui pro sindicato como presidente do sindicato da extração do sal, logo, aí eu tinha que defender os operários, né…
Naquela ocasião nem a insalubridade eles recebiam. Então nós tivemos que fazer uma greve, pra poder receber a insalubridade e o material de proteção da salina que eles não davam: óculos, por causa da catarata e quando a água, quando o sal se oferece é justamente no verão, que esquenta muito, então, uma série de coisas… E com esse negócio da gente defender o trabalhador, naquela época, em sessenta, sessenta e dois, era comunista… 
Qualquer um que defendia o pequeno, o trabalhador, era comunista…
É, porque, é porque o regime era capitalista… 
Se eu defendo o lado contrário, sou contra o capitalismo, aí… Me taxaram de comunista e me cassaram… Tanto da (pausa), da vereança, como também do sindicato, né…
(…)
Mil novecentos e sessenta (pausa). É… Eu fui lá embaixo, que eles me chamaram pra conversar, me prometeram uma porção de coisa, que me davam um comércio lá em Niterói, mas, eu… Meu amigo, eu não posso aceitar nada disso… Eu sou o presidente do sindicato… As famílias, o senhor deve conhecer, é tudo gente pobre, vivendo na casa de uma família, era uma criancinha, só com aquele camisolo (camisola), outro só com o shortinho, descalço, dormindo no chão, é, é miséria mesmo, né… Então, se eu hoje largar tudo lá como está e vim aqui aceita um… Eu acho é… Não vou comer nem dormir, porque minha consciência não vai deixar, né… 
Ganhei, pra mim é uma boa, vou ficar numa boa, que é, e fica todo mundo lá, pior ainda do que está, né… 
É (pausa). Aí é que eles disseram “esse é comunista”, que disse que o comunista não aceita, aceita barganha, né… aí…

Fonte: A entrevista inteira pode ser encontrada no Anexo A da tese Trabalhadores do sal. In: Christovão, João Henrique de Oliveira Trabalhadores do sal : organização sindical e lutas sociais nas salinas cabo-frienses – 1940/1974. – 2020. 343 f. Tese (doutorado) – Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas, Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais. Orientadora: Ynaê Lopes dos Santos. Disponível em: https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/30175 

Texto 6

Revista Brasil Salineiro

“Os brasileiros precisam imitar a Pedro Álvares Cabral e descobrir o Brasil. Porque o Brasil é um gigante desconhecido para a maioria dos que aqui vivem. 
(…) 
Você sabia que na[quela] terra (…) vive um grupo de heróis a lutar diariamente pelo Brasil? 
Como verdadeiros heróis, aqueles homens não tem um nome. Não se chama Sua Excelência Tal e Tal. Você não encontrará o retrato deles nos jornais. 
São os operários do parque salineiro (…). 
Eles produzem no meio dos maiores sacrifícios, quase todo o sal de que a nação precisa”. 
Para que você compreenda o que é o esforço desses homens é preciso recordar que o sal é um produto da natureza cuja colheita não abrange o ano inteiro. 
Desta forma, o operário do sal não pode ter uma situação de perfeita estabilidade. 
Ele trabalha durante seis meses com regularidade, recebendo salário e vivendo com relativa segurança. 
Mas depois o sal acaba e ele tem que se arranjar como melhor pode até a próxima colheita. 
Entretanto, a falta de estabilidade não é o único inconveniente na vida do salineiro. Há outros, e bem grandes. 
Entre estes outros inconvenientes, figura a questão dramática da deformação física. (…)
Mas, as dificuldades dos salineiros vão mais longe. 
O cloreto de sódio e o iodo do sal são tremendos agentes de irritação da pele. 
Primeiro o operário que trabalha no sal começa a sentir uma comichão, que se vai alastrando pelo corpo todo. Pouco a pouco, formam-se nos lugares que comicham verdadeiras feridas que ardem como se fossem queimaduras. 
Isso tudo é duro de aguentar. Mas, onde se nota que os salineiros são verdadeiros heróis é no espírito com que enfrentam essa vida difícil. 
“Aqueles homens – afirma Noronha Costa – não se queixam, e quando alguém quer explorá-los com arengas comunistas ficam surdos. Na verdade, entre aqueles heróis os comunistas têm cada vez menor número de adeptos, pois em que pesem todos os sacrifícios que fazem, os operários das salinas são, acima de tudo, brasileiros”

Fonte: Revista Brasil Salineiro, ano 1 – Novembro, 1953 – nº 2, p. 11. Órgão de divulgação do INS – Instituto Nacional do Sal.

Texto 7

Discurso proferido pela direção da Refinaria Nacional de Sal, segunda maior empresa de sal da região, na festa do 1º de maio de 1968.

“Digníssimos representantes e operários da Refinaria Nacional de Sal. Meus senhores e minhas senhoras:
[…] dentro desta constituição, sábia e honestamente interpretada, pelas autoridades constituídas do País, tem o trabalhador brasileiro, têm vocês, trabalhadores que me ouvem os seus legítimos e sacrossantos direitos a fazer, as suas justas reivindicações. (…) Porém, deve ser imposto ou exigido com prudência, com ponderação, com modos, sem violências, sem badernas, sem anarquias, com modos. 
[…] 
[sem esquecer] que existem as leis e a própria Constituição, que o ampare, que o defende, que, enfim, fala por ele, na defesa dos seus mais legítimos interesses e mais justas reivindicações.[…] 
Aqui estamos vendo hoje reunidos patrões e empregados! 
Aqui estão industriais e operários! 
É através das indústrias que se projetam no Universo, os países, os Estados e os municípios. A Refinaria Nacional de Sal é uma indústria que projeta o Brasil e o Estado do Rio através do nosso Município. 
Que a brancura IMACULADA DO SAL CISNE, seja também entre patrões e empregados, o símbolo da PAZ, edificante e progressista, e assim fazendo, estaremos fazendo o que o Brasil exige, espera e bem merece: “Que cada um cumpra o seu dever

Fonte: Discurso proferido pela direção da Refinaria Nacional de Sal em 1º de maio de 1968. Gazeta da Baixada, 8/05/1968.

Cadernos de Seu Gabriel – Reprodução 1

“Guilherme José da Silva. No dia 27 de janeiro de 1961 Guilherme fez um acordo com José Maria –pediu as férias. Seu José Maria [se]aborreceu com Guilherme no dia 1º de fevereiro de 1961. No dia 25 de fevereiro Guilherme [me] disse a Gabriel que saiu da Salina Maracanã. José Maria indenizou e disse: se quiser trabalhar pode, mas sem direitos. No dia 29 de janeiro de 1962 Guilherme voltou pra Salina de José Maria.”

Cadernos de Seu Gabriel – Reprodução 2

“A Greve 
A Greve das fábricas de Cabo Frio começou no dia 30 de maio de 1960. 30-5-60. Acabou no dia 28 de junho. Miguel Couto assinou e perdeu. A questão de Mauro também. No dia 15 veio uma força do Rio. Os grevistas foi preso no dia 16 de junho de 1960. Voltaram no dia 17 os empregados começaram a trabalhar no dia 3-6-60”.

Texto 8

Jornal Novos Rumos – 24 a 30 de junho de 1960

“Durante 24 horas as tropas federais ocuparam a pequena e bela cidade de Cabo Frio, situada no litoral fluminense, mudando inteiramente a sua plácida fisionomia. Ninguém hostilizou os jovens soldados, mas a revolta e a vergonha do povo era patente na face de cada um. Visível era o ódio à conduta do senador Miguel Couto Filho e do ministro Armando Falcão, autores do pedido de intervenção. 
[…] 
O que há é isso. Trabalhador não pode reclamar não moço. Nossa sede está fechada e a polícia anda procurando a gente para prender’. Foi a resposta que ouvimos à clássica pergunta –que é que há aí? E era isso mesmo que havia contra os trabalhadores que reclamavam melhores salários. Mas a firmeza dos grevistas e a solidariedade do povo asseguraram a vitória do movimento”.

Fonte: Jornal Novos Rumos. Rio de Janeiro, 24 a 30 de junho de 1960. Ano II, nº 70 pp. 10 e 12. http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=122831&pasta=ano%20196&pesq=%22as%20tropas%20federais%20ocuparam%22&pagfis=913

Texto 9

Em 26 de abril de 1964, o periódico O Jornal trazia informações sobre as perseguições que estavam ocorrendo em diferentes municípios do Estado e antecipava o resultado da sessão que ocorreria dois dias depois na Câmara Municipal de Cabo Frio.

‘Deverão ser cassados os mandatos dos vereadores Aldir José de Souza do PSB e Moisés Teixeira, do PTB, pela Câmara Municipal de Cabo Frio, que se reunirá amanhã para apreciar, também, os reflexos do Ato Institucional na administração local. Os edis estão foragidos e são acusados de atividades extremistas na região’.
O processo de cassação, assim como em outras casas legislativas por todo o país se deu rapidamente e, no dia 28 de abril de 1964 a cassação foi efetivada. Foram cassados os mandatos dos vereadores Aldir José de Souza do PSB e Moysés Bessa Teixeira do PTB, além de terem sido impedidos de assumir o mandato todos os suplentes do PSB.

Fonte: Christovão, João Henrique de Oliveira Trabalhadores do sal : organização sindical e lutas sociais nas salinas cabo-frienses – 1940/1974. – 2020

Texto 10

Ata do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Sal de Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Araruama

Uma categoria que no início dos anos 1960 era altamente organizada e combativa, e que chegou a eleger o presidente do seu sindicato para o cargo de vereador, jazia bastante fragilizada ao final da década, após o golpe civil-militar que cassou o mandato de vereador daquele que era representante dos salineiros na Câmara Municipal. A partir do golpe de 1964 o sindicato sofreu uma forte desmobilização e a primeira ata do único livro de atas que restou, traz o registro da violência sofrida:
“Ata nº 1 
Ata da sessão ordinária do Sindicato dos Trab. Na Ind. Da Extração do Sal de Cabo Frio, S. Pedro da Aldeia e Araruama. Aos vinte (20) dias do mês de novembro de 1966, às 9 horas, reuniu-se a junta governativa deste Sindicato, com a finalidade de discutir e aprovar as novas propostas de sócios, medida que a junta viu-se obrigada a tomar, por entender indispensável à reorganização total da entidade, em vista da apreensão de documentos havida no período da revolução pela polícia, os quais não foram recuperados, embora houvesse a junta se empenhado em reavê-los; verificou-se o preenchimento de 496 propostas de sócios antigos e novos, sendo que os antigos por falta de comprovantes, constam da proposta como já pertencentes a este sindicato. A matrícula de cada associado obedece ao número da respectiva proposta. Como nada mais houvesse a deliberar, encerra-se a sessão às 11 horas. 
Cabo Frio, 20 de novembro de 1966
Idson Mendonça (Secretário), José da Silva (Tesoureiro), Jairo Dias da Cunha (Presidente)”.


Etapa 6: Tempestade cerebral

A turma colocada em círculo receberá cópias dos sete textos e das três imagens. O/A professor/a, de forma aleatória, escolherá diferentes pessoas para ler cada um dos documentos.
A leitura dos textos deverá ser na ordem em que eles aparecem na proposta e deverá ser precedida de esclarecimentos mínimos acerca daquele documento.
Na medida em que os textos forem sendo lidos os alunos poderão fazer intervenções, sejam elas, questionamentos ou complementações com os documentos utilizados nos encontros anteriores ou quaisquer outros elementos que eles tenham trazido para o debate.
O/A professor/a nesse primeiro momento deverá intervir o mínimo possível, buscando apenas orientar a ordem de intervenção dos alunos ou esclarecendo alguma questão que se apresente de forma absolutamente necessária para a continuidade da dinâmica.
Ao final dessa etapa, com a discussão posta em sala de aula, o/a professor/a deverá/poderá fazer uma síntese de como ele percebeu o desenvolvimento do tema por parte da turma.
A síntese do tema, em si, ficará por parte da turma, de forma individual ou em grupos (a critério do/a professor/a). Podendo ser um texto em prosa sobre o entendimento do assunto ou uma colagem que expresse as ideias que foram discutidas ao longo dos três encontros.


Bibliografia e Material de apoio:

BIDEGAIN, Paulo. Lagoa de Araruama – Perfil Ambiental do maior ecossistema lagunar hipersalino do mundo – Rio de Janeiro: Semads, 2002.

CHRISTOVÃO, João H. de O. Do sal ao sol: a construção social da imagem do turismo em Cabo Frio – 2011. 145f.: Dissertação de Mestrado. Orientadora: Profª. Drª. Helenice Aparecida Bastos Rocha. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Formação de Professores.

CHRISTOVÃO, João Henrique de Oliveira Trabalhadores do sal : organização sindical e lutas sociais nas salinas cabo-frienses – 1940/1974. – 2020. 343 f. Tese (doutorado) – Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas, Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais. Orientadora: Ynaê Lopes dos Santos. Disponível em: https://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/30175

PINHEIRO, Ofir. Socorro, há dor nas salinas. In: PACHECO, Jacy. Paisagens Fluminenses – Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 1969, pp.73-74. Publicado originalmente no jornal O Fluminense de 19/02/1968.


Créditos da imagem de capa: Fotografia do fotógrafo cabofriense Wolney Teixeira, de 1948.


Chão de Escola

Nos últimos anos, novos estudos acadêmicos têm ampliado significativamente o escopo e interesses da História Social do Trabalho. De um lado, temas clássicos desse campo de estudos como sindicatos, greves e a relação dos trabalhadores com a política e o Estado ganharam novos olhares e perspectivas. De outro, os novos estudos alargaram as temáticas, a cronologia e a geografia da história do trabalho, incorporando questões de gênero, raça, trabalho não remunerado, trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e até mesmo desempregados no centro da análise e discussão sobre a trajetória dos mundos do trabalho no Brasil.
Esses avanços de pesquisa, no entanto, raramente têm sido incorporados aos livros didáticos e à rotina das professoras e professores em sala de aula. A proposta da seção Chão de Escola é justamente aproximar as pesquisas acadêmicas do campo da história social do trabalho com as práticas e discussões do ensino de História. A cada nova edição, publicaremos uma proposta de atividade didática tendo como eixo norteador algum tema relacionado às novas pesquisas da História Social do Trabalho para ser desenvolvida com estudantes da educação básica. Junto a cada atividade, indicaremos textos, vídeos, imagens e links que aprofundem o tema e auxiliem ao docente a programar a sua aula. Além disso, a seção trará divulgação de artigos, entrevistas, teses e outros materiais que dialoguem com o ensino de história e mundos do trabalho.

A seção Chão de Escola é coordenada por Claudiane Torres da Silva, Luciana Pucu Wollmann do Amaral e Samuel Oliveira.

Vale Mais #14 – Trabalhadores do sal





Vale Mais é o podcast do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ, que tem como objetivo discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da história social do trabalho.

O episódio #14 do Vale Mais é sobre Trabalhadores do sal.

Este é o sexto episódio da segunda temporada de Vale Mais, o podcast do site do LEHMT-UFRJ. Nesta temporada, conversamos com recém doutores/as no campo da História Social do Trabalho sobre seus temas de pesquisa e processos de elaboração de suas teses. Neste episódio, entrevistamos João Henrique de Oliveira Christovão, doutor em História, Política e Bens Culturais pelo CPDOC/FGV, professor das redes públicas municipal de Cabo Frio e do Rio de Janeiro, além de ser pesquisador do LEHMT-UFRJ. Em dezembro de 2020, João defendeu a tese “Trabalhadores do sal: organização sindical e lutas sociais nas salinas cabo-frienses – 1940/1974”, sob orientação de Paulo Fontes e Ynaê Lopes dos Santos. A pesquisa analisou os trabalhadores e trabalhadoras das salinas em Cabo Frio, entre as décadas de 1940 e 1970, abordando os processos de constituição das identidades dos salineiros, com destaque para as articulações entre classe, raça e gênero. João enfatiza que os salineiros ocuparam um papel fundamental nas lutas por direitos políticos e trabalhistas, bem como na construção do espaço urbano cabofriense.

Dica da entrevistado: Para entender uma fotografia – John Berger (livro)

Produção: Heliene Nagasava e Larissa Farias 
Roteiro: Heliene Nagasava e Larissa Farias 
Apresentação: Larissa Farias 

Livros de Classe #04: Trabalho, lar e botequim, de Sidney Chalhoub, por Fabiane Popinigis

No quarto vídeo da série, Fabiane Popinigis, professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) apresenta Trabalho, lar e botequim, de Sidney Chalhoub. Publicada em 1986, a obra inovou conceitualmente e metodologicamente ao trazer para o centro da narrativa o cotidiano de homens e mulheres comuns.

Livros de Classe

Os estudantes de graduação são desafiados constantemente a elaborar uma percepção analítica sobre os diversos campos da história. Nossa série Livros de Classe procura refletir justamente sobre esse processo de formação, trazendo obras que são emblemáticas para professores/as, pesquisadores/as e atores sociais ligados à história do trabalho. Em cada episódio, um/a especialista apresenta um livro de impacto em sua trajetória, assim como a importância da obra para a história social do trabalho. Em um formato dinâmico, com vídeos de curtíssima duração, procuramos conectar estudantes a pessoas que hoje são referências nos mais diversos temas, períodos e locais nos mundos do trabalho, construindo, junto com os convidados, um mosaico de clássicos do campo.

A seção Livros de Classe é coordenada por Ana Clara Tavares.

Livros de Classe #03: Costumes em comum, de E. P. Thompson, por Sidney Chalhoub

No terceiro vídeo da série, Sidney Chalhoub, professor titular colaborador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor do Departamento de História de Harvard, apresenta Costumes em comum, de E. P. Thompson. A celebrada coletânea de artigos do historiador inglês contribuiu para uma reflexão sobre a atuação política dos trabalhadores para além do movimento operário organizado.

Livros de Classe

Os estudantes de graduação são desafiados constantemente a elaborar uma percepção analítica sobre os diversos campos da história. Nossa série Livros de Classe procura refletir justamente sobre esse processo de formação, trazendo obras que são emblemáticas para professores/as, pesquisadores/as e atores sociais ligados à história do trabalho. Em cada episódio, um/a especialista apresenta um livro de impacto em sua trajetória, assim como a importância da obra para a história social do trabalho. Em um formato dinâmico, com vídeos de curtíssima duração, procuramos conectar estudantes a pessoas que hoje são referências nos mais diversos temas, períodos e locais nos mundos do trabalho, construindo, junto com os convidados, um mosaico de clássicos do campo.

A seção Livros de Classe é coordenada por Ana Clara Tavares.

Vale Mais #13 – Trabalhadores, repressão e transição democrática



Vale Mais é o podcast do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho da UFRJ, que tem como objetivo discutir história, trabalho e sociedade, refletindo sobre temas contemporâneos a partir da história social do trabalho.

O episódio #13 do Vale Mais é sobre Trabalhadores, repressão e transição democrática.

Este é o quinto episódio da segunda temporada de Vale Mais, o podcast do site do LEHMT-UFRJ. Nesta temporada, conversamos com recém doutores/as no campo da História Social do Trabalho sobre seus temas de pesquisa e processos de elaboração de suas teses. Neste episódio, entrevistamos Richard de Oliveira Martins, doutor em História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em dezembro de 2020, Richard defendeu a tese “Lutas vigiadas: militância operária, retaliação patronal e repressão no Vale do Paraíba (1979-1994)”, sob orientação do professor Claudio Batalha. A pesquisa analisou os trabalhadores da região do Vale do Rio Paraíba do Sul (Paulista e Fluminense), com ênfase sobre o operariado metalúrgico dos municípios de São José dos Campos/SP e Volta Redonda/RJ, abordando suas experiências de trabalho, organização sindical e luta política. Richard enfatiza as formas e as consequências da repressão com que se depararam estes trabalhadores, refletindo sobre o envolvimento de organizações sindicais nas recentes batalhas em torno da memória social da ditadura.

Dica da entrevistadaMichel Foucault

Produção: Heliene Nagasava e Larissa Farias 
Roteiro: Heliene Nagasava e Larissa Farias 
Apresentação: Larissa Farias 

Chão de Escola #15: Futebol Operário – lazer, profissão e cultura dos trabalhadores, por Raphael Rajão Ribeiro.



Raphael Rajão Ribeiro (CPDOC-FGV e Museu Histórico Abílio Barreto)


Apresentação da atividade

Segmento: 2º e 3º anos do Ensino Médio

Unidade temática: Brasil Republicano e cultura operária

Objetivos gerais:

Identificar, a partir do caso do futebol, a relação entre construção da cultura operária e as práticas de lazer;
– Reconhecer o estabelecimento de redes de sociabilidade a partir dos locais de trabalho;
– Examinar o papel desempenhado pelas fábricas e por seus operários na popularização do futebol no Brasil;
– Observar medidas de controle sobre o lazer operário a partir das direções das fábricas;
– Identificar as diferentes percepções do movimento operário organizado sobre o lazer dos trabalhadores;
– Perceber as interações entre mundo do trabalho e lazer, bem como os limites entre profissão e atividades do tempo livre;

Habilidades a serem desenvolvidas (de acordo com a BNCC)

(EM13CHS401) Identificar e analisar as relações entre sujeitos, grupos e classes sociais diante das transformações técnicas, tecnológicas e informacionais e das novas formas de trabalho ao longo do tempo, em diferentes espaços e contextos.(EM13CHS502) Analisar situações da vida cotidiana (estilos de vida, valores, condutas etc.), desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade e preconceito, e propor ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às escolhas individuais.

Duração da atividade:  5 aulas de 50 min

Aulas Planejamento
01Etapa 1
02Etapa 2 e 3
03Etapa 4
04Etapa 5 e 6
05Etapa 7 e 8

Conhecimentos prévios:

– Primeira República no Brasil
– Industrialização e movimentos operários no Brasil
– Regulamentação das leis trabalhistas no Estado Novo


Atividade

Recursos: Projetor multimídia; impressora

Etapa 1: Futebol nas fábricas e a popularização do esporte

Leitura anterior à aula e levantamento de informações prévias sobre o texto abaixo.

Leia o Documento 1, o extrato do capítulo de abertura da 2ª edição da obra “O Negro no Futebol Brasileiro”, do jornalista Mário Filho, de 1964.

O trecho transcrito compõe a obra “O Negro no Futebol Brasileiro”, publicada originalmente em 1947 e reeditada com acréscimos em 1964. Seu autor foi o jornalista Mário Filho, que atuou na crônica esportiva por cerca de quatro décadas. O livro dialoga com diversos estudos ensaísticos, realizados entre os anos 1930 e 1940, que propunham debater a formação da identidade nacional, com destaque para a produção do sociólogo Gilberto Freyre. Seu objeto principal é narrar a ascensão do negro no futebol brasileiro, da condição de excluído ao protagonismo da modalidade esportiva mais popular do país.

A partir da leitura, desenvolva as seguintes questões:

  1. Faça uma pesquisa e trace uma breve biografia de Mario Filho. Informe suas origens, sua atuação profissional, sua produção literária e sua inserção na meio cultural brasileiro, com as principais iniciativas de que participou.
  2. O autor cita diversos termos em inglês, referentes à prática do futebol naquele período. Identifique os termos e produza um glossário com os seus significados.
  3. Como indicado, a obra escrita nos anos 1940, tinha como foco as relações raciais em torno do futebol. Observe as expressões utilizadas pelo autor para descrever os personagens e escreva um texto dissertativo respondendo as seguintes questões: 
  • Como os termos usados por ele soam atualmente? 
  • Em que medida eles podem ser classificados como preconceituosos?
  • Como o autor identifica as distinções entre nacionalidades? Havia uma hierarquia entre elas?
  1. Explique a relação entre trabalho e lazer, observando de que maneira as condições da Companhia Progresso Industrial do Brasil influenciaram a formação da equipe do Bangu.


Etapa 2: Futebol na fábrica do Bangu

Na segunda aula, faça uma correção da atividade de leitura do texto de Mário Filho.

Debata o texto do Documento 1, a partir de questões iniciais e de problemas indicados pelos estudantes. Nesse momento, de acordo com os pontos levantados pelos alunos, podem ser desenvolvidas questões sobre a sociabilidade em zonas fabris, a introdução do futebol no Brasil e sua relação com a presença estrangeira, as tensões nacionais e raciais no meio operário etc.


Etapa 3: Futebol na fábrica do Bangu

Façauma leitura coletiva do Documento 2, um texto histórico informativo intitulado “Bangu e fábrica: um casamento (in)feliz?”, de Nei Jorge Santos Júnior:

A partir da leitura, debata a importância da fábrica para o desenvolvimento do futebol na região de Bangu e para a manutenção do time, comparando com o texto de Mário Filho.

Solicite a resolução da questão abaixo:

1 – Em seu texto, Mário Filho faz uma extensa descrição da fotografia do primeiro time organizado pelo Bangu, em 1905. Observe a foto a que ele faz referência (projete a imagem):

Bangu, 1905. Imagem reprodução.

Com a imagem projetada, retome a leitura coletiva da descrição da fotografia presente no texto de Mario Filho, buscando identificar os elementos apontados por ele. 

Responda as seguintes questões:

  • De que forma o autor pontua a cultura masculina do período em sua descrição? Quais códigos essa cultura mobiliza e o que eles são capazes de comunicar aos demais? É possível identificar códigos semelhantes nos dias de hoje? É possível observar códigos no cotidiano escolar e na vida dos estudantes?
  • Mario Filho aponta uma relação entre as formas de se vestir e a busca de uma distinção social e de uma aceitação pelo grupo. De que forma esses esforços apontam para uma diferenciação racial e social entre os integrantes da equipe?
  • Um dos objetivos das regras nos esportes é a garantia de uma situação de igualdade entre todos os participantes de uma competição. Segundo a avaliação do autor, esse pressuposto que vigorava no momento de duração da partida se estendia para o convívio cotidiano entre os integrantes do time do Bangu? Quais tipos de diferenças existiam entre eles? Enumerem as diferenças.

Etapa 4: Futebol de fábrica, controle e organização operária

Na terceira aula, é indicada a leitura do artigo “Anarquistas e comunistas no Futebol em São Paulo”, de Fátima Martin Antunes:

Deve-se estabelecer um tempo para os estudantes lerem o texto em sala. Os alunos devem identificar os termos e referências espaciais desconhecidas e o professor deve esclarecer as dúvidas, de modo a garantir a melhor compreensão do texto.

A partir da leitura, propõe-se uma aula expositiva dialogada, com a montagem de um quadro, em duas colunas, com argumentos utilizados pelos integrantes do movimento operário contra e a favor da prática do futebol entre os trabalhadores. 

Observem argumentos relativos à utilização do tempo livre pelo trabalhador, o sentido atribuído ao lazer (esportes, bailes, encontros sociais), o significado da prática esportiva, as possibilidades de convivência entre formação intelectual e desenvolvimento físico, as possibilidades de mobilização pelo esporte etc.

Considerando os pontos de vista adotados naquele período, solicite aos estudantes a preparação de argumentos para um debate em defesa e em contraposição à prática do futebol a ser realizar na próxima aula.


Etapa 5: Debate sobre fábrica, controle e organização operária

Na aula 4, debata sobre controle e autonomia no futebol dos trabalhadores.

Prepare uma breve exposição retomando questões dos movimentos operários na Primeira República, em suas tendências anarquistas e comunistas, e debata sobre o controle exercido por empresários em contextos fabris e iniciativas de resistência pelos trabalhadores.

Em vista da preparação para o debate feito na aula anterior, escolha estudantes (de acordo com a organização e possibilidade que o(a) professor(a) encontrar na  sala), para realizar o debate a favor e contra a prática de esportes, em vista dos argumentos comunistas e anarquistas. Os estudantes devem ser orientados a assumir um lado na discussão.


Etapa 6: Debate sobre fábrica, controle e organização operária

Após o debate, leia coletivamente em sala o texto sobre a prática esportiva em Porto Alegre, e discuta as questões que segue.

Considerem que vocês sejam associados do Grêmio Esportivo Renner. Com base no debate realizado a partir dos argumentos do movimento operário a favor e contrário à condução de clubes de futebol pelas fábricas, avaliem o mascote proposto pelo Departamento de Propaganda da empresa:

  1. Quais as opiniões da turma sobre a mascote proposta? Ela é representativa do que os operários esperam de um time de futebol? Esse é o tipo de imagem que gostariam de utilizar para simbolizar a equipe? Argumentem a favor e contra o modelo proposto. 
  2. Ao final do debate, considerando sua condição de associado, a turma deve votar pela adoção ou não da mascote.

Etapa 7: As relações empregatícias no futebol profissional e na várzea

Na aula 5, a turma deve ser dividida em grupos para analisar as relações de trabalho no futebol operário, considerando a profissionalização e a prática na várzea.

Organize a classe em cinco grupos (ou em grupos múltiplos de cinco) para analisar os seguintes excertos sobre as relações de trabalho no futebol:

Selecionado e distribuídos os excertos pelos grupos, eles devem proceder a leitura do trecho indicado. E responder as questões abaixo:

  1. Que tipo de texto foi analisado pelo grupo? Quando foi escrito?
  2. Grifar os termos desconhecidos e buscar seu significado, com vistas à melhor compreensão do texto.
  3. Identificar o clube tratado e qual a sua inserção no circuito competitivo do futebol. De que campeonatos participava? Era classificado como amador ou profissional?
  4. Delimitar qual era o regime de contratação dos jogadores citados. Como eles se vinculavam ao clube e de que forma eram mantidos? De onde originavam os seus rendimentos?
  5. Os casos tratados nos trechos referem-se aos anos 1940, 1950 e 1960, momento em que já havia uma distinção no futebol entre clubes profissionais e amadores. Com base na relação empregatícia dos jogadores tratados, é possível afirmar se o clube ao qual eles pertenciam era completamente profissional ou amador?
  6. E do ponto de vista das relações de trabalho estabelecidas pelos jogadores com seus clubes, ela se configura em um vínculo empregatício?

Após analisarem os trechos e responderem às questões, os grupos devem apresentar os resultados à classe. 

Feitas as apresentações é possível ao professor estabelecer uma roda de conversa sobre as fronteiras entre relações formais e informais de emprego, pensando na multiplicidade de vínculos existentes não apenas no universo esportivo, mas nas relações cotidianas das comunidades onde os alunos estão inseridos.


Etapa 8: As relações empregatícias no futebol profissional e na várzea

Para finalizar a última aula, o professor deve realizar uma breve recapitulação de pontos chave sobre a regulamentação das relações trabalhistas e da edição da CLT no Estado Novo e abordar, de maneira panorâmica, o processo de institucionalização do profissionalismo no futebol brasileiro, considerando a prática não regulada do “amadorismo marrom” nas décadas iniciais do século XX e o processo de profissionalização entre 1933 e 1938.


Bibliografia e Material de apoio:

ANTUNES, Fátima Martin Rodrigues Ferreira. Futebol de fábrica em São Paulo. 1992. Dissertação (Mestrado em Sociologia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1992.

Cadernos AEL. Dossiê esportes e trabalhadores. Campinas/SP, v. 16, n. 28, primeiro semestre de 2010.

CIOCCARI, Marta Regina. Do gosto da mina, do jogo e da revolta: Um estudo antropológico sobre a construção da honra em uma comunidade de mineiros de carvão. 2010. Tese (Doutorado em Antropologia) – Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.

FONTES, Paulo; HOLLANDA, Bernardo Buarque de (Org.). The Country of Football: Politics, Popular Culture, and the Beautiful Game in Brazil. Londres: Hurst Publishers, 2014.

LOPES, José Sérgio Leite. Da usina de açúcar ao topo do mundo do futebol nacional: trajetória de um jogador de origem operária. Cadernos AEL, Campinas, v. 16, n. 28, p. 13-40, 2010.

PEREIRA, Leonardo Affonso de Miranda. Footballmania: Uma história social do futebol no Rio de Janeiro, 1902-1938. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.

RODRIGUES FILHO, Mario. O negro no futebol brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2003.

SANTOS JUNIOR, Nei Jorge dos. A construção do sentimento local: o futebol nos arrabaldes de Bangu e Andaraí. Rio de Janeiro, Multifoco, 2014.

SILVA, Daniela Alves da. Cultura operária: um estudo de caso do Villa Nova Atlético Clube. 2007. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007.

STÉDILE, Miguel Enrique. Da fábrica à várzea: clubes de futebol operário em Porto Alegre. 2011. Dissertação (Mestrado em História) – Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.


Créditos da imagem de capa: Alured Bell, The Beautiful Rio de Janeiro, Londres: W. Heinemann, 1914, p. 182


Chão de Escola

Nos últimos anos, novos estudos acadêmicos têm ampliado significativamente o escopo e interesses da História Social do Trabalho. De um lado, temas clássicos desse campo de estudos como sindicatos, greves e a relação dos trabalhadores com a política e o Estado ganharam novos olhares e perspectivas. De outro, os novos estudos alargaram as temáticas, a cronologia e a geografia da história do trabalho, incorporando questões de gênero, raça, trabalho não remunerado, trabalhadores e trabalhadoras de diferentes categorias e até mesmo desempregados no centro da análise e discussão sobre a trajetória dos mundos do trabalho no Brasil.
Esses avanços de pesquisa, no entanto, raramente têm sido incorporados aos livros didáticos e à rotina das professoras e professores em sala de aula. A proposta da seção Chão de Escola é justamente aproximar as pesquisas acadêmicas do campo da história social do trabalho com as práticas e discussões do ensino de História. A cada nova edição, publicaremos uma proposta de atividade didática tendo como eixo norteador algum tema relacionado às novas pesquisas da História Social do Trabalho para ser desenvolvida com estudantes da educação básica. Junto a cada atividade, indicaremos textos, vídeos, imagens e links que aprofundem o tema e auxiliem ao docente a programar a sua aula. Além disso, a seção trará divulgação de artigos, entrevistas, teses e outros materiais que dialoguem com o ensino de história e mundos do trabalho.

A seção Chão de Escola é coordenada por Claudiane Torres, Luciana Pucu Wollmann do Amaral e Samuel Oliveira

Livros de Classe #02: Em defesa da honra, de Sueann Caulfield, por Cristiana Schettini

No segundo vídeo da série Livros de Classe, Cristiana Schettini, professora da Universidad Nacional de San Martin (UNSAM), apresenta a obra Em defesa da honra: moralidade, modernidade e nação no Rio de Janeiro (1918-1940), de Sueann Caulfield. Combinando uma prática de história social e uma perspectiva de gênero, o livro é resultado de uma rigorosa investigação sobre a moral sexual nos anos 1920 e 1930, no Rio de Janeiro.

Livros de Classe

Os estudantes de graduação são desafiados constantemente a elaborar uma percepção analítica sobre os diversos campos da história. Nossa série Livros de Classe procura refletir justamente sobre esse processo de formação, trazendo obras que são emblemáticas para professores/as, pesquisadores/as e atores sociais ligados à história do trabalho. Em cada episódio, um/a especialista apresenta um livro de impacto em sua trajetória, assim como a importância da obra para a história social do trabalho. Em um formato dinâmico, com vídeos de curtíssima duração, procuramos conectar estudantes a pessoas que hoje são referências nos mais diversos temas, períodos e locais nos mundos do trabalho, construindo, junto com os convidados, um mosaico de clássicos do campo.

A seção Livros de Classe é coordenada por Ana Clara Tavares.